O sítio publica artigos de Eleutério F S Prado. Divulga, também, textos importantes sobre economia política e sobre o tema da complexidade. Tem como princípio fundamental que a única boa alternativa para resolver os problemas da humanidade é a democracia.
O presidente dos EUA, Donald Trump, deliberadamente semeou discórdia em todo o mundo na tentativa de refazê-lo para servir melhor aos supostos interesses americanos. Ele não cederá influência, muito menos poder e controle, a outras nações, muito menos a pessoas.
Acordo de Mar-a-Lago
O seu principal conselheiro econômico, Stephen Miran, ofereceu alguma justificativa para as tarifas de Trump, além de promover o seu plano “Acordo de Mar-a-Lago” para o renascimento imperial dos EUA. Mas mesmo que a maioria dos governos aceite participar, o dilema dos déficits dos EUA não será resolvido.
Em meados de outubro de 2021, a BlackRock revelou os resultados obtidos até o terceiro trimestre que ali se encerrava: a gigante da gestão de ativos anunciou, então, que tinha quase US$ 10 trilhões em ativos sob gestão. É um grande montante já que se mostra “aproximadamente equivalente a todas as indústrias globais de fundos de cobertura (hedge funds), “participação privada” (private equity) e capital de risco, combinadas”. Considerando que essa empresa quebrou a marca de US $ 1 trilhão em 2009, vê-se que obteve um aumento de quase dez vezes em apenas alguns anos
Desde a crise financeira de 2008, testemunha-se a ascensão dessa indiscutível superpotência de capital acionário. A BlackRock, embora excepcional, não está sozinha. Ela tem como rival mais próxima, a Vanguard. Ora, essas duas empresas controlam quase US$ 20 trilhões em ativos, tendo uma participação de mercado combinada de mais de 50% no mercado em expansão dos fundos negociados em bolsa (Exchange Traded Funds ou ETFs[3]). E elas não são apenas grandes – elas são “universais” – pois controlam grandes participações em todas as empresas, classes de ativos, setores e geografias da economia global.
Autor: Peter Bofinger [1] – Social Europe – 10/06/2025
Christine Lagarde busca um papel internacional maior para o euro; contudo, a realidade econômica da Europa, que é multifacetada, apresenta um desafio complexo. Trata-se, pois, de uma tentativa arriscada para obter um “privilégio exorbitante” tal como é detido hoje pelo dólar.
Em um discurso recente, a presidente Christine Lagarde, do Banco Central Europeu (BCE), articulou um desejo claro de que o euro desempenhe um papel mais significativo como moeda internacional. Argumentou que isso poderia trazer benefícios substanciais para a área do euro. Eis, em síntese, o que ela disse:
As lutas das facções do capital no segundo governo Trump
Contradições na base de apoio de Trump
O declínio do país hegemônico, segundo o historiador Fernand Braudel, vem historicamente com a financeirização. Em face do declínio da lucratividade na produção e no comércio, os proprietários de capital transferem cada vez mais os seus ativos para as finanças. Trata-se, de acordo com Braudel, de um “sinal de outono”, momento em que os impérios “se transformam numa sociedade de investidores rentistas à procura de qualquer coisa que garanta uma vida tranquila e privilegiada”. [3]
O texto em sequência aponta para “a incapacidade da economia convencional de explicar a desigualdade doméstica e a competição internacional entre as nações” e, assim, a política tarifária de Trump. A perspectiva dessa crítica, contudo, não parecer ser a dos países subjugados. De qualquer modo, ela admite implicitamente que as relações entre países portam contradições, as quais se manifestam como interações que visam a cooperação e/ou o conflito.
Autor: Branko Milanovic
Blog do autor – 19 de maio de 2025 – Título original: Nothing (meaningful) to say.
Em um excelente artigo recente “Guerra e política internacional” (de acesso livre), John Mearsheimer apresenta uma versão sucinta da teoria realista das relações internacionais, aplicada ao mundo multipolar atual. Ele se concentra na existência inevitável da guerra devido à forma como o sistema internacional está estruturado: vem a ser uma anarquia em que nenhum país desfruta do monopólio do poder semelhante ao que o Estado tem na política interna; eis que nele não há uma instância capaz de impor o cumprimento das regras.
