A terapia de choque do governo Milei

Nick Johnson é um economista britânico versado mais fortemente no keynesianismo. Mas, às vezes, ele apresenta resultados que provém do marxismo em seu blog. Nessa postagem, ele interpreta o choque econômico ocorrido recentemente na Argentina de Javier Milei.

Para tanto, ele resume, primeiro, a teoria inflacionária de Robert Rowthorn. A causa da inflação, para esse autor, é estrutural, mas ela é viabilizada por uma política econômica que poderia ser chamada de “relaxamento monetário e fiscal”.

Em sequência, ele examina a “choque” do governante anarcocapitalista, que atende pelo nome acima mencionado. E chega a uma posição dentro da tradição radical na compreensão da inflação.

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Para onde vai a China?

Subtítulo: “Da qualidade à quantidade”: como ver o desenvolvimento histórico da China para além do véu da macroeconomia.

Autor: Adam Tooze [1] – Sin Permiso [2] – 28/06/2025

Introdução

No ambiente econômico global, existem poucos fatores mais importantes do que a situação e as perspectivas futuras da economia chinesa. Em termos de paridade de poder de compra, é a maior economia do mundo, com uma participação de 20% do PIB global. Medida em termos de taxas de câmbio atuais, o PIB da China perde apenas para os Estados Unidos.

A China influencia a economia mundial, primeiro, porque é um enorme mercado para exportações de outros países; em segundo lugar, porque é um centro dinâmico de exportações.

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Keynesianismo e o problema da lucratividade

O autor da nota publicada em sequência, que se perfila como keynesiano, examina as consequências da política econômica keynesiana na lucratividade do capital – o que é raro nesse ramo da literatura sobre macroeconomia. No entanto, ele não toca na questão das relações entre a acumulação de capital, o aumento da produtividade do trabalho e da queda da produtividade aparente do capital e, assim, da tendência ao declínio da taxa de lucro.   

Eis o artigo:

Autor: Nick Johnson – Fonte: The political economy of development – 2/07/2025

O que salva o capitalismo hoje pode enfraquecê-lo amanhã. As políticas governamentais que sustentam o pleno emprego correm o risco de sustentar o capital improdutivo [de valor excedente] e atrasar a destruição criativa. Mas existe uma solução progressiva para esse problema?

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Os países “atrasados” vão se tornar “adiantados”?

Autor: Michael Roberts. Apresentação: Eleutério F. S. Prado

Michael Roberts fez uma apresentação desse tema na Conferência da Associação de Economia Heterodoxa, em Londres, em junho de 2025. Aqui se faz um esforço para traduzir essa apresentação num texto corrido. Para colocar em dúvida a suposta “história de recuperação” dos páises atrasados, esse blogueiro famoso faz primeiro uma pergunta. Para apresentar, depois, uma resposta contundente.

Eis a pergunta: “Os países pobres do chamado Sul Global estão “alcançando” os países mais ricos do chamado Norte Global?”

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A ideologia do capital posto em plataformas

Autor: Eleutério F. S. Prado [1]

Nesse artigo pretende-se examinar criticamente a tese sobre o atual desenvolvimento e sobre o futuro do capitalismo, apresentada por Peter Thiel em seu livro De zero a um.[2] Formado em Filosofia e Direito e grande investidor em tecnologias digitais, esse intelectual engajado previu nele que o futuro desse sistema econômico, baseado que está na relação de capital, será formidável.

Além de ter se tornado um controvertido bilionário que milita como empresário no Vale do Silício, esse autor é conhecido por apoiar a criação de “cidades de liberdade”. Nelas – imagina ele – o capitalismo é extremado e se desvencilha do Estado e da política, mas não evidentemente da polícia. Eis que a segurança em tais cidades será feita por robôs munidos de inteligência artificial, os quais terão a função de expulsar ou eliminar os intrusos e os indesejados.  

