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Sobre Eleutério F S Prado

Professor da Universidade de São Paulo Área de pesquisa: Economia e Complexidade

Lévi-Strauss: da natureza à cultura

Traduz-se aqui a primeira parte do primeiro capítulo do livro L’obscurantisme contemporain, escrito por um importante antropólogo e filósofo francês, Pierre Fougeyrollas, o qual foi publicado em 1980, mas que agora está relativamente esquecido.[1] O objeto é mostrar o caráter de construção idealista do estruturalismo de Lévi-Strauss, fonte principal da metodologia de Jacques Lacan, autor que estamos estudando criticamente. Expõe-se, assim, que o defeito encontrado em um se encontra também no outro.

Lévi-Strauss: natureza e cultura

Autor: Pierre Fougeyrollas [2]

O problema da relação entre natureza e cultura e a questão da passagem da primeira para a segunda na geração e desenvolvimento do ser humano foram legados pela especulação filosófica do passado ao pensamento do nosso tempo. Apesar do desdém que professa pela filosofia, Claude Lévi-Strauss não deixou de enfrentá-lo na sua principal obra sobre as Estruturas Elementares do Parentesco. É por este texto que começaremos a discussão de seu trabalho.

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A tripla desigualdade do problema climático “global”

Autor: Adam Tooze, 11/06/2023

A crise climática é frequentemente discutida como um problema global que requer a mobilização coletiva da humanidade. Isso pode ser inspirador. Contra o pano de fundo da tensa geopolítica de hoje, pode até ser reconfortante imaginar que existem pelo menos alguns problemas que temos em comum como “nós”. Conforme observado no Relatório de Desigualdade Climática 2023 , escrito pela equipe de Lucas Chancel, Philipp Bothe e Tancrède Voituriez, esta visão “global” do problema é profundamente enganosa.

A realidade do “problema climático global” é, de fato, definida por uma tripla desigualdade. O maior impacto é sofrido por aqueles que menos contribuíram para a crise e têm menos condições de pagar. Aqueles de nós que são mais responsáveis e têm maior capacidade de contribuir para a solução sofrem atualmente menos e serão ameaçados no futuro por um impacto relativamente menor.

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O retorno da psicopolítica

Autor: Eli Zaretksy [1] – Sidecar – 22/09/2023

Como que demonstrando que o reprimido retorna, a política irrompeu no mundo supostamente apolítico da psicanálise americana. Um grupo de defesa, Black Psychoanalysts Speak e um documentário, Psychoanalysis in El Barrio, procuram corrigir os preconceitos raciais e de classe dessa disciplina, a análise.

Unbehagen, um serviço de psicanalítico popular, está envolvido num debate agitado sobre se é necessário combinar o gênero, a raça, a etnia e a orientação sexual do analista com os do paciente. A própria Associação Psicanalítica Americana (APsaA) foi abalada por recriminações políticas, expurgos, demissões e denúncias. Um artigo de Donald Moss, publicado no jornal da associação, forneceu o catalisador para isso ocorresse. De acordo com seu resumo:

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O discurso do homo oeconomicus

Autor: Eleutério F. S. Prado [1]

A figura do homo oeconomicus como forma de caracterizar o modo de calcular e de atuar do bípede sem plumas quando ele está envolvido em atividades mercantis apareceu junto com o nascimento da economia política [2], grosso modo, no século XVIII. A melhor reflexão sobre essa realização no campo da ciência moderna foi feita por John Stuart Mill em seu Da definição de Economia Política e do método de investigação própria a ela, publicado em 1832. Aí, considerando esse saber como uma ciência moral ou psicológica, define explicitamente a economia política do seguinte modo:

A ciência que trata da produção e da distribuição de riqueza na medida em que elas dependem das leis da natureza humana (…) das leis morais ou psicológica da produção e da distribuição da riqueza.[3]

Porém, o que é riqueza? Mill, em seu artigo seminal, apresenta uma definição em que a riqueza aparece como uma coleção de bens e serviços que tem utilidade e que precisam ser produzidos pelo trabalho humano:

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Os ciclos de globalização seguem a taxa de lucro

Autor: Michael Roberts – The next recession blog – 9/09/2023

O que a economia dominante entende por globalização é a expansão acelerada do comércio e dos fluxos de capital (mas não do trabalho) livremente através das fronteiras.

A globalização, assim definida como a expansão do comércio e dos fluxos de capitais a nível mundial, ocorreu em ondas, ou seja, períodos de rápida expansão do comércio e do capital a nível mundial e, em seguida, períodos em que o comércio e os fluxos de capitais diminuíram e os países reverteram para barreiras comerciais e de capital. Penso que podemos distinguir três ondas de globalização, por volta de 1850-80; por volta de 1944-70; e o maior de meados da década de 1980 até o final do século XX.

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A construção do homo alienatis

Autor: Eleutério F. S. Prado[1]

Neste artigo, pretende-se fazer um comentário crítico à famosa tese de Jacques Lacan que se encontra no texto O estádio do espelho como formador da função do eu tal como é revelada na experiência psicanalítica, dado a conhecer em comunicação feita ao XVI Congresso Internacional de psicanálise, em Zurique, aos 17 de julho de 1949. Nesse escrito, o psicanalista francês se esforça para mostrar como ocorre o primeiro momento da formação do eu, aquele em que se dá supostamente o reconhecimento de si mesmo pelo infante como um corpo uno e, assim, distinto de outros corpos e das coisas do ambiente.  

