A ideologia do capital posto em plataformas

Autor: Eleutério F. S. Prado [1]

Nesse artigo pretende-se examinar criticamente a tese sobre o atual desenvolvimento e sobre o futuro do capitalismo, apresentada por Peter Thiel em seu livro De zero a um.[2] Formado em Filosofia e Direito e grande investidor em tecnologias digitais, esse intelectual engajado previu nele que o futuro desse sistema econômico, baseado que está na relação de capital, será formidável.

Além de ter se tornado um controvertido bilionário que milita como empresário no Vale do Silício, esse autor é conhecido por apoiar a criação de “cidades de liberdade”. Nelas – imagina ele – o capitalismo é extremado e se desvencilha do Estado e da política, mas não evidentemente da polícia. Eis que a segurança em tais cidades será feita por robôs munidos de inteligência artificial, os quais terão a função de expulsar ou eliminar os intrusos e os indesejados.  

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Desenvolvimento (pouco) com dívida insustentável

Autor: Michael Roberts – The next recession blog – 30/06/2025

Os líderes mundiais se reúniram em Sevilha, Espanha, para uma cúpula de ajuda da ONU para países em desenvolvimento. Esta foi a Quarta Conferência Internacional sobre Financiamento para o Desenvolvimento.  Pelo menos 50 líderes mundiais, incluindo o presidente francês Macron, a chefe da UE von der Leyen e o chefe da ONU Andrés Guterres estarão lá.  A conferência deve aumentar o apoio ao desenvolvimento global, os chamados objetivos de desenvolvimento sustentável estabelecidos décadas atrás pela ONU, com o objetivo de tirar os países pobres e seus povos da pobreza.

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Jardim, enxame, fábrica

Autor: Quinn Slobodian [1]08/06/2025

Os pólipos confundiram os teóricos políticos do século XVIII. As criaturas que coletivamente compõem os recifes de coral atuavam de um modo que desafiava as expectativas relativas ao desígnio divino e à hierarquia estabelecida do reino animal. Como esses organismos tão inferiores poderiam criar estruturas tão enormes, as quais pareciam ser o produto especial de uma única mente?

 Como criaturas microscópicas poderiam entravar a rota dos navios que se moviam por meio das forças mais poderosas da Terra, quebrando seus cascos e os forçando a contornar as metrópoles de pólipos que se elevavam como ilhas? Não é surpreendente que o antropólogo e anarquista James C. Scott tenha feito, mais tarde, uma analogia entre pólipos e camponeses. “Assim como milhões de pólipos antozoários criam, voluntária ou involuntariamente, um recife de coral”, escreveu ele, “milhares e milhares de atos individuais de insubordinação e evasão criam também seu próprio recife político ou econômico”.

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Geopolítica da guerra contra o Irã (III)

Ben Norton [1] e Michael Hudson [2]

Entrevista

Ben Norton: Michael, obrigado por se juntar a mim. É sempre um verdadeiro prazer ter você como entrevistado.

Vamos falar sobre este artigo que você escreveu, no qual você argumenta que a guerra contra o Irã é parte de uma tentativa dos Estados Unidos de impor sua hegemonia unipolar ao mundo.

Vemos que estamos vivendo cada vez mais em um mundo multipolar. E o Irã, nesse mundo, tem desempenhado um papel importante como membro do BRICS, como membro da Organização de Cooperação de Xangai e como parceiro da China e da Rússia. O Irã também tem procurado contribuir para a desdolarização do sistema financeiro global.

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Geopolítica da guerra contra o Irã (II)

Autores: Ben Norton [1] e e Michael Hudson [2]


Por que os Estados Unidos estão tão preocupados com o Irã?

O presidente dos EUA, Donald Trump, admitiu que Washington quer uma mudança de regime em Teerã, que deseja derrubar o governo iraniano. Trump apoiou uma guerra contra o Irã em junho, na qual os EUA e Israel bombardearam diretamente o território iraniano.

Trump afirmou que negociou um cessar-fogo após 12 dias. Aliás, ele chama de Guerra dos 12 Dias a que os EUA e Israel travaram contra o Irã. Mas é muito difícil acreditar que esse cessar-fogo seja mantido.

