O fim incontornável de uma teoria

Autores: Jorge Nóvoa [1] e Eleutério F. S. Prado [2]

Uma ideia luminosa

Sim, parecia uma teoria inovadora quando surgiu no artigo Em busca de uma teoria do valor-atenção [3], o qual foi publicado não faz muito tempo na grande rede de informação e comunicação em que tudo parece morrer de modo bem rápido e, igualmente, durar para sempre; contudo, não demorou muito, para que essa teoria recebesse algumas críticas, as quais ofuscaram o seu brilho e empanaram a pretensão que a engendrara. [4] Isso pressionou o seu autor, Marcos Barbosa de Oliveira, a tentar esquecer que a formulara. E o fez num novo artigo que denominou Considerações sobre a economia da atenção.[5]

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Quem está vencendo a guerra comercial iniciada por Trump?

Ben Norton [1] – Blog do Substack – 02/11/2025

A economia dos EUA é vulnerável e muito mais dependente da China do que vice-versa. A prova disso é a trégua na guerra comercial de um ano que Donald Trump estabeleceu em sua reunião com o presidente Xi Jinping. Eis que Trump, como ficará demonstrado nessa postagem, está claramente perdendo a guerra comercial com a China

Trump realizou uma importante reunião com o presidente da China, Xi Jinping, na cidade sul-coreana de Busan, em 30 de outubro. Lá, eles chegaram a um novo acordo, que equivalia a uma trégua de um ano. O governo dos EUA concordou em suspender a maioria das medidas punitivas que havia imposto à China desde abril de 2025, essencialmente trazendo a situação de volta ao que era em janeiro, quando Trump assumiu o cargo para seu segundo mandato.

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Gerar informação gera mais-valor?

Autor: Eleutério F. S. Prado [1]

Introdução

Uma escrita enigmática, às vezes, costuma medrar no campo lacaniano. Os psicanalistas que aí lavram apreciam aparecer como defensores do esclarecimento; contudo, não deixam de se expressar por meio de um discurso de difícil acesso, recheado às vezes com fórmulas herméticas.

Aqui se vai comentar um tópico específico de um escrito de Jorge Alemán que prima pelo esforço de ser acessível e claro nos limites do possível. Contrariando a tendência obscurantista aludida, combina psicanálise e sociologia marxista para pensar o advento das “novas extremas-direitas” no capitalismo contemporâneo.  Para começar, cita-se um trecho de uma seção de seu livro recém-publicado[2] que ele achou por bem denominar de “mais-valia informacional e democracia refém”:

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“E Marx não conheceu a internet…”

Jorge Novoa [1] e Eleutério F. S. Prado [2]

Crítica ou alavanca?

Que não se assustem os eventuais leitores! A frase inesperada, que aparece aqui como título da presente nota – e que encerra um anacronismo espantoso –, encontra-se num artigo de Marcos Dantas. Com mais precisão, ela está presente em seu escrito, Uma mercadoria ‘sui generis[3], o qual foi publicado aqui no portal A terra é redonda. Por meio dele, esse autor buscou entrar numa pequena, mas necessária, controvérsia.  

Apareceu aí com o objetivo aparente de criticar outro artigo, Crítica da teoria do valor atenção,[4] que fora publicado nesse mesmo portal, assinalando os equívocos do protoprojeto teórico anunciado no escrito Em busca de uma teoria do valor-atenção. [5]  Aí tão somente se dedicou algum esforço para corrigir um erro crasso, mas muito difundido, sobre uma suposta formação de valor econômico na esfera da comunicação.

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A bolha de IA e a economia dos EUA

Autor: Michael Roberts

The next recession blog – 14 de outubro de 2025

O mercado de ações dos EUA continua a atingir novos recordes (vide gráfico); o preço do bitcoin também está alcançando níveis máximos e o preço do ouro disparou em relação aos seus valores históricos.

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Ouro: o que está por trás do boom?

