A política econômica do nacional-socialismo

Romaric Godin [1] – Sin Permiso [2] – 17/01/2026

Em um texto recentemente traduzido para o francês, o filósofo alemão Alfred Sohn-Rethel descreve o mecanismo pelo qual os nazistas, aproveitando-se da crise econômica, implantaram um tipo particular de economia que inevitavelmente levou à guerra e à violência. O escrito que se segue permite entender a lógica suicidária da economia fascista.

O livro de Sohn-Rethel

A ascensão da extrema-direita no Ocidente necessariamente nos leva a examinar as condições que levaram à vitória do fascismo na década de 1930. Sob esse ponto de vista, uma obra recentemente republicada em francês sob o título Industrie et national-socialisme, faz uma contribuição original e decisiva para uma boa compreensão da ascensão ao poder do nazismo na Alemanha, em 1933.

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Eis como o G7 se desindustrilizou

Richard Baldwin [2] – 01/09/2026

Introdução

Talvez o evento mais importante da história econômica moderna tenha sido a industrialização dos países do G7 e sua ascensão ao domínio da economia mundial. Sete gráficos mostram como a velha dominância industrial foi perdida [1]

Durante os séculos XIX e XX, as economias do G7 se industrializaram de forma rápida, crescendo mais rápido do que a média global. Isso fez com que passassem a gerar cerca de dois terços da produção manufatureira e do PIB globais, apesar de conterem apenas 13% da população mundial (5,2 bilhões). Assim, apenas um terço da renda mundial era distribuída entre os outros 4,5 bilhões restantes, habitantes do planeta.

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A nova riqueza “do” Imperador

Paul Krugman – Blog do autor no Substack – 7/01/2026

Óleo no Cinturão do Orinoco

Quando George W. Bush invadiu o Iraque em 2003, ele afirmou que o objetivo era estabelecer um regime democrático. Membros de sua administração podem até ter acreditado nisso, mas muitos críticos de esquerda insistiam que tudo girava em torno de tomar o petróleo do Iraque.

Embora eu fosse um opositor declarado daquela guerra e profundamente cético em relação às motivações do governo Bush, nunca acreditei na história de que aquela “guerra era pelo petróleo”. A principal motivação para aquela guerra, ainda acredito, foi sacudir o imaginário popular — usar uma vitória militar vistosa para garantir a reeleição do então presidente dos Estados Unidos. Segundo alguns cientistas políticos, esse foi um objetivo que a guerra, de fato, alcançou.

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Criptoativos, tokens e dominio global

Autora: Hélène Rey [1]

Inovações tecnológicas estão em vias de sacudir o sistema monetário e financeiro internacional. Como isso vai acontecer, dependerá de quem definirá os padrões a serem adotados, o setor público ou o setor privado. Também serão importantes as regulamentações, a cooperação internacional e a resiliência das novas tecnologias aos riscos cibernéticos. Os efeitos que terão sobre os fluxos de capital são difíceis de avaliar, mas já se sabe que terão impactos significativos nas contas fiscais, na fragmentação geoeconômica, na volatilidade da taxa de câmbio e no grau de internacionalização das principais moedas.

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Uma análise da estagnação das economias europeias

Autores: Ozan Mutlu [1] e Lefteris Tsoufidis [2]

Introdução

Este estudo tem como objetivo medir empiricamente as principais variáveis consideradas pela economia política clássica e marxista em países europeus — França, Alemanha e Reino Unido[3] — abrangendo o período 1995-2023. Ao fazê-lo, procura explicar as causas do fraco desempenho do crescimento desde a grande recessão de 2008-2009.

Como essas economias são significativas na economia global, examinar as suas trajetórias é essencial não apenas para entender, em particular, as suas atuais situações econômica, mas também para apreender as suas tendências globais mais amplas. Eis que o resto do mundo, com exceções, experimentou também um crescimento fraco desde 2007. As projeções para os próximos anos, de acordo como o FMI, continuam apontando para tendências de lentidão.  

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Armadilha do dólar ou Império por convite?

A economia política global do sistema do dólar é uma prisão da qual os outros países querem sair ou uma gaiola dourada em que muitos países querem permancer?

Adam Tooze – Fonte: blog do autor – 20/07/2025

Se alguém quisesse construir um cenário prejudicial às pretensões americanas de liderar o mundo economicamente, ele teria de parecer com o que está sendo construído pelo governo Trump.

Eis que ele está reforçando a sensação de longa data de que a posição do dólar americano como moeda de reserva mundial e principal moeda do comércio internacional se tornou anacrônica; na verdade, o seu predomínio está em franco desacordo com a diminuição da importância dos Estados Unidos na economia mundial.

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Alcançando ou ficando para trás

Autor: Eleutério F. S. Prado [1]

Introdução

O termo ‘desenvolvimento’ designa um processo que se inicia num passado distante, que tem certas leis tendenciais e que se projeta num futuro com algum grau de indeterminação. Contudo, os economistas não o usam desse modo; diferentemente, eles põem os países do mundo em dois estados distintos: ou eles são desenvolvidos ou estão ainda em desenvolvimento.

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Para onde vai a China?

Subtítulo: “Da qualidade à quantidade”: como ver o desenvolvimento histórico da China para além do véu da macroeconomia.

Autor: Adam Tooze [1] – Sin Permiso [2] – 28/06/2025

Introdução

No ambiente econômico global, existem poucos fatores mais importantes do que a situação e as perspectivas futuras da economia chinesa. Em termos de paridade de poder de compra, é a maior economia do mundo, com uma participação de 20% do PIB global. Medida em termos de taxas de câmbio atuais, o PIB da China perde apenas para os Estados Unidos.

A China influencia a economia mundial, primeiro, porque é um enorme mercado para exportações de outros países; em segundo lugar, porque é um centro dinâmico de exportações.

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BRICS versus EUA: energia e desenvolvimento

A competiçãoentre o BRICS e os EUA envolve dois sistemas energético e dois modelos de desenvolvimento; eles competem pela primazia não apenas no Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, mas em todo o mundo

Autores: Kate Mackenzie e Tim Sahay [1]

Uma revolução tecnológica global está em andamento, com a China no comando. Os líderes da China chamam isso de mobilização de “novas forças produtivas qualitativas”, referindo-se a “grandes mudanças não vistas em um século.” No Ocidente, em que o crescimento tem se tornado cada vez mais lento, cada avanço que ganha as manchetes é lido como outro “momento Sputnik”.

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Fim do privilégio exorbitante da América?

Destruindo a fé dos mercados no dólar

Desmond Lachman [1]Project Syndicate7 de julho de 2025

Desde seu retorno ao cargo, o presidente dos EUA, Donald Trump, vem destruindo sistematicamente a fé nos mercados, no dólar e na economia dos EUA. Se ele se recusar a atender à essas advertências, como parece provável, os EUA devem se preparar para uma crise do dólar e do mercado de títulos no período que antecede as eleições de meio de mandato do próximo ano.

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