Reino Unido: ainda inverno, sem sinal de primavera

Autor: Michael Roberts – The next recession blog – 26 de março de 2025

A declaração de primavera do governo do Reino Unido sobre gastos foi tal como esperada – realmente horrível.  Primeiro, a chanceler Rachel Reeves teve que aceitar que a estimativa de crescimento real do PIB, em 2025, é agora metade da taxa prevista anteriormente; eis que foi reduzida pela metade, ou seja, para 1% de 2% pelo analista oficial do governo, o Escritório de responsabilidade orçamentária [Office for Budget Responsibility (OBR)].  Além disso, Reeves teve que admitir que a meta de inflação do governo de 2% ao ano não seria atingida até 2027 – e isso pressupõe que as medidas tarifárias de Trump não aumentem os custos nesse meio tempo.

Continuar lendo

Fim do consenso sobre o livre comércio

Tarifas, criptomoedas e caos – ou seja, um reordenamento econômico mais profundo parece estar remodelando o sistema global. A tese de Mark Blyth abaixo apresentada tem sido criticada por diversos autores, mas é importante conhecê-la mesmo se endossa a atual politica do governo norte-americano.

Autor: Mark Blyth[1]Social Europe – 9 de abril de 2025

Com o governo Trump impondo tarifas “insanas” ao resto do mundo, muitos comentaristas estão preocupados com o problema da “sanitização”: imputar justificativas convincentes a políticas que não têm nenhuma lógica. Comentaristas ingênuos, eles argumentam, distraem as pessoas da marra que está se desenrolando diante de seus olhos. A entrada da família Trump na esfera das criptomoedas – as quais funcionam como um convite aberto para subornos – certamente apoia essa interpretação.

Continuar lendo

Estagnação e gastos militares

Autor: Eleutério F. S. Prado[1]

Eis uma pergunta interessante feita por Michael Roberts: “podem os gastos militares despertar as economias que estão presas numa depressão tal como se encontram as economias europeias desde 2009?”[2] Muitos economistas acreditam que sim, em especial os keynesianos que raciocinam centralmente sobre o nível da atividade econômica a partir da demanda agregada. Para eles, um estado estagnação pode ser superado por meio de gastos deficitários do Estado.

Continuar lendo

Trump, tarifas e o mercado de ações

A interpretação da política econômica do governo Trump tem envolvido muitas controvérsias. Publica-se em sequencia uma opinião que vê uma tendência mais geral no rumo do autoristarismo, do isolacionismo e do protecionismo. O artigo analisa as Intervenções políticas que a acompanham e os seus limites. O artigo foi escrito antes do “dia da libertação”.

Autor: Lefteris Tsoulfidis [1]

A recessão que começou em 2007 ainda está em andamento. Como durante a Grande Depressão do período entre guerras, o autoritarismo, o isolacionismo e o protecionismo tornaram-se a política oficial de governo – embora não necessariamente de todos os países.

Nas décadas de 1920 e 30, foi a Itália, Alemanha, Espanha e Grécia em particular. Mas essa política foi muito além disso: em 1930, os EUA quadruplicaram suas tarifas com a Lei Smoot-Hawley, primeiro para produtos agrícolas, depois também para bens industriais.

Continuar lendo

Sobre as origens do dinheiro

Autor: Michael Hudson [1]Counterpunch – 7 de março de 2025

O final do século XIX viu uma linhagem de economistas, principalmente alemães e austríacos, criar uma mitologia sobre as origens do dinheiro, que ainda é repetida nos livros didáticos de hoje. Para eles, o dinheiro se originou apenas na forma de mais uma mercadoria que era trocada; o metal foi a mercadoria preferida porque não é perecível (e, portanto, é passível de ser guardado), pode ser padronizado (apesar da possibilidade de fraude se não for cunhado), podendo, ademais, ser facilmente divisível. Supõe-se, assim, que a prata foi usada em pequenas trocas de mercado, o que é irreal, dado o caráter grosseiro das balanças antigas, as quais era muito imprecisas para pesos de alguns gramas.[1]

Essa mitologia não reconhece que o governo possa ter desempenhado qualquer papel como inovador, patrocinador ou regulador monetário, ou ainda como entidade que dá valor ao dinheiro ao aceitá-lo como um veículo para pagar impostos, comprar serviços públicos ou fazer contribuições religiosas. Também é minimizada a função do dinheiro como padrão de valor para denominar e pagar dívidas.[2]

Continuar lendo

Dia da libertação

Autor: Michael Roberts – The next recession blog – 2/04/2025

Não ocorreu no Dia da Mentira (1º de abril).  Mas também o dia 2 de abril talvez seja esse Dia já que ontem o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou outra onda de tarifas sobre as importações do país. Para Trump trata-se do “Dia da Libertação”, mas a voz dos grandes negócios e das finanças nos Estados Unidos, o Wall Street Journal, classificou esse evento como “a guerra comercial mais burra da história”.

