Uma crítica metodológica à Michael Roberts

Como se sabe, manipulando as identidades da contabilidade nacional é possível, sob a hipótese de que os salários são gastos e que todo lucro é poupado, chegar à conclusão de que os lucros, numa economia fechada e sem governo, são exatamente iguais aos investimentos.

Ora, em sequência, é possível também perguntar quem determina quem? Qual o sentido da causação: dos lucros para os investimentos ou dos investimentos para os lucros?

Neste post se argumenta que esse modo de pensar envolve um grande equívoco metodológico. No qual se cai porque se quer apreender apenas as relações externas entre os fenômenos e, ao fazê-lo, passa-se a empregar “naturalmente” um raciocínio mecânico.

No post se argumenta que o raciocínio mecânico não convém a um objeto complexo como o sistema econômico. E que o modo de pensar correto nessa situação é trabalhar com a categoria de ação recíproca. A produção determina a oferta agregada, mas apenas torna possível a demanda agregada. E esta pode se retrair ou ser impulsionada por moto próprio ou por ação governamental, aproveitando, assim, menos ou mais a capacidade de produção.

O texto se encontra aqui: Uma critica a Michael Roberts em seu questionamento da Teoria Monetária Moderna

Financeirização em questão

O termo financeirização pode ser usado para descrever a expansão das atividades financeiras vis-à-vis das atividades industriais ocorrida já no final do século XX, mais precisamente a partir da década dos anos 1970. Ora, esse emprego suscita uma pergunta imediata: por que ela ocorreu?

Como já se mencionou nesse blog, o pensamento crítico fornece duas respostas alternativas para essa questão.

Uma delas diz que a financeirização ocorreu em virtude de uma forte reorientação da política econômica – a qual deixou de ser keynesiana para ser tornar neoliberal naqueles anos caracterizados pela crise e pelo baixo crescimento econômico. Esta mudança possibilitou, em particular, a liberação das finanças dos constrangimentos até então existentes à sua expansão. Esta, então, tornou-se formidável em virtude do processo da globalização. O post de 1º de outubro trouxe um texto de Grace Brakeley, A última encarnação do capitalismo, que apresentou sinteticamente essa primeira resposta.

A segunda resposta afirma que financeirização, em última análise, decorreu das tendências inerentes ao evolver do modo de produção capitalista, em especial da lei da tendência à queda da taxa de lucro. A crise dos anos 1970, decorrente do rebaixamento da rentabilidade do capital nos países centrais, em particular, nos EUA, suscitou que a condução da política econômica passasse a visar um crescimento econômico cada vez mais liderado pela expansão do capital de finanças.

Neste post traz-se um texto de Michael Roberts (em espanhol) que faz a crítica da primeira alternativa e que apresenta, também, uma versão sucinta da segunda resposta possível acima mencionada. Para ele, a expansão das finanças ocorreu – e costuma ocorrer historicamente – sempre que se torna necessário contrariar a tendência à queda da taxa de lucro e, assim, com ela, à queda do ritmo do processo de acumulação de capital. Nesse sentido, ele crítica a financeirização enquanto uma chave de uma teoria das crises no capitalismo.

O texto, publicado originalmente na revista Sinpermiso, encontra-se aqui: Financiarizacion o rentablilidad?