Neste artigo, Nick Johnson tenta combinar as teses de Nicholas Kaldor e Michael Pettis para justificar as tarifas como parte de um esforço para reequilibrar o comércio internacional atualmente desbalanceado principalmente em favor da China. Ele sugere, que as tarifas devem ser complementadas com políticas de renda. Nesse sentido, ele julga que o salário real deve aumentar na China, mas curiosamente não sugere que ele deve ser reduzido nos Estados Unidos. Ao fim e ao cabo, as suas sugestões parecem ingênuas já que não levam em conta, comparativamente, o desenvolvimento da produtividade do trabalho vis-à-vis a evolução dos salários reais nas últimas décadas e, assim, a evolução da lucratividade. Ora, diante dessa evolução, as perspectivas de lucratividade dos diferentes ramos da produção são cruciais.
Continuar lendoO plano mestre de Trump segundo Yanis Varoufakis
Publica-se em sequência um escrito de Yanis Varoufakis em que ele tenta encontrar uma racionalidade mais substantiva na política econômica de Donald Trump. Talvez seja apenas uma enormidade já que a sua tese não parece estar apoiada em documentos abalizados. Mesmo se provém de seu estilo altisonante, talvez ajude a compreender melhor essa política.
Autor: Yanis Varoufakis [1] – Sin Permiso [2] – 27/02/2025
Diante das medidas econômicas do presidente Trump, os seus críticos centristas oscilam entre o desespero e uma fé pungente de que seu frenesi tarifário desaparecerá. Eles assumem que Trump vai bufar até que a realidade revele a falsidade de seu raciocínio econômico. Eles não se deram conta do seguinte: a imposição de tarifas feita por Trump faz parte de um plano econômico global sólido, mesmo que seja inerentemente arriscado.
Continuar lendoOs efeitos possíveis da política tarifária norte-americana
Autores: Adam S. Hersh e Josh Bivens
Introdução
Este artigo, buscando mostrar os efeitos econômicos possíveis das tarifas que podem ser impostas pelo atual governo norte-americano, responde a seis questões:
1ª) As tarifas podem ser usadas de forma eficaz para atingir certas metas inteligentes na formulação de políticas econômicas?
2ª) Tarifas altas e amplas podem corrigir o déficit comercial dos EUA ou repor o emprego na indústria?
3ª) As tarifas equivalem à formulação de uma política industrial para os Estados Unidos?
4ª) Quem “paga” as tarifas impostas às importações feitas pelos EUA?
5ª) Os formuladores de políticas podem pretender tornar as tarifas uma fonte significativa de receita para cobrir os gastos do governo?
6ª) É mais fácil e mais transparente cobrar tarifas do que usar outras formas de impostos?
Continuar lendoGuerra Rússia-Ucrânia: três anos depois
Autor: Michael Roberts – Fonte: The next recession blog – 24/02/2025

Ucrânia: uma catástrofe humana
Chegou-se já ao fim do terceiro ano da guerra Ucrânia-Rússia. Após três anos de guerra, a invasão da Ucrânia pela Rússia causou perdas impressionantes ao povo e à economia da Ucrânia. Existem várias estimativas do número de civis ucranianos e de baixas militares (mortes e feridos): 46.000 civis e talvez 500.000 soldados. As baixas militares russas são quase as mesmas. Milhões fugiram para o exterior e muitos outros milhões foram deslocados de suas casas na Ucrânia.
Uma avaliação ucraniana confidencial do início de 2024, relatada pelo Wall Street Journal, colocou as perdas de tropas ucranianas em 80.000 mortos e 400.000 feridos. De acordo com dados do governo, no primeiro semestre de 2024, três vezes mais pessoas morreram na Ucrânia do que nasceram, informou esse jornal. No ano passado, as perdas ucranianas foram cinco vezes maiores do que as da Rússia, com Kiev perdendo pelo menos 50.000 militares por mês.
Continuar lendoAs tarifas de Trump vão causar apenas uma “pequena pertubação”?
Autor: Michael Roberts – The next recession blog – 03/05/2025
Falando ao Congresso dos EUA no dia 2 de fevereiro último, após 100 dias no cargo, o presidente Donald Trump afirmou que as novas tarifas sobre as importações dos maiores parceiros comerciais dos EUA causariam “uma pequena perturbação” que logo acabaria. Eis que – disse – “as tarifas vêm para tornar a América rica novamente e para tornar a América grande novamente. E isso já acontecendo e vai acontecer muito rapidamente.”
Na verdade, muito rapidamente. Em 1º de fevereiro, Trump impôs tarifas de 25% sobre produtos importados do Canadá e do México pelos EUA e uma tarifa adicional de 10% sobre as importações chinesas, de tal modo que todos os três principais parceiros comerciais dos Estados Unidos passam agora a enfrentar barreiras significativamente maiores. As medidas provocaram uma resposta imediata de Pequim, que disse que cobraria uma tarifa de 10 a 15% sobre produtos agrícolas dos EUA, desde soja e carne bovina até milho e trigo a partir de 10 de março.
Continuar lendoTarifas comerciais como política econômica: um debate
Autor: Michael Roberts – 02/08/2025
Michael Pettis é professor americano de finanças na Guanghua School of Management da Universidade em Pequim, e membro sênior não residente do Carnegie Endowment for International Peace. Ele se tornou uma fonte de mídia popular sobre a economia da China, mas também sobre o comércio global e as tendências de investimento.
Na esteira do anúncio de Donald Trump de aumentos de tarifas sobre as importações dos EUA de vários países, Pettis tem exposto a visão contra o consenso da economia convencional, sustentando que as tarifas às vezes podem ser benéficas para um país e até mesmo para a economia mundial.
Continuar lendoO protecionismo dos EUA pode prejudicar a China?
Fonte: Financial Times. Copiado do blogue de Adam Tooze.
O gráfico abaixo mostra o desenvolvimento das exportações chinesas para os Estados Unidos (em vermelho), para os países desenvolvidos exceto os Estados Unidos (em azul claro) e para os mercados ditos emergentes (azul escuro). Os dados que nele constam permitem avaliar o impacto máximo das tarifas possíveis postas pelos Estados Unidos nas importações que recebe da China. Segundo o Financial Times, esse impacto seria significativo se for máximo, mas não desastroso. Não se considera o impacto possível dessa política tarifária na própria economia norte-americana.

