A China depois da pandemia

Pela primeira vez nas últimas décadas, a China não tem meta de crescimento econômico para este ano de 2020. Mas e depois?

A pandemia e o bloqueio levaram a economia chinesa a uma severa contração por vários meses, da qual está agora apenas se recuperando. A economia contraiu 6,8% no primeiro trimestre e a maioria das previsões para o ano inteiro representa menos da metade da taxa de crescimento de 6,1%, registrada no ano passado. Mas mesmo esse número será muito melhor do que aqueles a serem obtidos por todas as economias do G7, em 2020. De qualquer modo, a produção e o investimento industrial estão aumentando agora, mas os gastos dos consumidores continuam deprimidos.

A tese de que a China caminha agora para uma estagnação em sequência a uma crise de lucratividade por causa do baixo consumo e do excesso de investimento não parece totalmente convincente. A China tem uma importante economia capitalista, baseada em empresas privadas, em sua estrutura de produção. No entanto, tem também um importante setor estatal cujo processo de acumulação não depende de decisões privadas.

Ainda é uma incógnita saber para onde vai a China nas próximas duas décadas. O artigo em sequência tenta dizer alguma coisa sobre esse destino: China na década de 2020 – após a pandemia

Lucratividade: o investimento e a pandemia

Baixa rentabilidade e aumento da dívida são os dois muros, dez anos após a eclosão da Longa Depressão, contra os quais as principais economias estão batendo agora a própria cabeça.

Neste momento de pandemia, governos e bancos centrais estão dobrando as políticas de estímulo econômico, apoiadas por um coro aprovador de keynesianos de várias tonalidades (MMT etc.), na esperança e na expectativa de que isso consiga reviver as economias capitalistas após os bloqueios terem sido relaxados ou terminado.

Conforme Michael Roberts, é improvável que isso aconteça porque a lucratividade permanecerá baixa e pode até cair, enquanto que as dívidas aumentarão, alimentadas pela enorme expansão do crédito.

As economias capitalistas permanecerão deprimidas e, eventualmente, verão ocorrer um aumento da inflação, conformando, assim, uma nova fase em que a depressão se transforma numa estagflação.

O artigo de Michael Roberts se encontra aqui: Lucratividade – o investimento e a pandemia