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Geopolítica da guerra contra o Irã (I)

Autor: Michael Hudson [1] – Couterpunch – 23/06/2025

A lógica neoconservadora

 Os opositores da guerra com o Irã dizem que a guerra não é do interesse americano, visto que o Irã não representa nenhuma ameaça visível para os Estados Unidos. Esse apelo à razão não apreende a lógica neoconservadora que vem guiando a política externa dos EUA por mais de meio século e que agora ameaçou engolir o Oriente Médio na guerra mais violenta desde a Coréia.

Essa lógica é tão agressiva, tão repugnante para a maioria das pessoas, tão violadora dos princípios básicos do direito internacional, das Nações Unidas e da Constituição dos EUA, que subsiste uma timidez compreensível dos donos dessa estratégia para explicar o que está em jogo. Contudo, ela aponta para a necessidade de derrotar o Irã e dividi-lo em regiões étnicas distintas.

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O povo do capital (II)

Autor: Quinn Slobodian

O ópio social e o animal humano

Charles Murray expandiu esse tema em um artigo que circulou na reunião da Sociedade Mont Pelerin em Cancún, México, em 1996. Eis o que então disse: já que “uma reforma liberal radical… agora parece potencialmente ao alcance nos Estados Unidos”, os neoliberais precisavam pensar sobre o seguinte ponto: “como um estado liberal pode lidar com o sofrimento humano que persiste depois que as políticas liberais passam a vigorar”.

Murray estava sem dúvida bem ciente do processo enormemente perturbador que estava sendo desencadeado pela terapia de choque econômico na Rússia pós-soviética. Por isso, em seu escrito, ele citou com aprovação a analogia de Herbert Spencer da sociedade a um ser humano viciado em drogas: “a transição da beneficência estatal para uma condição saudável de autoajuda e beneficência privada deve ser vista como uma transição de uma vida comedora de ópio para uma vida normal – dolorosa, mas corretiva. “

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O euro pode obter o “privilégio exorbitante”?

Autor: Peter Bofinger [1]Social Europe – 10/06/2025

Christine Lagarde busca um papel internacional maior para o euro; contudo, a realidade econômica da Europa, que é multifacetada, apresenta um desafio complexo. Trata-se, pois, de uma tentativa arriscada para obter um “privilégio exorbitante” tal como é detido hoje pelo dólar.

Em um discurso recente, a presidente Christine Lagarde, do Banco Central Europeu (BCE), articulou um desejo claro de que o euro desempenhe um papel mais significativo como moeda internacional. Argumentou que isso poderia trazer benefícios substanciais para a área do euro. Eis, em síntese, o que ela disse:

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Trump não vai matar o boom

Autor : Nouriel Roubini [1] – Social Europe/Project Syndicate – 16 de maio de 2025

A economia dos EUA vai crescer apesar das artes de Trump. Eis que os mercados, as inovações e a inteligência artificial (IA) estão superando o caos produzido por ele – ademais, elas estão empurrando os Estados Unidos para um crescimento de 4%, com recessão imediata ou não.

Em dezembro passado, argumentei que,  embora algumas das políticas do presidente dos EUA, Donald Trump, fossem estagflacionárias (reduzindo o crescimento e aumentando a inflação), esses efeitos seriam mitigados por quatro fatores: a disciplina de mercado, a independência do banco central dos EUA (Federal Reserve), os próprios conselheiros do presidente e a pequena maioria republicana no Congresso.

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Matando o futuro da civilização

Autor: Paul Krugman – Blog do Substack – 14 de maio de 2025

Podemos estar perdendo nossa última e melhor chance de pôr limites nas mudanças climáticas

No último dia 12 de maio, os republicanos da Câmara divulgaram as partes finais de sua proposta de lei tributária e orçamentária – trata-se, para quem leu, de material para pesadelos. Como documenta Bobby Kogan, do Center for American Progress, o projeto de lei imporia os enormes cortes no Medicaid e no SNAP (Supplemental Nutrition Assistance Program) – que substituiu o antigo programa anteriormente conhecido como vale-refeição –, os maiores da história. Milhões de americanos de baixa renda perderiam a cobertura de saúde; milhões passariam fome. E muitos dos que sofreriam mais seriam as crianças das mais famílias pobres.

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