A tese de Pettis e a economia da China

As tarifas ajudarão a reequilibrar a economia global (e a economia chinesa)?

Noah Smith – Blogue Noahpinion – 16 de janeiro de 2025. Eis aqui o segundo artigo que examina a política econômica que se vale fundamentalmente de tarifas. 

Fonte: Brad Setser

Este post (…) versa sobre a economia da China e a situação do comércio internacional, em vez de tratar de guerra e conflito.

A China tem um enorme e crescente superávit comercial, como se pode ver no gráfico acima. Esse gráfico é de Brad Setser, um autor conhecido por ser um exército de um homem só em termos de rastreamento do comércio global e dos fluxos financeiros. (…) Curiosamente, é preciso ver que as exportações da China para o mundo em desenvolvimento são mais importantes do que suas exportações para os EUA e a UE, embora estas últimas tenham aumentado um pouco.

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Quem domina o comércio internacional?

As duas figura em sequência, produzidas pela consultoria Apollo , ou seja, porTorsten Slok, Rajvi Shah, and Shruti Galwankar e publicadas no sitio do Phenomenal World mostram uma mudança drástica no dominío do comércio internacional nos últimos vinte anos. A primeira apresenta a situação no ano 2000; já a segunda mostra a situação no ano 2020. O arquivo com estes e outros dados estão publicado aqui em sequência.

A fonte original está aqui.

As tarifas de Trump e a estratégia global de Pettis

Autor: Nick Johnson – Blogue The political economy of development – 12 de fevereiro de 2025. Primeiro de três artigos sobre essa temática.

O retorno das políticas tarifárias de Donald Trump, em 2025, reacendeu os debates sobre a eficácia das barreiras comerciais na redução do déficit comercial dos EUA e para o fortalecimento da manufatura doméstica. Enquanto Trump argumenta que as tarifas forçarão as empresas a trazerem a produção de volta aos EUA, o economista Michael Pettis, baseado na China, afirma que as tarifas por si só não podem resolver os desequilíbrios comerciais fundamentais. Em vez disso, ele defende reformas econômicas mais amplas, tanto no nível global quanto no doméstico. Esta postagem explora as principais diferenças entre essas duas perspectivas e examina como seria uma estratégia comercial mais abrangente.

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Eleições: Tarifas e Taxas de câmbio

Richard Koo [1] – Sin Permiso  – 07/12/2024

O que o Japão, os EUA e a Europa têm em comum é a crescente raiva popular com a economia, apesar dos altos preços das ações e do baixo desemprego.

Por que os partidos no poder foram derrotados nas eleições dos EUA e do Japão?

Grandes mudanças políticas estão chegando no Japão, nos Estados Unidos e na Europa. Os EUA e o Japão realizaram eleições nacionais nas últimas semanas e, em ambos os casos, o partido no poder sofreu uma grande derrota, criando grande incerteza sobre a política econômica. Enquanto isso, na Alemanha, a retirada do Partido Democrata Livre (FDP) da coalizão de três partidos deixou o governo em apuros.

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Mudança no mercado de trabalho nos EUA em perspectiva histórica

Adam Tooze – Blog do autor – 27/01/2025

O declínio dos empregos no varejo. Mudança tecnológica no mercado de trabalho dos EUA por David Deming, Christopher Ong e Lawrence H. Summers

De 1970 até os primeiros anos da primeira década dos anos 2000, a produtividade do trabalho cresceu mais rapidamente na manufatura do que na economia em geral. Esse crescimento coincide quase exatamente com o período de rápido declínio do emprego no trabalho de colarinho azul mostrado na figura 1. O crescimento da produtividade na manufatura foi igual ou mais lento do que o crescimento econômico geral nas décadas de 1950 e 1960 e, mais recentemente, desde 2010.

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Da renda mínima à renda universal

Autora: Sarah Babiker[1] – Sin Permiso22/01/2025

Na Espanha, as promessas de um resgate para as pessoas mais vulneráveis deram lugar a um sistema que as submete a um verdadeiro pesadelo administrativo, onde a ajuda é acompanhada de dúvidas, dívidas e insegurança.

Em mais um Dia dos Santos Inocentes, 28 de dezembro de 2024, as pessoas afetadas pela renda mínima se apresentaram em frente ao Ministério da Inclusão, Previdência Social e Migração. Convocado pela Plataforma RMI – Tu Derecho, em uma ação apoiada por dezenas de organizações e grupos, pelo quarto ano consecutivo os afetados pela má gestão desse benefício quiseram lembrar que o “Ingresso mínimo vital” (IMV) – que foi apresentado como uma tábua de salvação, como um recurso para não deixar ninguém para trás, como a materialização de um direito social – está dificultando suas vidas. Transforma sua mera sobrevivência em uma espécie de teste contínuo diante de uma burocracia sem rigor ou sentido.

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Captura e produção de valor na economia mundial

 Autor: Tomás N. Rotta [2]

Introdução: análise marxista das cadeias globais de valor, 2000-2014 [1]

A entrada da China na Organização Mundial do Comércio (OMC) em 2001 e a subsequente mudança da manufatura dos Estados Unidos e da Europa para a Ásia remodelaram drasticamente as cadeias de valor globais. Essa nova fase da globalização, impulsionada pela ascensão da China, resultou em uma desindustrialização significativa nos Estados Unidos e na Europa, com impactos profundos nos salários, emprego, política e distribuição de renda. Nesse contexto, o presente estudo fornece uma nova análise empírica de como o valor econômico é produzido e distribuído na economia global.

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Do neofeudalismo ao capitalismo

Autor: Eleutério F. S. Prado [1]

Faz-se nessa nota um comentário sobre um escrito de Jodi Dean em que essa autora do campo crítico explica por que pensa que o modo de produção capitalista está se transformando num novo outro que denomina de neofeudalismo. O seu artigo From neoliberalism to neofeudalism recém-publicado [2] se mostra bem apropriado como objeto de crítica porque está construído com base numa ingenuidade metodológica.

Eis que apresenta essa tese partindo de uma definição de capitalismo:

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Economia excepcional

Autor: MichaelRoberts – The next recession blog – 14/01/2025

Na próxima semana, o presidente dos EUA, Joe Biden, termina seu mandato, para ser substituído pelo Donald. Biden teria sido extremamente popular entre os norte-americano e provavelmente teria concorrido e conseguido um segundo mandato como presidente, se o PIB real dos EUA tivesse aumentado 4,5-5,0% em 2024, e se durante todo o seu mandato desde o final de 2020, o PIB real tivesse subido 23%; e se o PIB per capita real tivesse aumentado 26% nesses quatro anos. E ele teria sido parabenizado se a taxa de mortalidade por Covid durante a pandemia de 2020-21 tivesse sido uma das mais baixas do mundo e a economia evitasse a queda pandêmica na produção.

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Nacionalismo de desastre

Richard Seymour [1]

É muito fácil ser antifascista no nível molar sem nem mesmo ver o fascista que existe dentro de você mesmo, o fascista que você mesmo sustenta, nutre e estima com moléculas tanto pessoais quanto coletivas. Gilles Deleuze e Félix Guattari, Mil Platôs [2].

I.

O fascismo, como Robert O. Paxton escreve em sua convincente história,[3] torna-se uma força histórica quando enfrenta “uma sensação de crise avassaladora além do alcance de quaisquer soluções tradicionais”. O livro, que aqui chega ao fim,[4] aponta para num paradoxo: as crises reais estão proliferando, mas o nacionalismo de desastre está se nutrindo de crises inteiramente fictícias.

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