A crítica de Thomas Palley à teoria monetária moderna

Em 15/04/2019 divulgou-se um post em que foram apresentas as críticas de Anwar Shaikh à Teoria Monetária Moderna, conhecida como TMM (ou MMT em inglês). No post que hoje se publica trata-se das críticas feitas por Thomas Palley, um conhecido economista pós-keynesiano que, ao contrário de outros dessa corrente de pensamento econômico, não endossa essa teoria.

Para desenvolver os seus argumentos, Palley aponta que a TMM está construída com base em três pilares, os quais ele vai afirmar que não são sólidos como parece à primeira vista:

  1. A macroeconomia da emissão monetária para financiar os déficits orçamentários;
  2. A política de usar o Estado como empregador em última instância (EUI) que visa levar a economia ao pleno-emprego;
  3. Uma interpretação peculiar da história do dinheiro.

Em consequência, ele procura mostrar extensivamente as fraquezas de cada um dos argumentos que dão sustentação à TMM. Entretanto, a sua crítica mais importante pode ser sintetizada do seguinte modo: essa teoria supõe que o governo não está formalmente constrangido orçamentariamente porque pode, em princípio, emitir dinheiro para cobrir os seus dispêndios, mas há outras limitações.

Ela não percebe ou se omite em relação a outros constrangimentos importantes que atuam para dificultar ou mesmo impedir que ele expanda os seus gastos sem (ou mesmo com) a devida cobertura de impostos ou empréstimos. A mera inexistência de recursos disponíveis não é a única, nem a restrição mais importante na prática.

Ao final, procura-se aprofundar a sua crítica. Lembra-se, então, que o sistema de referência é capitalista e que, portanto, a sua meta primeira é a produção de valor e mais-valor – e não a produção de valores de uso, ainda que está última seja uma condição necessária da primeira.

A nota está aqui: A crítica de Thomas Palley à Teoria Monetária Moderna

Três ondas da globalização

Aquilo que é atualmente chamado de globalização vem de longe na história da era moderna. Trata-se de um processo complexo cuja descrição exige um escrito de centenas de páginas. Entretanto, é possível apresentar o seu desenvolvimento no último século e meio por meio de um indicador da evolução do comércio internacional em nível mundial.

Neste post, parte-se dessa estatística descritiva para caracterizar as últimas três ondas da globalização, as quais ocorreram, grosso modo, a partir de meados do século XIX. E se considera que elas refletem o desenvolvimento do próprio capitalismo enquanto um modo de produção que tende inexoravelmente à mundialização.

Então, à explicação pós-keynesiana de Thomas Palley para esse movimento histórico secular do capitalismo opõe-se uma explanação baseada em Karl Marx. Enquanto o primeiro autor se centra na qualidade da política econômica, o esclarecimento alternativo do padrão observado de evolução histórica se baseia num argumento estrutural que diz respeito à própria expansão da relação de capital no plano internacional, isto é, do imperialismo.

O post do blog Economia e Complexidade se encontra aqui: Três ondas da globalização – uma explicação estrutural

E o artigo de Thomas Palley pode ser encontrado aqui: Three globalization, not two…