Nesta rodada, Trump aumentou as tarifas sobre as importações de países que supostamente têm tarifas mais altas sobre as exportações dos EUA, ou seja, implementou as chamadas ‘tarifas recíprocas’. Elas visam combater o que ele vê como impostos, subsídios e regulamentações injustas aplicados por outros países sobre as exportações dos EUA. Paralelamente, a Casa Branca analisa ainda as tarifas de 25% sobre todas as importações do Canadá e do México, que foram adiadas anteriormente, mas que agora podem ser reaplicadas.

Continuar lendo

Atingir zero líquido na emisão pode falhar

Autora: Jayati Ghosh [1] – Social Europe – 27 de janeiro de 2025

Atingir o zero líquido pode falhar. E não é porque as energias renováveis são muito caras. A energia solar e a energia eólica agora são mais baratas que os combustíveis fósseis, então por que o sistema global de energia não se tornou verde?

A comunidade internacional há muito reconhece a necessidade urgente de reduzir a dependência de combustíveis fósseis e mudar para energia renovável e, nos últimos anos, muitos governos se comprometeram a atingir emissões líquidas zero de gases de efeito estufa, embora em prazos extremamente longos. Mas eles nunca chegarão lá enquanto tratarem a eletricidade, que é central para a transição para a energia limpa, como qualquer outro bem de mercado.

Continuar lendo

As tarifas de Trump em questão

Apresenta-se abaixo um artigo que contrapõe duas grandes teses sobre a atual política tarifária dos EUA. Primeiro, ele resume as explicações de Stephen Miran, um autor ligado ao atual governo dos EUA, as quais expõem supostamente a lógica implícita dessa política; em sequência, ele contrapõe essas teses à posição crítica mantida por Paul Krugman. Para tanto, o artigo apresenta a seguinte questão: “as tarifas de Trump são a resposta certa para reestruturar o sistema de comércio global?”. Para depois concluir que “a teoria econômica e as evidências históricas sugerem que não”.

Alberto Ortiz Bolaños [1] – Publicação do autor [2] – 18/02/205

Desde a campanha eleitoral dos Estados Unidos, Donald Trump tem falado repetidamente sobre questões relacionadas à sua agenda make America great again e agora, como presidente, ele está começando a agir. Além das políticas de imigração contra pessoas sem documentos, os elementos essenciais de sua agenda incluem uma política tarifária ligada às questões de segurança e às  ameaças contra o abandono do dólar como ativo de reserva.

Continuar lendo

Do choque tarifário de Trump: por quê?

Autor: Eleutério F. S. Prado [1]

As medidas tarifárias do governo Trump, assim como as dúvidas sobre quais seriam os seus reais objetivos, tem causado perplexidade.  Se se confia num escrito de Stephen Miran, que figura como presidente do Conselho de Assessores Econômicos do atual presidente dos EUA, o choque tarifário que está sendo implementado visa sobretudo reindustrializar a economia norte-americana. Pois, como disse Trump metaforicamente, “se não se tem aço, não se tem um país”.

Continuar lendo

Declinio e queda do dólar?

Dando continuidade ao esforço de entender a política econômica internacional do governo Trump, publica-se aqui um artigo que põe em dúvida os resultados que supostamente pretende atingir. Ao invés de tornar “a América grande de novo”, essa política pode levar, segundo o autor, ao aprofundamento do declínio do império norte-americano. Será?

Autor: Jeffrey Frankel [1]Project Syndicate – 20 de março de 2025

A desvalorização do dólar e o domínio do dólar não são necessariamente mutuamente exclusivos. Mas a abordagem para enfraquecer o dólar que o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, está considerando significaria quase certamente o fim do reinado do dólar americano como moeda internacional dominante.

Continuar lendo