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Desenvolvimento (pouco) com dívida insustentável

Autor: Michael Roberts – The next recession blog – 30/06/2025

Os líderes mundiais se reúniram em Sevilha, Espanha, para uma cúpula de ajuda da ONU para países em desenvolvimento. Esta foi a Quarta Conferência Internacional sobre Financiamento para o Desenvolvimento.  Pelo menos 50 líderes mundiais, incluindo o presidente francês Macron, a chefe da UE von der Leyen e o chefe da ONU Andrés Guterres estarão lá.  A conferência deve aumentar o apoio ao desenvolvimento global, os chamados objetivos de desenvolvimento sustentável estabelecidos décadas atrás pela ONU, com o objetivo de tirar os países pobres e seus povos da pobreza.

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Criptoativos: formas de ocultação

Michael Roberts – The next recession blog14/07/2025

O Bitcoin não é investimento, mas meio de especulação. Não é regulamentado, não tem lastro em nenhum ativo; vale apenas o que alguém está disposto a pagar por ele.” – Mateus Stephenson

“Trata-se de um jogo totalmente louco e estúpido” – Charlie Munger (2023).

As criptomoedas são altamente voláteis e, por isso, não são realmente úteis como reservas de valor; elas não estão apoiadas em nada… Figuram como ativos especulativos que, essencialmente, substituem o ouro e não o dólar”.  Presidente do Federal Reserve Bank, Jay Powell

“Bitcoin, parece uma farsa…. Não gosto porque vem a ser outra moeda competindo com o dólar. Donald Trump, em junho de 2021.

A semana nos EUA está marcada pelos ativos designados como criptos. Note-se de passagem que o preço do criptoativo[1] mais saliente, o Bitcoin, atingiu um recorde de US$ 120.000.  Ora, nessa semana, o Congresso dos EUA se prepara para considerar projetos de lei destinados a criar estruturas regulatórias mais claras para os ativos digitais.  Os legisladores dos EUA considerarão vários ordenamentos com esse objetivo: Genius Act, o Digital Asset Market Clarity Act e o Anti-CBDC Surveillance State Act. O objetivo é tornar a “América a capital mundial dos criptoativos”.

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BRICS versus EUA: energia e desenvolvimento

A competiçãoentre o BRICS e os EUA envolve dois sistemas energético e dois modelos de desenvolvimento; eles competem pela primazia não apenas no Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, mas em todo o mundo

Autores: Kate Mackenzie e Tim Sahay [1]

Uma revolução tecnológica global está em andamento, com a China no comando. Os líderes da China chamam isso de mobilização de “novas forças produtivas qualitativas”, referindo-se a “grandes mudanças não vistas em um século.” No Ocidente, em que o crescimento tem se tornado cada vez mais lento, cada avanço que ganha as manchetes é lido como outro “momento Sputnik”.

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Jardim, enxame, fábrica

Autor: Quinn Slobodian [1]08/06/2025

Os pólipos confundiram os teóricos políticos do século XVIII. As criaturas que coletivamente compõem os recifes de coral atuavam de um modo que desafiava as expectativas relativas ao desígnio divino e à hierarquia estabelecida do reino animal. Como esses organismos tão inferiores poderiam criar estruturas tão enormes, as quais pareciam ser o produto especial de uma única mente?

 Como criaturas microscópicas poderiam entravar a rota dos navios que se moviam por meio das forças mais poderosas da Terra, quebrando seus cascos e os forçando a contornar as metrópoles de pólipos que se elevavam como ilhas? Não é surpreendente que o antropólogo e anarquista James C. Scott tenha feito, mais tarde, uma analogia entre pólipos e camponeses. “Assim como milhões de pólipos antozoários criam, voluntária ou involuntariamente, um recife de coral”, escreveu ele, “milhares e milhares de atos individuais de insubordinação e evasão criam também seu próprio recife político ou econômico”.

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Fim do privilégio exorbitante da América?

Destruindo a fé dos mercados no dólar

Desmond Lachman [1]Project Syndicate7 de julho de 2025

Desde seu retorno ao cargo, o presidente dos EUA, Donald Trump, vem destruindo sistematicamente a fé nos mercados, no dólar e na economia dos EUA. Se ele se recusar a atender à essas advertências, como parece provável, os EUA devem se preparar para uma crise do dólar e do mercado de títulos no período que antecede as eleições de meio de mandato do próximo ano.

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