Michael Roberts – The next recession blog – 9/10/ 2025

Esta semana, o preço do ouro em dólares americanos atingiu US $ 4.000 por onça-troy (que equivale a 24,3 gramas de ouro). Esta é uma alta histórica (pelo menos em dólares nominais). Mas mesmo essa alta parece destinada a ser superada. O banco de investimento Goldman Sachs prevê que chegará a um valor de US $ 4.900 por onça-troy até o final do ano. Note-se que preço do ouro em outras moedas importantes também tem se elevado.

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Quid est tuum, “trumponomics”?

Autor: Eleutério F. S. Prado [1]

Três opiniões

É bem difícil saber exatamente. Em geral, os economistas do sistema, mesmo os neoliberais, assim como aqueles que se situam fora desse campo, acham que as políticas de Donald Trump prejudicam a economia norte-americana no curto e no longo prazo.  Eis, por exemplo, a opinião de Nouriel Roubini que vê efeitos danosos dessa política, apesar de prever que ela não vai contrariar um destino promissor que estaria reservado para a economia capitalista que “prospera” nesse país:

Embora não haja dúvida de que a agenda econômica de Donald Trump seja potencialmente estagflacionária, estão se desenvolvendo nos Estados Unidos algumas das inovações tecnológicas mais importantes da história da humanidade. Isso trará benefícios que superam em muito os custos das atuais políticas comerciais, assim como de outras políticas imprudentes.[2]

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Argentina em crise: a motoserra quebrou

Autor: Michael Roberts

The next recession blog – 29 de setembro de 2025

Na semana passada, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, ofereceu uma linha de swap de US $ 20 bilhões ao governo de Javier Milei. Prometeu comprar títulos da Argentina, já que o governo Trump tem a pretensão de fortalecer o seu aliado ideológico. As medidas interromperam temporariamente uma forte queda nos mercados argentinos de câmbio, de ações e de títulos. Essa derrocada fora desencadeada pelo rápido esgotamento das reservas estrangeiras do país; uma corrida ao dólar passou a ocorrer porque o governo Milei vinha mantendo o peso cada vez mais supervalorizado para conter a volta da inflação.

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Criptoativos, tokens e dominio global

Autora: Hélène Rey [1]

Inovações tecnológicas estão em vias de sacudir o sistema monetário e financeiro internacional. Como isso vai acontecer, dependerá de quem definirá os padrões a serem adotados, o setor público ou o setor privado. Também serão importantes as regulamentações, a cooperação internacional e a resiliência das novas tecnologias aos riscos cibernéticos. Os efeitos que terão sobre os fluxos de capital são difíceis de avaliar, mas já se sabe que terão impactos significativos nas contas fiscais, na fragmentação geoeconômica, na volatilidade da taxa de câmbio e no grau de internacionalização das principais moedas.

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Crítica da “teoria” do valor-atenção

Autores: Jorge Nóvoa [1] e Eleutério F. S. Prado [2]

Ao misturar a esfera da circulação com a da produção, a tese do valor-atenção comete um erro categorial: transforma o efeito (a atenção do consumidor) em causa (fonte de valor). Ignora-se, assim, que o consumo, por mais induzido que seja, apenas realiza o valor criado no processo produtivo

1.

Há uma nova teoria do valor circulando difusamente no campo da economia política. Mas ela tomou forma no teclado manipulado por Marcos Barbosa de Oliveira, professor da USP, por meio do artigo “Em Busca de uma Teoria do Valor-Atenção”.[i] Eis como ele a apresenta sem receio de que sua bomba se transfore num traque: “Na teoria marxista do valor-trabalho, o valor de uma mercadoria é, grosso modo, proporcional ao trabalho gasto em sua produção. No domínio das redes sociais, no lugar do trabalho, vigora a atenção. Sendo assim, faz sentido a ideia de uma teoria marxista do valor-atenção”.

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