O que vem depois da globalização?

Introdução IHU

O mundo está entrando em uma nova era. Os países ricos adotarão uma política dupla: abandonar a globalização neoliberal internacionalmente e promover um projeto neoliberal internamente

Depois de duas fases de globalização [1ª onda e 2ª + 3ª ondas no gráfico abaixo], “o mundo está entrando em uma nova era [indicada pela 2ª reversão no segundo gráfico em sequência] na qual os países ricos adotarão uma política dupla incomum: abandonar a globalização neoliberal internacionalmente e promover resolutamente um projeto neoliberal internamente”, afirma o economista Branko Milanovic.

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A discórdia se espalhou pelo mundo

Autor: Jomo Kwame Sundaram [1]

O presidente dos EUA, Donald Trump, deliberadamente semeou discórdia em todo o mundo na tentativa de refazê-lo para servir melhor aos supostos interesses americanos. Ele não cederá influência, muito menos poder e controle, a outras nações, muito menos a pessoas.

Acordo de Mar-a-Lago

O seu principal conselheiro econômico, Stephen Miran, ofereceu alguma justificativa para as tarifas de Trump, além de promover o seu plano “Acordo de Mar-a-Lago” para o renascimento imperial dos EUA. Mas mesmo que a maioria dos governos aceite participar, o dilema dos déficits dos EUA não será resolvido.

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A economia neoclássica é incapaz de compreender a politica tarifária de Trump

O texto em sequência aponta para “a incapacidade da economia convencional de explicar a desigualdade doméstica e a competição internacional entre as nações” e, assim, a política tarifária de Trump. A perspectiva dessa crítica, contudo, não parecer ser a dos países subjugados. De qualquer modo, ela admite implicitamente que as relações entre países portam contradições, as quais se manifestam como interações que visam a cooperação e/ou o conflito.

Autor: Branko Milanovic

Blog do autor – 19 de maio de 2025 – Título original: Nothing (meaningful) to say.

Em um excelente artigo recente “Guerra e política internacional” (de acesso livre), John Mearsheimer apresenta uma versão sucinta da teoria realista das relações internacionais, aplicada ao mundo multipolar atual. Ele se concentra na existência inevitável da guerra devido à forma como o sistema internacional está estruturado: vem a ser uma anarquia em que nenhum país desfruta do monopólio do poder semelhante ao que o Estado tem na política interna; eis que nele não há  uma instância capaz de impor o cumprimento das regras.

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Efeitos macroeconômicos e redistributivos das políticas tarifárias de Trump

Autores: Simon Grothe [1] e Michalis Nikiforos [2]

Publicado originalmente pelo Institute for New Economic Thinking [3] – 5 de Maio de 2025

Lead: O resultado mais provável do segundo governo Trump é uma recessão e uma exacerbação das desigualdades, assim como uma maior degradação dos padrões de vida dos trabalhadores e da classe média americana.

As últimas semanas foram marcadas pelos anúncios de Donald Trump de tarifas mais altas em quase todos os parceiros comerciais dos Estados Unidos. Essas tarifas foram justificadas sob uma agenda “America First”, que visa trazer empregos de manufatura de volta aos EUA e – de acordo com a ala populista da coalizão Trump – restaurar a posição da classe média americana.

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América: um novo paraíso fiscal?

Joseph Stiglitz [1] – Social Europe/Project Syndicate – 30 de abril de 2025

Trump está transformando a América em um paraíso fiscal, segue desmantelando salvaguardas e alimentando a desigualdade por meio da desregulamentação global.

Donald Trump está rapidamente transformando os Estados Unidos no maior paraíso fiscal da história. Basta observar quatro ações: a) a decisão do Departamento do Tesouro de se retirar do regime de transparência que compartilha as identidades reais dos proprietários das empresas; b) a retirada do governo das negociações para estabelecer uma Convenção das Nações Unidas sobre Cooperação Tributária Internacional; c) a recusa em aplicar a Lei de Práticas de Corrupção no Exterior; d) a desregulamentação maciça de criptomoedas.

