Discriminação

A construção das diferenças entre os economistas

Buscamos neste artigo uma explicação para a origem das diferenças entre os economistas e para o modo como elas são construídas. Sugerimos que se trata de uma prática discriminatória ligada à hegemonia americana e ao advento do neoliberalismo, a qual está assentada no modo de emprego da matemática na teoria econômica ortodoxa. Apresentamos uma discussão sobre a síndrome da formalização em Economia, resumindo teses de McCloskey e Katzner que permitem formar um quadro mais claro do problema. Discutimos a metafísica da formalização empregada pela teoria econômica ortodoxa. Procuramos mostrar, finalmente, porque esta última se tornou, recentemente, mais frágil, pretensiosa e dogmática.

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Microdinâmica

Desafios à teoria neoclássica

Nesse artigo busca-se examinar criticamente o suposto mais importante da teoria neoclássica, ou seja, aquele que afirma serem as preferências subjetivas os fundamentos dos preços. Questiona-se a plausibilidade dessa construção paradigmática elaborando modelos econômicos focados de sistemas adaptativos complexos. Estes divergem da microeconomia tradicional por permitirem a interação descentralizada de grandes coleções de agentes heterogêneos, em ambientes que também se encontram em permanente processo de mudança. Faz-se, portanto, exercícios de microeconomia sistêmica, não reducionista. O método aqui empregado costuma ser denominado de modelagem computacional baseada em múltiplos agentes, vindo a ser também, frequentemente, encarado como meio de investigação social baseado na construção de sociedades artificiais. O artigo se inspira fortemente no livro Growing artificial societies – social science from the bottom up, de Epstein e Axtell (1996), que o utilizou de modo ilustrativo e exemplar na investigação abstrata de processos de coevolução que combinavam sub-processos demográficos, econômicos, culturais, etc., os quais são em geral tratados separadamente em campos científicos pertinentes. Em particular, eles examinaram certos processos dinâmicos associados ao evolver de uma economia de troca, os quais serão aqui retomados.

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Complexidade

Três concepções de complexidade

Expõe-se no artigo em seqüência três concepções de sistema complexo, cada uma delas com a sua noção específica de emergência. A primeira está crucialmente baseada na idéia de que esse tipo de objeto científico pode ser apreendido suficientemente com base na construção de sistemas dinâmicos. Ela será denominada aqui de dedutivista. A segunda delas, que será chamada de saltacionista, acredita que os sistemas complexos apresentam mudanças qualitativas que se manifestam no curso do seu processo evolutivo como novidades irredutíveis. A terceira delas será denominada de estrutural. Ela se baseia na idéia de que não há apenas nexos externos entre os elementos, mas também internos. E que estes vêm a ser inerentemente constitutivos tanto dos elementos enquanto tais quanto do todo sistêmico. Nessa perspectiva, os sistemas são objetos com estrutura de relações e posições, de tal modo que as suas propriedades emergentes passam a ser encaradas como formas de manifestação dessas estruturas.    

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Teoria e Crise

A economia ortodoxa e a crise econômica

Recentemente criticaram-se os economistas ortodoxos porque eles não foram capazes nem de prever e nem de interpretar a crise econômica mais recente. Ora, os economistas ortodoxos não acreditam mais em qualquer possibilidade de transformação civilizadora do sistema. Eles se contentam com a expansão modernizadora que advém da acumulação descontrolada de capital. Pragmáticos por excelência, eles estão muito mais interessados no jogo do mercado e na defensa de teses profissionais e políticas que lhes parecem convenientes, do que em entender com certa profundidade científica os processos sociais e econômicos.

A verdade é que a teoria econômica ortodoxa, ao se afastar do compromisso da ciência moderna com a emancipação do homem, transformou-se duplamente: enquanto atividade para dentro do campo, ou seja, enquanto atividade legitimadora de competência, ela caiu num formalismo do irrelevante; enquanto atividade para fora do campo, ou seja, enquanto atividade funcional para o próprio funcionamento do sistema, ela se transformou em mercadoria – mercadoria que já não é coisa, mas imagem, propaganda e marketing de teses econômicas.  

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