“A China” – diz Tooze – “diversificou as suas exportações em relação ao mercado dos EUA desde o primeiro mandato de Trump. A demanda total americana por produtos chineses agora representa cerca de 2,8% do PIB da China, de acordo com a consultoria Capital Economics. Os seus cálculos sugerem que um aumento na tarifa efetiva de cerca de 15% para 60% (in extremis) – tal como Trump ameaçou – poderia encolher a economia chinesa em apenas 1%. Essa porcentagem talvez seja menor do que muitos costumam pensar que poderia ser; veja-se, ademais, que essa porcentagem é máxima já que não considera outros fatores de compensação”.
A tese de Pettis e a economia da China
As tarifas ajudarão a reequilibrar a economia global (e a economia chinesa)?
Noah Smith – Blogue Noahpinion – 16 de janeiro de 2025. Eis aqui o segundo artigo que examina a política econômica que se vale fundamentalmente de tarifas.
Este post (…) versa sobre a economia da China e a situação do comércio internacional, em vez de tratar de guerra e conflito.
A China tem um enorme e crescente superávit comercial, como se pode ver no gráfico acima. Esse gráfico é de Brad Setser, um autor conhecido por ser um exército de um homem só em termos de rastreamento do comércio global e dos fluxos financeiros. (…) Curiosamente, é preciso ver que as exportações da China para o mundo em desenvolvimento são mais importantes do que suas exportações para os EUA e a UE, embora estas últimas tenham aumentado um pouco.
Continuar lendoQuem domina o comércio internacional?
As duas figura em sequência, produzidas pela consultoria Apollo , ou seja, porTorsten Slok, Rajvi Shah, and Shruti Galwankar e publicadas no sitio do Phenomenal World mostram uma mudança drástica no dominío do comércio internacional nos últimos vinte anos. A primeira apresenta a situação no ano 2000; já a segunda mostra a situação no ano 2020. O arquivo com estes e outros dados estão publicado aqui em sequência.
A fonte original está aqui.


As tarifas de Trump e a estratégia global de Pettis
Autor: Nick Johnson – Blogue The political economy of development – 12 de fevereiro de 2025. Primeiro de três artigos sobre essa temática.
O retorno das políticas tarifárias de Donald Trump, em 2025, reacendeu os debates sobre a eficácia das barreiras comerciais na redução do déficit comercial dos EUA e para o fortalecimento da manufatura doméstica. Enquanto Trump argumenta que as tarifas forçarão as empresas a trazerem a produção de volta aos EUA, o economista Michael Pettis, baseado na China, afirma que as tarifas por si só não podem resolver os desequilíbrios comerciais fundamentais. Em vez disso, ele defende reformas econômicas mais amplas, tanto no nível global quanto no doméstico. Esta postagem explora as principais diferenças entre essas duas perspectivas e examina como seria uma estratégia comercial mais abrangente.
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