Compulsão muda

Como um sistema econômico tão hostil à vida perdura por séculos?

Autor: Peter Dolack[1]

Quando conceituamos o poder que mantém o capitalismo, o tema da violência e da ideologia prontamente vêm à mente. Apesar da vasta desigualdade, da exploração grotesca, do desprezo pela vida e pelo meio ambiente, da instabilidade crônica e das rebeliões que surgem repetidamente e, às vezes, tomam o poder, o capitalismo parece mais firme na sela do que nunca, lançando as suas flechas mortíferas para praticamente todos os lugares da Terra.

“Como é possível que uma ordem social tão volátil e hostil à vida possa persistir por séculos?” – pergunta Søren Mau na introdução de seu livro Mute Compulsion: A Marxist Theory of the Economic Power of Capital. A violência tem estado com o capitalismo desde o seu início – de fato, o capitalismo não poderia ter se enraizado sem a coerção maciça por meio da violência, leis draconianas, escravidão e colonialismo. As construções ideológicas que mantêm tantos escravizados tornam-se cada vez mais sofisticadas, com um vasto aparato de meios de comunicação de massa, “think tanks” e outras instituições, as reforçam os mantras burgueses, complementados por escolas, militares, locais de trabalho e outros aplicadores do condicionamento social.

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Macroideologia econômica

Neste post apresenta-se um comentário crítico de um pequeno texto de Simon Wren-Lewis, professor de Macroeconomia e Metodologia da Economia da Universidade de Oxford, Inglaterra: “Erros e ideologia em Macroeconomia” que foi publicado em 8 de janeiro de 2012 em seu blog na internet (Mainly Macro).

When-Lewis pensa os eventos macroeconômico da perspectiva da novo-keynesiana e, por isso, diverge  daqueles economistas que os analisam da ótica novo-clássica. Em seu post ele faz uma crítica à Robert Lucas e à John Cochrane, ambos da Universidade de Chicago, EUA. Esses dois autores, segundo ele, cometem um erro elementar quando pensam que o gasto público não tem o poder de elevar a renda nacional porque aquele montante que o governo gasta a mais é compensado por uma redução do gasto do setor privado.

O economista inglês, então, se pergunta: por que autores tão competentes em Economics cometem tal barbaridade. Primeiro, ele considera a hipótese de que eles não estejam bem esclarecidos sobre os resultados da teoria novo-keynesiana. No entanto, faz essa suposição apenas para descartá-la, sugerindo então que o problema se encontra na ideologia que professam. Como aqueles dois autores não apreciam a intervenção do Estado na regulação macroeconômica, eles se tornam ideólogos do mercado perfeito e, por isso, cometem tal erro elementar em teoria econômica. Mas qual seria o problema da teoria novo-keynesiana?

O texto se encontra aqui: Macroeconomia e ideologia