A China muda de estratégia para impulsionar o crescimento

Autor: Romaric Godin[1] – Sin Permiso – 05/10/2024

Três anos após a falência da maior incorporadora imobiliária da China, a Evergrande, Pequim está usando agora a bazuca monetária para tentar conter o enfraquecimento contínuo de sua economia. Em 24 de setembro de 2024, o Banco Popular da China (BPOC), que é também o banco central do país, anunciou uma série de medidas massivas de apoio à economia de um modo particularmente incomum.

O governador do BPOC, Pan Gongsheng, convocou uma coletiva de imprensa não anunciada para expor seu plano. Primeiro, um corte na taxa de refinanciamento de sete dias dos bancos, o equivalente à taxa básica de juros da China, de 1,7% para 1,5%. Essa medida deve levar a uma diminuição das taxas no médio e longo prazo.

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China: investimento ou consumo?

Autor: Michael Roberts – The next recession blog – 08/2023

No segundo trimestre de 2023, a economia chinesa se expandiu em relação ao mesmo trimestre do ano anterior: cresceu 0,8% quando havia caído -1,9%. Parece forte, mas o crescimento trimestral foi de apenas 0,8%, havendo, pois, se desacelerado acentuadamente em relação aos 2,2% do primeiro trimestre de 2023.

Segundo uma medida confiável da atividade econômica, o PMI da China (índice de atividade econômica do Project Management Institute) de julho de 2023 caiu para 51,1, face a 52,3 no mês anterior (50 é o limiar entre a expansão e da contração). Este foi o valor mais baixo observado entre dezembro de 2022 e julho de 2023. A atividade fabril na China contraiu-se pelo quarto mês consecutivo.

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Roberts: quatro traduções

Os leitores deste blog podem baixar quatro artigos traduzidos de Michael Roberts

China: o porquê das novas reformas

Por Michael Roberts, The Next Recession, 8/08/2021

Xi Jiping

Uma reunião de dezembro de 2020 do Politburo Partido Comunista Chinês prometeu acabar com o que chamou de “expansão desordenada do capital”. Os líderes chineses temiam que o setor capitalista na China tivesse ficado grande demais. Empresas como o Jack Ma’s Ant Group expandiram-se para o financiamento ao consumidor e procuraram levantar fundos estrangeiros para isso. Com efeito, o Ant Group pretendia assumir o crédito às famílias dos bancos estatais. O Ant iria fazer o que queria e disse isso com muito alarde na imprensa. Ele e outras empresas de tecnologia e mídia capitalistas chinesas estavam cada vez mais envolvidas em fusões tipicamente “ocidentais”, contratos secretos e outras irregularidades financeiras.

Os reguladores da China vinham fechando os olhos para tudo isso havia anos. Além disso, a facção financeira na liderança da China havia conseguido um acordo para permitir que bancos de investimento estrangeiros criassem empresas de propriedade majoritária na China pela primeira vez, com o objetivo final de “libertar” o setor financeiro do controle estatal e permitir o cruzamento não regulamentado de fluxos de capital entre fronteiras. Em outras palavras, a China deveria se tornar um membro pleno do capital financeiro internacional. As autoridades também estavam permitindo operações não controladas de criptomoedas no país.

Mas a pandemia de covid mudou tudo isso. Houve uma crescente raiva pública sobre como os ricos na China, como no resto das grandes economias, ganharam enormemente com o boom financeiro e de preços de propriedades durante a quarentena, enquanto a maioria lutou contra os bloqueios e enfrentou custos crescentes em educação, saúde e habitação e um sério risco para empregos decentes para graduados e outros. Educação, saúde e habitação são as “três montanhas” que todas as famílias chinesas almejam escalar para ter uma vida melhor — e ainda assim, os custos para a maioria estão aumentando enquanto os ricos ganham bilhões.

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A China vem aí?

dragão de papel 1

Qual a função da China na nova ordem internacional? Há, de fato, uma mudança tendencial na repartição do poder internacional entre os países desenvolvidos e os países ditos em desenvolvimento? As nações ditas emergentes estão de fato emergindo e mudando a repartição do poder econômico global? Antes de suscitar a leitura de um artigo interessante que procura responder a essas questões, faz-se uma consideração teórica sobre a natureza do sistema social e econômico em vigência na China.  Depois dessa introdução, acredita-se aqui que fica mais interessante o acompanhamento de um texto que trata especificamente da mudança na geografia da indústria global nas últimas três décadas.

O texto se encontra aqui: A China vem ai ?