A austeridade não se justifica nem teórica nem empiricamente

Neste post apresentamos uma nota curta de Robert Skidelsky, famoso historiador e economista que escreveu uma enorme e detalhada biografia de John M. Keynes, em três volumes. Nesse escrito, ele busca refutar a pretensão de cientificidade da teoria econômica que tenta promover a política de austeridade.

E o faz com extrema competência e simplicidade. A sua argumentação – é importante enfatizar – desenvolve inteiramente no campo da teoria econômica e da econometria. O seu argumento é que os defensores da austeridade – especialmente Alberto Alesina – vale-se de uma relação entre as taxas de crescimento e as variações do déficit público num certo conjunto de países para justificar a sua tese de que austeridade gera imediato crescimento. Mas, na verdade e de modo vulgar, toma uma correlação como se fosse uma relação de causalidade.

Neste blog já foi publicado um outro texto de John Milios que, entretanto, afirma a racionalidade da política de austeridade (em 14/11/2015). Segundo ele, austeridade é o modo por meio do qual é reforçada a disciplina do capital nas economias capitalistas contemporâneas. Ao implementá-la como política de Estado, visa-se, em última análise, a recuperação da lucratividade possível das empresas capitalistas. Mas os seus resultados podem ser ruins do ponto de vista macroeconômico, além de serem catastróficos para a grande maioria da população trabalhadora.

A nota crítica está aqui: A austeridade não se justifica nem teórica nem empiricamente

Alçando está? Ou está ficando para trás?

As teorias do desenvolvimento criadas no pós-II Guerra Mundial pressupunham que os países ditos subdesenvolvidos poderiam, por meio de políticas adequadas, superar essa condição. Conforme se urbanizavam e se industrializavam, eles iriam pouco a pouco alcançando os países ditos desenvolvidos.

Passados mais de setenta anos, a tese da convergência acima enunciada ainda prevalece como um suposto de fundo de boa parte dos teóricos ortodoxos. Ela, entretanto, não é mais defendida explicitamente. Pois, a história real do desenvolvimento econômica dos países do Sul não lhes dá qualquer suporte.

Neste post examina-se a hipótese de Nassif, Feijó e Araújo, segundo a qual o Brasil não está mais alçando (catching up) mas, ao contrário, está ficando para trás (falling behind). Pensando na tradição de Kaldor e Thirwall, esses três autores admitem também que o crescimento econômico do Brasil, provavelmente, continuará simulando o voo das galinhas.

Para acrescentar um viés um pouco mais pessimista à tese desses autores, mostra-se com base num artigo de Alan Freeman que as evidências históricas apontam não para uma convergência, mas para uma divergência. Os países do Sul, sob o capitalismo globalizado, estão ficando cada vez para trás em relação do Norte desenvolvido.

O que fazer? Aceitar o caminho da pobreza e até da barbárie ou reinventar o futuro?

O texto se encontra aqui: Alçando está? Ou está ficando para trás?

Hudson: Guerra Fria 2.0

Excepcionalmente, este blog publica um artigo que não estava previsto num planejamento que é feito pelo autor, mas que está oculto para os leitores. Na verdade, trata-se de uma republicação de uma nota que saiu ontem mesmo no sítio Sinpermiso.

O texto que aqui se ventila foi escrito por Michael Hudson e está disponível, em espanhol, no sítio mencionado e, em inglês, no blog desse autor. Título: As ameaças comerciais de Trump são realmente uma guerra fria 2.0.

A iniciativa faz parte de um esforço para dar uma pequena contribuição para a compreensão do que está acontecendo no mundo. Este blog prefere sempre tratar de temas internos à Economia Política em sentido estrito. Mas, atualmente, o problema geopolítico se apresenta como incontornável.

Como no dia 10 do corrente mês de junho de 2019 foi publicado um artigo de Ashley Smith sobre a guerra híbrida entre os Estados Unidos e a China, pareceu que este que agora se publica constitui-se em um complemento necessário ao primeiro. Ele mostra, sobre outro ângulo, que a rivalidade entre esses dois países tende lamentavelmente a se intensificar.

O texto se encontra aqui: Las amenazas comerciales de Trump son realmente una Guerra Fria 2.0

A rivalidade entre os Estados Unidos e a China vai se intensificar

Talvez o seguinte ponto de vista não seja realista: “A questão que se coloca é até que ponto essas escaramuças entre EUA e China serão o “novo normal” para as relações internacionais, refletindo o estilo agressivo e as preferências protecionistas da administração Trump ou o prelúdio para uma guerra comercial de amplo espectro”.

Pois, não se trata de uma ocorrência simplesmente econômica, mas de algo que marcará a geopolítica e a história mundial nas próximas décadas. Eis que a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China está se transformando numa guerra híbrida que poderá envolver todos os países do mundo, direta ou indiretamente.

Trata-se de um confronto entre um império em relativo declínio e um império em ascensão, mas ainda mais fraco tecnológica e militarmente do que o primeiro.

Este blog, na busca de um melhor esclarecimento, publica hoje uma nota de um observador norte-americano, Ashley Smith, que foi publicado na revista eletrônica Jacobin. A sua tese e que “este conflito crescente entre as duas potências se constituirá na rivalidade central e imperial do século XXI”.

O que fazer diante dela? Smith opta pela luta por um socialismo democrático que não se inspira, nenhum um pouco, nas experiências socialistas fracassadas e totalitárias do século XX. Mesmo se esse socialismo tem nome, mas não tem ainda um conteúdo bem definido: como combinar democracia plena com um sistema de planejamento? – eis a principal questão.

O texto de se encontra aqui: A rivalidade entre os EUA e a China vai se intensificar

Capitalismo progressivo numa época sem futuro

Neste post apresenta-se uma resenha do último livro de Joseph E. Stiglitz, cujo título, traduzido, é Pessoas, poder e lucro – capitalismo progressivo para uma era de descontentamento (People, power, and profits – progressive capitalism for an age of discontent). Como sempre, faz-se isso sem deixar de manter uma atitude crítica.

Segundo esse autor, “capitalismo progressivo” é um novo nome para aquilo que na Europa é conhecido como socialdemocracia e que, atualmente, é chamado de socialismo democrático nos Estados Unidos. É claro que prefere esse novo nome para lembrar que se trata de reformar o capitalismo e não de suprimi-lo.

Stiglitz parte de um diagnóstico: o crescimento econômico tem diminuído nos Estados Unidos e na Europa e a repartição da renda tem se concentrado mais e mais no topo da distribuição. Em consequência, a sociedade de classe média, segundo ele, está sendo destruída nos países desenvolvidos.

O seu projeto de reforma nasce, assim, de um desejo de superar o que pode ser visto como uma catástrofe social em andamento no centro do capitalismo. Eis o que diz ao final:

Nós fizemos nos últimos quarenta anos um experimento com o neoliberalismo. A evidência mostra, sob qualquer medida, que ele falhou. E na medida mais importante – o bem-estar do cidadão comum – ele falhou miseravelmente. Precisamos salvar o capitalismo de si mesmo. Uma agenda de reformas capitalista progressista é a nossa melhor chance.

O texto está aqui: Capitalismo progressivo numa época sem futuro

P. S. Como o futuro da modernidade acabou, será que a humanidade será capaz de construir outro? A proposta de Joseph E. Stiglitz encontra um caminho para renovar o futuro? Ou ela é uma proposta ilusória porque compreende superficialmente o capitalismo?