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Do anarcocapitalismo à auteridade

Michael Roberts – The next recession blog – 15/04/2025

No dia 14 de abril, o FMI anunciou que concordou em emprestar ao governo argentino Milei mais US$ 20 bilhões (além das dívidas existentes contraídas no passado) para ajudar o governo a cumprir suas obrigações de dívida e restaurar as suas reservas cambiais em rápida queda. O acordo de empréstimo liberará US$ 12 bilhões iniciais, com mais US$ 3 bilhões chegando no final do ano.  

O governo diz que deve receber US$ 28 bilhões somente em 2025, incluindo US$ 15 bilhões de dinheiro do FMI, US$ 6 bilhões de outros credores multinacionais, US$ 2 bilhões de bancos globais e US$ 5 bilhões da extensão de um swap cambial com a China. Milei se gabou de que “o que o seu governo terá uma montanha de dólares“; eis que tema meta de dobrar as reservas cambiais brutas para US$ 50 bilhões.

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Reino Unido: ainda inverno, sem sinal de primavera

Autor: Michael Roberts – The next recession blog – 26 de março de 2025

A declaração de primavera do governo do Reino Unido sobre gastos foi tal como esperada – realmente horrível.  Primeiro, a chanceler Rachel Reeves teve que aceitar que a estimativa de crescimento real do PIB, em 2025, é agora metade da taxa prevista anteriormente; eis que foi reduzida pela metade, ou seja, para 1% de 2% pelo analista oficial do governo, o Escritório de responsabilidade orçamentária [Office for Budget Responsibility (OBR)].  Além disso, Reeves teve que admitir que a meta de inflação do governo de 2% ao ano não seria atingida até 2027 – e isso pressupõe que as medidas tarifárias de Trump não aumentem os custos nesse meio tempo.

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Eleições: Tarifas e Taxas de câmbio

Richard Koo [1] – Sin Permiso  – 07/12/2024

O que o Japão, os EUA e a Europa têm em comum é a crescente raiva popular com a economia, apesar dos altos preços das ações e do baixo desemprego.

Por que os partidos no poder foram derrotados nas eleições dos EUA e do Japão?

Grandes mudanças políticas estão chegando no Japão, nos Estados Unidos e na Europa. Os EUA e o Japão realizaram eleições nacionais nas últimas semanas e, em ambos os casos, o partido no poder sofreu uma grande derrota, criando grande incerteza sobre a política econômica. Enquanto isso, na Alemanha, a retirada do Partido Democrata Livre (FDP) da coalizão de três partidos deixou o governo em apuros.

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Economia excepcional

Autor: MichaelRoberts – The next recession blog – 14/01/2025

Na próxima semana, o presidente dos EUA, Joe Biden, termina seu mandato, para ser substituído pelo Donald. Biden teria sido extremamente popular entre os norte-americano e provavelmente teria concorrido e conseguido um segundo mandato como presidente, se o PIB real dos EUA tivesse aumentado 4,5-5,0% em 2024, e se durante todo o seu mandato desde o final de 2020, o PIB real tivesse subido 23%; e se o PIB per capita real tivesse aumentado 26% nesses quatro anos. E ele teria sido parabenizado se a taxa de mortalidade por Covid durante a pandemia de 2020-21 tivesse sido uma das mais baixas do mundo e a economia evitasse a queda pandêmica na produção.

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A crise do capitalismo tardio e a banalidade do mal

Autor: Fernando Rosas [1] – 19/11/2024 – Portal Esquerda

A banalidade do mal fabricada pela alienação é o caminho aberto para o desastre que só a resistência contra hegemônica pode e deve travar.

O conceito de banalidade do mal foi adiantado por Hannah Arendt no livro publicado em Maio de 1963 sobre o julgamento de Adolf Eichmann em Jerusalém entre Abril de 1961 e Maio de 1962, data em que foi executado após confirmada a sua sentença de morte. Eichmann era o tenente-coronel das SS, destacado na Gestapo, a polícia política da Alemanha nazi, onde se tornara o principal “especialista” da “questão judaica”, vindo a ser responsável pela gigantesca operação logística que implicou o extermínio da população judia da Alemanha e de todos os países sob ocupação do III Reich.

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