Autor: Michael Roberts[1] – The next recession blog – 25/05/2025
A Câmara dos Deputados, a câmara baixa do Congresso dos EUA, na qual o Partido Republicano tem uma pequena maioria, aprovou as propostas de orçamento do governo do presidente Donald Trump. Trump o chama de “The big, beautiful bill”.
Se aprovado, esse projeto estenderia os cortes abrangentes de impostos para os ricos – e especialmente para os mais ricos –, os quais foram aprovados em 2017, durante o primeiro mandato presidencial de Trump. O “belo projeto” de lei também faria grandes reduções no financiamento do seguro saúde (Medicaid), assim como no programa de ajuda alimentar (Food stamps), os quais visam suprir carências de indivíduos e famílias de baixa renda. E, claro, ele também propõe cortes nos subsídios fiscais para energia renovável (drill baby, drill, como costuma entoar).
Autor : Nouriel Roubini [1] – Social Europe/Project Syndicate – 16 de maio de 2025
A economia dos EUA vai crescer apesar das artes de Trump. Eis que os mercados, as inovações e a inteligência artificial (IA) estão superando o caos produzido por ele – ademais, elas estão empurrando os Estados Unidos para um crescimento de 4%, com recessão imediata ou não.
Em dezembro passado, argumentei que, embora algumas das políticas do presidente dos EUA, Donald Trump, fossem estagflacionárias (reduzindo o crescimento e aumentando a inflação), esses efeitos seriam mitigados por quatro fatores: a disciplina de mercado, a independência do banco central dos EUA (Federal Reserve), os próprios conselheiros do presidente e a pequena maioria republicana no Congresso.
Em The Fall and Rise of American Finance, Stephen Maher e Scott Aquanno argumentam que a crise financeira global de 2008 (doravante: CFG), e a subsequente reestruturação do setor financeiro dos EUA, ultimaram uma mudança fundamental no capitalismo americano. O que antes era um sistema financeiro centrado nos bancos agora se transformou – por meio da própria crise e da resposta regulatória do Estado dos EUA – em um sistema dominado por grandes empresas de gestão de ativos, como as “três grandes”: Blackrock, State Street e Vanguard.
Essas grandes empresas, com trilhões de dólares em ativos sob gestão, possuem agora imensas quantidades de patrimônio corporativo dos EUA e exercem um excessivo poder de investidor nas cúpulas corporativas. De acordo com os autores, essa mudança que põe as empresas gestoras de ativos como “proprietárias universais” do capital social total dos Estados Unidos é uma nova forma de “capital financeiro” tal como conceituado por Rudolf Hilferding.
Autores: Simon Grothe [1] e Michalis Nikiforos [2]
Publicado originalmente pelo Institute for New Economic Thinking [3] – 5 de Maio de 2025
Lead: O resultado mais provável do segundo governo Trump é uma recessão e uma exacerbação das desigualdades, assim como uma maior degradação dos padrões de vida dos trabalhadores e da classe média americana.
As últimas semanas foram marcadas pelos anúncios de Donald Trump de tarifas mais altas em quase todos os parceiros comerciais dos Estados Unidos. Essas tarifas foram justificadas sob uma agenda “America First”, que visa trazer empregos de manufatura de volta aos EUA e – de acordo com a ala populista da coalizão Trump – restaurar a posição da classe média americana.
Autor: Paul Krugman – Blog do Substack – 14 de maio de 2025
Podemos estar perdendo nossa última e melhor chance de pôr limites nas mudanças climáticas
No último dia 12 de maio, os republicanos da Câmara divulgaram as partes finais de sua proposta de lei tributária e orçamentária – trata-se, para quem leu, de material para pesadelos. Como documenta Bobby Kogan, do Center for American Progress, o projeto de lei imporia os enormes cortes no Medicaid e no SNAP (Supplemental Nutrition Assistance Program) – que substituiu o antigo programa anteriormente conhecido como vale-refeição –, os maiores da história. Milhões de americanos de baixa renda perderiam a cobertura de saúde; milhões passariam fome. E muitos dos que sofreriam mais seriam as crianças das mais famílias pobres.
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