Pós-grande indústria

Pós-Grande Indústria e Neoliberalismo

O capitalismo está saindo da fase de grande indústria para a fase de pós-grande indústria. Na grande indústria, em O Capital, a matéria por excelência da relação de capital eram os ativos tangíveis (sistemas de máquinas); na pós-grande indústria, conforme o Grundrisse, são os ativos intangíveis (ciência e tecnologia). Então, o capital precisa se apropriar não só do tempo de trabalho vivo, mas também da inteligência coletiva. O neoliberalismo e a mundialização do capital não são pensados aqui, imediatamente, como resultados da dominação do capital financeiro, mas como expressões da contradição entre o capital e o trabalho na pós-grande indústria.

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 Post Large Industry and Neoliberalism

  Capitalism is in transition from the modern industrial phase to the post large industry one. In large industry, as Marx stated in Das Capital, the main material content of the capital relationship was physical assets (systems of machines); in post large industry, this role is taken over by intangible assets (science and technology). Now, as foreseen by Marx in Grundrisse, capital appropriates not only living labor, but general intellect as well. From this point of view, neoliberalism and the internationalization of capital are not seen, immediately, as results of the domination of financial capital, but as expressions of the contradiction between capital and labor in post large industry. 

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Discriminação

A construção das diferenças entre os economistas

Buscamos neste artigo uma explicação para a origem das diferenças entre os economistas e para o modo como elas são construídas. Sugerimos que se trata de uma prática discriminatória ligada à hegemonia americana e ao advento do neoliberalismo, a qual está assentada no modo de emprego da matemática na teoria econômica ortodoxa. Apresentamos uma discussão sobre a síndrome da formalização em Economia, resumindo teses de McCloskey e Katzner que permitem formar um quadro mais claro do problema. Discutimos a metafísica da formalização empregada pela teoria econômica ortodoxa. Procuramos mostrar, finalmente, porque esta última se tornou, recentemente, mais frágil, pretensiosa e dogmática.

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Teoria e Crise

A economia ortodoxa e a crise econômica

Recentemente criticaram-se os economistas ortodoxos porque eles não foram capazes nem de prever e nem de interpretar a crise econômica mais recente. Ora, os economistas ortodoxos não acreditam mais em qualquer possibilidade de transformação civilizadora do sistema. Eles se contentam com a expansão modernizadora que advém da acumulação descontrolada de capital. Pragmáticos por excelência, eles estão muito mais interessados no jogo do mercado e na defensa de teses profissionais e políticas que lhes parecem convenientes, do que em entender com certa profundidade científica os processos sociais e econômicos.

A verdade é que a teoria econômica ortodoxa, ao se afastar do compromisso da ciência moderna com a emancipação do homem, transformou-se duplamente: enquanto atividade para dentro do campo, ou seja, enquanto atividade legitimadora de competência, ela caiu num formalismo do irrelevante; enquanto atividade para fora do campo, ou seja, enquanto atividade funcional para o próprio funcionamento do sistema, ela se transformou em mercadoria – mercadoria que já não é coisa, mas imagem, propaganda e marketing de teses econômicas.  

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Foucault

 

 Uma apresentação dialética

da geneologia do neoliberalismo de Foucault

Este artigo examina criticamente a genealogia do neoliberalismo desenvolvida por Michel Foucault em O nascimento da biopolítica. Considera que contém uma boa percepção da orientação social e política das práticas governamentais do neoliberalismo, mesmo se analisa somente os discursos teóricos que as fundamentam. Argumenta-se, porém, que ela falha por não compreendê-las como respostas históricas aos problemas econômico-sociais, postos pelo próprio desenvolvimento do modo de produção capitalista. E que ela falha, também, por não compreendê-las como manifestações de configurações históricas do Estado capitalista, as quais surgiram ao seu tempo como respostas às demandas da acumulação de capital e das próprias transformações da produção capitalista. Sustenta-se a crítica numa apresentação sumária, mas dialética, das configurações históricas desse modo de produção.