Avatar de Desconhecido

Sobre Eleutério F S Prado

Professor da Universidade de São Paulo Área de pesquisa: Economia e Complexidade

Nossas vidas em seus portfólios

Resenha do livro Our Lives in Their Portfolios: Why Asset Managers Own the World (London: Verso Books, 2023. 320 pp.) de Brett Christophers. O escrito dos dois autores abaixo indicados foi publicado originalmente em Marx & Philosophy – Review of Books em 24 de abril de 2024.

Autores: Thomas Klikauer [1] e Thu Nguyen [2]

Desde a crise financeira global, os grandes bancos ficaram em segundo plano e os gestores de ativos se tornaram – tal como eles próprias costumam se autodenominar – os novos especialistas e administradores do capitalismo. Contudo, eles, como um todo, também possuem ativos globais de habitação e infraestrutura além dos ativos propriamente financeiros.

Continuar lendo

Ordocapitalismo e anarcocapitalismo

Autor: Eleutério F. S. Prado[1]

Introdução

Neste artigo faz-se um esforço para compreender essas duas formas extremas – e extremistas – de capitalismo, as quais contrariam o curso normal do capitalismo (liberal ou socialdemocrático). Elas assomam na história quando o capital enfrenta crises que não consegue superar por meio do mero funcionamento mercantil – quedas ou aumentos da produção, expansão e contração os mercados, destruição e criação de capital. De modo preliminar, indica-se aqui que a primeira forma mencionada apareceu com os fascismos históricos e que a segunda tem se manifestado por meio dos extremismos neoliberais, que estão prosperando em várias partes do mundo.

Continuar lendo

Orwell e novo nomal na Europa

Autor: Jan Zielonka [1] – 07/01/2024 – Social Europe

O partido de extrema-direita de Marine Le Pen venceu o primeiro turno eleitoral na França. Bem-vindo a uma Europa que Orwell teria reconhecido. Eis que  agora prevalece uma ‘novilíngua’ que está sendo falada no ministério da verdade dos novos governantes, tal como  em 1984 de Orwell

Uma imagem de George Orwell está circulando nas redes sociais. Ele está lendo um livro, intitulado 2024, e parece chocado, se não apavorado. A situação é realmente tão ruim? O escrito 1984 de Orwell, publicados pela primeira vez em 1949, podem ser um guia para os dias de hoje?

Continuar lendo

Abismo climático e capitalismo

Autor: Marcos Lopes – IHU – 13/06/2024

“Kohei Saito nos convida a olhar para o abismo contemporâneo que enfrentamos como espécie, ou seja, o da crise ecológica, e insta-nos a repensar as nossas crenças, práticas e valores. O desenho de uma alternativa de sociedade exige que reconsideremos a nossa relação com a natureza e imaginemos uma economia cujo desenvolvimento obedeça a outros indicadores de bem-estar”

É o que screve Marcos López, mestre em Antropologia Social pela École des Hautes Études en Sciences Sociales, França, em artigo publicado por Jugo, 07-06-2024. A tradução é do Cepat. Eis o artigo.

Em seu livro Capital na era do Antropoceno, o pesquisador japonês Kohei Saito nos convida a pensar uma nova forma de organizar a sociedade através do que chama de “comunismo decrescentista”. Saito (Tóquio, 1987) é doutor em Filosofia pela Universidade Humboldt e, há vários anos, estuda os textos de Karl Marx sobre a relação entre capitalismo e natureza. Seu trabalho foi reconhecido com o Deutscher Memorial Prize, um prêmio que tem sido atribuído a grandes pesquisadores como Eric Hobsbawm, David Harvey, Terry Eagleton, entre outros.

Continuar lendo

Uma política econômica “segura” para a Grã-Bretanha

Autor: Michael Roberts – The next recession blog – 07/08/2024

Já existiu uma “abeconomia” no Japão; uma “modieconomia” na Índia e mesmo uma “bideconomia” nos EUA.  Agora temos uma politica econômica  “segura” (seguronomics) para a Grã-Bretanha. Esta pode parecer uma expressão elegante para apresentar os fundamentos da política econômica do novo governo trabalhista do Reino Unido – tal como foram expostos por sua nova ministra das finanças (chamada curiosamente de chanceler do tesouro) da Grã-Bretanha, Rachel Reeves, que já foi economista do Banco da Inglaterra.

Quando Reeves esteve em Washington, antes das recentes eleições no Reino Unido, ela disse ao público que “a globalização, tal como a conhecíamos, está morta”.  E ela estava certa.  O grande boom do comércio mundial desde a década de 1990 parou bruscamente após a Grande Recessão de 2008-9 e, desde então, o comércio mundial basicamente estagnou. Ora, essa tendência se expressou também no Reino Unido, pois agora ele tem o maior déficit comercial de sua história.  E não se trata apenas comércio.

