Armadilha do dólar ou Império por convite?

A economia política global do sistema do dólar é uma prisão da qual os outros países querem sair ou uma gaiola dourada em que muitos países querem permancer?

Adam Tooze – Fonte: blog do autor – 20/07/2025

Se alguém quisesse construir um cenário prejudicial às pretensões americanas de liderar o mundo economicamente, ele teria de parecer com o que está sendo construído pelo governo Trump.

Eis que ele está reforçando a sensação de longa data de que a posição do dólar americano como moeda de reserva mundial e principal moeda do comércio internacional se tornou anacrônica; na verdade, o seu predomínio está em franco desacordo com a diminuição da importância dos Estados Unidos na economia mundial.

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Para onde vai a China?

Subtítulo: “Da qualidade à quantidade”: como ver o desenvolvimento histórico da China para além do véu da macroeconomia.

Autor: Adam Tooze [1] – Sin Permiso [2] – 28/06/2025

Introdução

No ambiente econômico global, existem poucos fatores mais importantes do que a situação e as perspectivas futuras da economia chinesa. Em termos de paridade de poder de compra, é a maior economia do mundo, com uma participação de 20% do PIB global. Medida em termos de taxas de câmbio atuais, o PIB da China perde apenas para os Estados Unidos.

A China influencia a economia mundial, primeiro, porque é um enorme mercado para exportações de outros países; em segundo lugar, porque é um centro dinâmico de exportações.

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A tripla desigualdade do problema climático “global”

Autor: Adam Tooze, 11/06/2023

A crise climática é frequentemente discutida como um problema global que requer a mobilização coletiva da humanidade. Isso pode ser inspirador. Contra o pano de fundo da tensa geopolítica de hoje, pode até ser reconfortante imaginar que existem pelo menos alguns problemas que temos em comum como “nós”. Conforme observado no Relatório de Desigualdade Climática 2023 , escrito pela equipe de Lucas Chancel, Philipp Bothe e Tancrède Voituriez, esta visão “global” do problema é profundamente enganosa.

A realidade do “problema climático global” é, de fato, definida por uma tripla desigualdade. O maior impacto é sofrido por aqueles que menos contribuíram para a crise e têm menos condições de pagar. Aqueles de nós que são mais responsáveis e têm maior capacidade de contribuir para a solução sofrem atualmente menos e serão ameaçados no futuro por um impacto relativamente menor.

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A crise: circulando em terra firme

Autor: Eleutério F. S. Prado[1]

O notável historiador britânico Adam Tooze escreveu em seu blog uma nota seminal – Policrise: pensando na corda bamba – com a finalidade de ressaltar a importância e a relevância da noção de policrise, a qual julga necessária para pensar a difícil situação da humanidade no contemporâneo. Aí, definiu esse termo novo do seguinte modo: “policrise é uma maneira de capturar a mistura emaranhada de desafios e mudanças que interagem de perto umas com as outras, torcendo, desfocando e ampliando umas às outras”.

Desse modo, circunscreveu o termo na perspectiva da teoria dos sistemas que, como se sabe, apresenta-se como uma técnica analítica e construtivista de modelização dos sistemas complexos. Estes, por sua vez, são compreendidos como plexos de partes ou elementos em interação que possuem uma organização específica ou ainda, mais do que isso, uma auto-organização. Desse modo, definem-se os sistemas complexos pelos nexos externos entre as partes, ou seja, por suas interações, as quais se dão supostamente segundo determinados padrões de regularidade.

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