Do anarcocapitalismo à auteridade

Michael Roberts – The next recession blog – 15/04/2025

No dia 14 de abril, o FMI anunciou que concordou em emprestar ao governo argentino Milei mais US$ 20 bilhões (além das dívidas existentes contraídas no passado) para ajudar o governo a cumprir suas obrigações de dívida e restaurar as suas reservas cambiais em rápida queda. O acordo de empréstimo liberará US$ 12 bilhões iniciais, com mais US$ 3 bilhões chegando no final do ano.  

O governo diz que deve receber US$ 28 bilhões somente em 2025, incluindo US$ 15 bilhões de dinheiro do FMI, US$ 6 bilhões de outros credores multinacionais, US$ 2 bilhões de bancos globais e US$ 5 bilhões da extensão de um swap cambial com a China. Milei se gabou de que “o que o seu governo terá uma montanha de dólares“; eis que tema meta de dobrar as reservas cambiais brutas para US$ 50 bilhões.

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Cortando o Estado, mas mantendo a Segurança

Autor: Pablo Pryluka [1]- Argentina sob a motosserra de Milei

A ascensão de Javier Milei à presidência da Argentina veio com todos os tipos de promessas de reparação econômica, política e cultural. Em um discurso de campanha, no período que antecedeu as eleições de outubro de 2023, Milei afirmou que, caso seu partido, La Libertad Avanza, chegasse ao poder, “a Argentina poderia alcançar padrões de vida semelhantes aos da Itália ou da França em quinze anos. Se você me der vinte anos”, continuou ele, “a Alemanha” será alcançada. E se você me der trinta e cinco anos, os Estados Unidos serão alcançados.

Quando ele de fato assumiu o cargo em dezembro daquele ano, ele o fez com uma agenda política ousada, mas com pouco apoio do Congresso. La Libertad Avanza conquistou apenas 15% dos assentos na Câmara de Deputados e 10% no Senado, ambos dominados por peronistas, de um lado, e Juntos por el Cambio, a coalizão que levou Mauricio Macri à presidência em 2015, do outro. As promessas foram grandes, mas, embora vitoriosa, Milei teve um espaço apertado para manobrar. 

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A destruição de Milei. Criativa?

Michael Roberts – The next recession blog – 10/12/2024

Faz um ano que o autoproclamado “anarcocapitalista” Javier Milei se tornou presidente da Argentina. Ele assumiu o poder em um país em que a inflação anual estava em 160%, mais de quatro em cada 10 pessoas estavam abaixo da linha da pobreza e o déficit comercial era de US $ 43 bilhões. Além disso, havia uma dívida assustadora de US$ 45 bilhões com o Fundo Monetário Internacional, além de US$ 10,6 bilhões a serem pagos ao credor multilateral e aos credores privados.

O governo peronista anterior falhou miseravelmente em entregar expansão econômica, uma moeda estável e inflação baixa. Ademais, também não conseguiu acabar com a pobreza e reduzir a desigualdade. A taxa oficial de pobreza da Argentina subiu para 40% no primeiro semestre de 2023. De acordo com dados disponíveis de desigualdade mundial, o 1% mais rico dos argentinos tinha 26% de toda a riqueza pessoal líquida, os 10% mais ricos tinham 59%, enquanto os 50% mais pobres tinham apenas 5%! Em termos de renda, o 1% mais rico obtinha 15%, os 10% mais ricos arrumavam 47% e os 50% mais pobres ficavam apenas com 14%.

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Ordocapitalismo e anarcocapitalismo

Autor: Eleutério F. S. Prado[1]

Introdução

Neste artigo faz-se um esforço para compreender essas duas formas extremas – e extremistas – de capitalismo, as quais contrariam o curso normal do capitalismo (liberal ou socialdemocrático). Elas assomam na história quando o capital enfrenta crises que não consegue superar por meio do mero funcionamento mercantil – quedas ou aumentos da produção, expansão e contração os mercados, destruição e criação de capital. De modo preliminar, indica-se aqui que a primeira forma mencionada apareceu com os fascismos históricos e que a segunda tem se manifestado por meio dos extremismos neoliberais, que estão prosperando em várias partes do mundo.

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