A droga que cura a doença que produz!

Autor: Eleutério F. S. Prado

Poderá o dinheiro salvar o capitalismo? – eis a questão.

Quando ocorreu a quebra do banco Lehman Brothers em 15 de setembro de 2008, uma professora consagrada no meio acadêmico brasileiro, numa roda de economistas, declarou: “vamos voltar para a roça!”. Aludia ao efeito dominó possível que estava para ocorrer e que levaria certamente a economia mundial a um baque de proporções catastróficas. Se os bancos “too big to fail” quebrassem uns aos outros, a cadeia de tombos que se seguiria quebraria também um grande número de empresas produtoras de bens e serviços, de tal modo que o desemprego poderia atingir níveis altíssimos, cerca de trinta por cento ou mais da força de trabalho mundial.

O que garantiu a sobrevivência do sistema foi, como se sabe, uma política monetária inédita na história do capitalismo. A emissão em larga escala de dinheiro fiduciário pelos bancos centrais dos países ricos para comprar títulos dos bancos em situação de risco evitou que ficassem sem liquidez e, em consequência, ruíssem por inadimplência generalizada. Essa política econômica ficou conhecida pelo termo “relaxamento monetário” ou Q E (quantitative easing). Ora, um raciocínio simples diria: o dinheiro salvou o capitalismo; por sua causa, não voltamos todos a capinar para garantir o sustento da família!

Eis, na figura em sequência, um gráfico que dá uma ideia visual da dimensão do relaxamento monetário nos Estados Unidos. Note-se que o montante de ativos do banco central cresceu fortemente entre 2008 e 2014, estacionou daí até 2019, mas voltou a se elevar fortemente em consequência da crise do Covid-19. Em resumo, entre 2007 e 2021, cresceu oito vezes!

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