Dos ciclos de acumulação II

No post anterior voltou-se ao chamado “ciclo sistêmico de acumulação” de Giovanni Arrighi com a finalidade de reexaminar o papel da financeirização em sua fase da desaceleração.  Neste post retorna-se a ele para enfatizar o papel das inovações tecnológicas no seu desenvolvimento, aceleração e desaceleração. Para tanto, traduz-se um artigo de Tony Smith recém-publicado em inglês na revista Logos.

Neste artigo, esse autor argumenta que o processo de acumulação de capital é uma luta sem trégua entre unidades de capital que se dá por meio da introdução de inovações de método e de produto. E que esse processo é sempre contraditório: se, por um lado, abre espaço para a valorização do valor, por outro, tende a produzir superprodução de mercadorias. Assim, além do aumento da composição orgânica do capital, a taxa de lucro tende a cair também devido ao aumento da capacidade ociosa das empresas capitalistas.

Sob essa perspectiva, Smith analisa o capitalismo contemporâneo agora globalizado. O seu ponto central é que um episódio de superprodução generalizada se manifestou na economia mundial na década dos anos 1970. E que ele foi parcialmente “resolvido” por meio da financeirização dos anos 1980 em diante, ou seja, por meio da superação de uma barreira que acabou criando uma barreira ainda maior. Ainda sob essa perspectiva, que é ainda de Karl Marx, ele examina a situação atual para apresentar nua e cruamente as suas ameaças, o seu crucial dilema.

O artigo se encontra aqui: Tecnologia e capitalismo 150 anos depois de Das Kapital

Do próximo desastre econômico

O blog One Question, mantido por Cihan Aksan e Jon Bailes, apresenta a cada mês uma pergunta crucial para um conjunto de pensadores destacados – economistas, sociólogos, cientistas políticos, etc. – solicitando que deem para ela uma resposta breve. No mês de janeiro de 2018, a pergunta foi a seguinte: estamos caminhando para outro desastre econômico? Ela foi respondida por vários autores com um “sim”, mas este “sim” variou na avaliação da gravidade do desastre. Eis aqui a fonte original.

Destacamos aqui duas delas para serem aqui traduzidas e brevemente apresentadas. Eis que as respostas de Wolfgang Streeck e de Cédric Durand, dentre todas anotadas, pareceram as mais interessantes de um ponto de vista crítico. Elas apresentaram o futuro econômico possível de um modo que faz justiça à boa tradição da crítica da economia política. Sugerem – e isto é o mais importante – que devemos estar preparados politicamente tratando desde já a catástrofe econômica vindoura como uma nova oportunidade de transformação. Eis aqui a nota com as traduções: Do próximo desastre econômico

Saída pela esquerda

Brexit ImageEste blog não trata em geral de questões de conjuntura. Mas a situação posta pelo advento do Brexit reclama uma posição. Não, porém, para ficar a favor ou contra a desintegração geopolítica que ele anuncia. Não pelo resultado do plebiscito que indicou existir uma pequena maioria favorável à saída Grã-bretanha da União Européia. Mas porque esse evento põe em evidência uma questão de fundo extremamente importante: como a esquerda deve se posicionar em relação ao redemoinho político que atravessa com força crescente o chamado “mundo ocidental”.  Sabe-se que esse redemoinho se levanta nas águas quentes da grande depressão iniciada a partir de 2007-2008 e do rolo-compressor das políticas neoliberais que continuam a ser instituídas em escala mundial. Mas o que não se sabe bem é o que fazer diante de um mundo que se torna mais ameaçador, mais opressivo e menos democrático.  Na busca de uma resposta, publica-se aqui dois pequenos artigos, um deles de Clément Homs que reflete sobre a ascensão das políticas identitárias e um outro de Slavoj Zizek que sugere um caminho para a esquerda.

O artigo de Zizek encontra-se aqui: https://arlindenor.com/2016/06/25/precisamos-entender-a-esquerda-que-apoiou-o-brexit-zizek/

Já o artigo de Clément Homs está aqui: Homs – Os fatos novos da peste identitaria