Depois do “pós-fordismo” vem o “muskismo”?

Quinn Slobodian [1] e Ben Tarnoff [2] – Fonte: Sin Permiso [3] – 26/04/2026

Tem sido apontado frequentemente que Elon Musk e Henry Ford têm muito em comum. Ambos foram aclamados como gênios tecnológicos que fizeram avanços revolucionários nos processos de produção e nos produtos de consumo. Ambos figuram como politicamente conservadores. E ambos defenderam visões reacionárias por meio de seus meios de comunicação pessoais: Ford publicou uma série famosa de artigos antissemitas em seu jornal, The Independent of Dearborn, e Musk usa o Twitter, depois X, como megafone para expressar sua hostilidade em relação aos imigrantes não brancos.

Contudo, já ao começarmos escrever o nosso livro recente sobre Elon Musk, percebemos rapidamente que os paralelos entre Musk e Ford não se relacionam principalmente às suas biografias pessoais. Eles concernem aos tipos de sociedade – sendo também requeridos por eles – que aparecem em seus modos de apreender a economia política realmente existente.

Continuar lendo

Fim da hegemonia financeira? (II)

Autor: Eleutério F. S. Prado [1]

Este artigo fornece uma resposta mais ampla à tese de Cédric Durand que se encontra resumida numa postagem anterior.

Bem, esse é o título, traduzido para o português, de um artigo escrito por Cédric Durand e publicado no número 138 (nov./dez. de 2022) na New Left Review. Por que copiá-lo sem qualquer dissimulação? Ora, para assim iniciar uma contestação à tese que avança na forma de uma conjectura. Eis que é na perspectiva de uma mudança importante que tenta pensar a atual conjuntura macroeconômica nos países do centro do sistema capitalista – ainda globalizado, mas fraturado doravante por um conflito imperialista aberto.

Para isso, em primeiro lugar, é preciso apresentar resumidamente os seus argumentos, os quais pretendem sustentar essa previsão momentosa que, aliás, não é dada como certa, mas apenas como bem provável. Segundo ele “há sinais inconfundíveis de que um novo regime macroeconômico está tomando forma” nos países centrais. Mas o que de fato sinaliza à política econômica dominante que ela tem de mudar? Eis o que diz sobre a conjuntura:

Continuar lendo