Continuar lendo

Universidades como fábricas

Autor: Eleutério F. S. Prado[1]

Faz-se aqui uma introdução a um pequeno e certeiro artigo de Branko Milanovic[2] que foi publicado no portal Sin permiso em 05/05/2024, com esse mesmo título. Eis o que constata: sob a hegemonia do neoliberalismo, vem ocorrendo uma subjugação franca e brutal de todas as relações sociais às relações de mercado, inclusive as que se dão em uma universidade.

Apresenta-se em sequência, uma tradução do seu escrito que fala do comportamento repressivo das autoridades universitárias diante do levante de grupos de estudantes nos Estados Unidos em favor da causa palestina. Ao fim de sua acusação – ela diz que as universidades estão sendo administradas como fábricas – segue-se um comentário que visa mostrar que esse tipo de “governança” é imanente ao neoliberalismo, ora hegemônico. Veja-se, portanto, de início, o que ele próprio escreveu em seu blogue:

Continuar lendo

O capitalismo britânico está estagnado

Autor: Michel Roberts – The next recession blog – 04/07/2024

Os cidadãos do Reino Unido votaram em uma eleição geral em 4 de julho de 2024.  As pesquisas de opinião atualmente preveem que o Partido Conservador, após 14 anos no governo, será fortemente derrotado.  Espera-se que o Partido Trabalhista, de oposição, ganhe uma maioria de mais de 250 assentos. Trata-se de um deslizamento de terra recorde, pois os conservadores obterão menos de 100 assentos.

Mas antes da eleição, 75% dos britânicos mostraram que têm uma visão negativa da política na Grã-Bretanha.  Eis que os partidos Trabalhista e Conservador devem registrar uma menor parcela combinada de votos em um século.  Em vez disso, partidos menores como a Reforma, os Liberais Democratas e os Verdes fizeram avanços.

Continuar lendo

A direita populista na Europa

Jon Bloomfield[1] e David Edgar[2] – Europa Social – 2/07/2024

A narrativa nacional-populista da extrema-direita ainda não foi contestada – apesar de sua total incoerência.

A líder nacional do Reunião (Rassemblement), Marine Le Pen, na convenção de extrema direita em Madri, ocorrida em maio de 2024 – mostrou de modo bem patente que a sua “prioridade nacional” estatista contradizia o libertarismo econômico do presidente argentino, Javier Milei. Mas eles estavam de “mãos dadas”, extranhamente juntos.

Continuar lendo

O impacto da IA na sociedade

Autor: Michael Roberts – The next recession blog – 6/06/2024

Abordei já a questão do impacto da inteligência artificial (IA), assim como dos novos modelos inteligentes de aprendizagem, tais como o Copilot, o ChatGPT etc., nos empregos e na produtividade do trabalho.

A previsão padrão sobre os efeitos da IA veio dos economistas do Goldman Sachs, o principal banco de investimentos dos Estados Unidos.  Eles avaliaram que, se a tecnologia cumprisse sua promessa, ela traria um “abalo significativo” no mercado de trabalho, pois afetaria o equivalente a 300 milhões de trabalhadores em tempo integral nas principais economias, já que exporia à automação os seus empregos.

Advogados e pessoal administrativo estariam entre os que correm maior risco de serem demitidos (assim como, provavelmente, os economistas!). Eles calcularam que cerca de dois terços dos empregos nos EUA e na Europa são passíveis em algum grau de serem automatizados por meio de IA. Chegaram a tal conclusão com base em dados sobre as tarefas normalmente executadas em milhares de ocupações. 

Continuar lendo

Esquerda além da resistência

Autor: Rodrigo Santaella [1] – IHU – 11/06/2024

Não basta enfrentar ameaças o extremismo de direita; é preciso voltar a se orientar para o futuro: “A agência coletiva parece relegada ao segundo plano em nome de prognósticos e diagnósticos acerca do desenvolvimento tecnológico propriamente dito”, constata o cientista político

Se, por um lado, o aceleracionismo de esquerda tem riscos e limites ao depositar sua confiança no desenvolvimento tecnológico para garantir avanços e transformações sociais, por outro, esta corrente teórico-política tem o “mérito” de “chacoalhar” a esquerda tradicional, “resignada, acomodada, ordeira, ou seja, uma esquerda que se adequou à ordem e desistiu de qualquer tipo de imaginação política e, no limite, concebeu a ideia de que a sua única tarefa possível é administrar o capitalismo”, resume Rodrigo Santaella na apresentação das principais ideias que marcam o pensamento conhecido como aceleracionismo de esquerda.

Continuar lendo