O teor da crítica já está evidentemente anunciado pelo título: a experiência psicanalítica visa o indivíduo – antes de tudo na família – e tende a construir uma antropologia fundante. Aquela engendrada pela mente criativa de Jacques Lacan – julga-se – deve ficar conhecida pelo nome aqui proposto: homo alienatis. O que se segue não se baseia, entretanto, nesse tipo de experiência, porque está escrito na perspectiva da crítica da economia política.

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Há uma crise estrutural na China?

Autor: Eleutério F. S. Prado [1]

Este artigo é simplesmente uma compilação de informações, argumentos e teses de dois outros autores. O seu objetivo é tentar caminhar no sentido de encontrar uma resposta para a pergunta posta no título. Ele começa com uma longa citação de uma postagem de Michael Roberts sobre o segundo encontro da International Initiative for the Promotion of Political Economy (IIPPE), realizado em Madrid, entre 6 e 8 de setembro de 2023. Todas as citações longas estão em itálico. As parcas observações do autor estão em letra normal.

Na conferência principal do IIPPE houve boas apresentações sobre a China. Uma delas foi feita por Prof Dic Lo sob o título A Economia Política da “Nova Normalidade” [2]. Em sua apresentação, ele tratou de uma questão fundamental colocada nos meios de comunicação ocidentais, a saber, sobre a natureza da desaceleração do crescimento da economia capitalista na China. Será permanente ou, pior ainda, produzirá um retrocesso dramático?

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Choque de impérios: uma conversa com Ho-Fung Hung

Author: Hong Zhang[1] e Ho-fung Hung[2] – Global China Impulse – 11/07/2022

A ascensão da “China Global” é resultado da globalização econômica nas últimas décadas, que foi sustentada por uma relação geralmente positiva entre a China e os Estados Unidos. Desde o momento decisivo da entrada da China na Organização Mundial do Comércio (OMC), em 2001, as economias chinesa e norte-americana tornaram-se cada vez mais interdependentes. Ora, isso era motivo de costumeiro otimismo na gestão dos vários conflitos que surgiram entre os dois países. No entanto, essa convergência foi posta em causa na sequência dos anos tumultuados em que a administração Trump procurou corrigir o desequilíbrio comercial com a China, bem como devido à nova pandemia da Covid-19.

Em seu livro, Clash of empires: from ‘chimerica’ to the ‘new cold war’ (Cambridge University Press, 2022), Ho-fung Hung oferece uma análise da mudança na relação EUA-China e uma crítica da economia política global. Desafiando os argumentos ideológicos, Hung afirma que a integração da China na economia global facilitada pelos Estados Unidos, ocorrida nas décadas de 1990 e 2000, foi impulsionada principalmente pelos seus próprios interesses corporativos, os quais procuravam se beneficiar do acesso ao mercado chinês e à mão-de-obra barata chineses.

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A China está em apuro – ou não?

Nathan Sperber – Sidecar – 8/09/2023

O economista ganhador do Prêmio Nobel Paul Krugman não mede as palavras para falar da economia capitalista na China:

Os sinais são agora inequívocos: a China está em grandes apuros. Não estamos falando de algum pequeno contratempo no caminho, mas de algo mais fundamental. Toda a forma de fazer negócios do país, o sistema econômico que impulsionou três décadas de crescimento incrível, atingiu os seus limites. Poderíamos dizer que o modelo chinês está prestes a atingir a sua Grande Muralha e a única questão agora é quão grave será a queda.

Esse relato, entretanto, não é de hoje, mas se refere ao que ocorreu no verão de 2013. O PIB da China cresceu 7,8% nesse ano “fatídico”. Na década seguinte, a sua economia expandiu-se 70 por cento em termos reais, em comparação com 21 por cento para os Estados Unidos. A China não teve uma recessão neste século – por convenção, dois trimestres consecutivos de crescimento negativo – e muito menos um “crash”. No entanto, de tempos em tempos, os meios de comunicação financeiros anglófonos e o seu rastro de investidores, analistas e grupos de reflexão são dominados pela crença de que a economia chinesa está prestes a entrar em colapso.

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China: investimento ou consumo?

Autor: Michael Roberts – The next recession blog – 08/2023

No segundo trimestre de 2023, a economia chinesa se expandiu em relação ao mesmo trimestre do ano anterior: cresceu 0,8% quando havia caído -1,9%. Parece forte, mas o crescimento trimestral foi de apenas 0,8%, havendo, pois, se desacelerado acentuadamente em relação aos 2,2% do primeiro trimestre de 2023.

Segundo uma medida confiável da atividade econômica, o PMI da China (índice de atividade econômica do Project Management Institute) de julho de 2023 caiu para 51,1, face a 52,3 no mês anterior (50 é o limiar entre a expansão e da contração). Este foi o valor mais baixo observado entre dezembro de 2022 e julho de 2023. A atividade fabril na China contraiu-se pelo quarto mês consecutivo.

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