O voo de Ícaro da economia norte-americana

A economia capitalista nos Estados Unidos da América do Norte, pelo critério do PIB, cresceu 2,2% no primeiro, 4,2% no segundo e 3,4 no terceiro trimestre de 2018. Por meio do do grau de desemprego vê-se que está quase na situação de ótimo, pois este chegou a 3,7% da força de trabalho em outubro de 2018, um valor expressivo e bem abaixo da média histórica de 5,7% entre 1948 e 2018. Teria ela, finalmente, superado a “grande recessão” – uma recuperação muito lenta que se seguiu à supercrise de 2008? Esta não parece ser a opinião de um conjunto expressivo de economistas ortodoxos que escreveram pequenos artigos no portal Project Syndicate. Como o que dizem se mostra bem interessante, apresenta-se um resumo interpretativo do conteúdo desses textos que se caracterizam por se manterem na tradição macroeconômica dominante.

O post se encontra aqui: O voo de Ícaro da economia norte-americana

Financeirização em questão

O termo financeirização pode ser usado para descrever a expansão das atividades financeiras vis-à-vis das atividades industriais ocorrida já no final do século XX, mais precisamente a partir da década dos anos 1970. Ora, esse emprego suscita uma pergunta imediata: por que ela ocorreu?

Como já se mencionou nesse blog, o pensamento crítico fornece duas respostas alternativas para essa questão.

Uma delas diz que a financeirização ocorreu em virtude de uma forte reorientação da política econômica – a qual deixou de ser keynesiana para ser tornar neoliberal naqueles anos caracterizados pela crise e pelo baixo crescimento econômico. Esta mudança possibilitou, em particular, a liberação das finanças dos constrangimentos até então existentes à sua expansão. Esta, então, tornou-se formidável em virtude do processo da globalização. O post de 1º de outubro trouxe um texto de Grace Brakeley, A última encarnação do capitalismo, que apresentou sinteticamente essa primeira resposta.

A segunda resposta afirma que financeirização, em última análise, decorreu das tendências inerentes ao evolver do modo de produção capitalista, em especial da lei da tendência à queda da taxa de lucro. A crise dos anos 1970, decorrente do rebaixamento da rentabilidade do capital nos países centrais, em particular, nos EUA, suscitou que a condução da política econômica passasse a visar um crescimento econômico cada vez mais liderado pela expansão do capital de finanças.

Neste post traz-se um texto de Michael Roberts (em espanhol) que faz a crítica da primeira alternativa e que apresenta, também, uma versão sucinta da segunda resposta possível acima mencionada. Para ele, a expansão das finanças ocorreu – e costuma ocorrer historicamente – sempre que se torna necessário contrariar a tendência à queda da taxa de lucro e, assim, com ela, à queda do ritmo do processo de acumulação de capital. Nesse sentido, ele crítica a financeirização enquanto uma chave de uma teoria das crises no capitalismo.

O texto, publicado originalmente na revista Sinpermiso, encontra-se aqui: Financiarizacion o rentablilidad?