Um socialismo possível para o futuro

Autor: Aaron Benanav [1]

O primeiro artigo está aqui. O segundo artigo está aqui.

Título original: Beyond capitalism – Groundwork for a multi-criterial economy [2]

Primeiros passos

Como uma economia moderna poderia funcionar se fosse movida por múltiplos objetivos sociais em vez de ser regida pela busca do lucro privado? A primeira parte desta contribuição discutiu as formas como a tradição socialista clássica enfrentou essa questão, desde os utopistas do século XIX aos industrialistas da Rússia Soviética, passando pelos planejadores da Viena Vermelha, pelos socialistas guildas da Grã-Bretanha eduardiana e pelos arquitetos do estado de bem-estar social do pós-guerra. Um grande problema que essa tradição não conseguiu resolver foi como projetar instituições capazes de entreter múltiplos objetivos determinados democraticamente – eis que esses fins variados precisariam ser articulados e compostos a partir da alocação adequada dos recursos limitados.

As primeiras ideias de regulação da economia pela comunidade dos participantes não conseguiram sobreviver à crescente diferenciação das estruturas econômicas e sociais criada pelo desenvolvimento capitalista a partir da década de 1870. Esse desenvolvimento criou processos de produção em camadas, bem complexos, assim como formas de conhecimento e visões particulares de mundo, às vezes mutuamente ininteligíveis. Ademais, novas lutas sociais – feministas, anticoloniais, antirracistas – avançaram valores concorrentes, talvez incompatíveis entre si: autonomia, igualdade, reconhecimento. Ao impor um plano uniforme de produção, o sistema soviético sobrepôs-se à sustentação de objetivos mais amplos. Ao impor a busca da produção máxima, ele ignorou diferenças locais reais, com resultados perversos.

Organizar uma economia com base em múltiplos objetivos aumenta dramaticamente a complexidade da tomada de decisões. Eis que os conflitos éticos e políticos duradouros vão persistir. Mesmo se um consenso amplo possa ser alcançado, restrições materiais e técnicas impedirão que todas os propósitos possam ser realizados, exigindo que trocas compensatórias (trade-offs) sejam negociadas. Além disso, a incerteza irredutível quanto ao futuro implica que nunca será possível prever totalmente as consequências das decisões ou antecipar novos desejos e necessidades. Assim, a correção de curso precisa fazer parte do processo de tomada de decisão.

O resultado do processo envolverá necessariamente disputa política contínua. Como Otto Neurath reconheceu que isso significa que as instituições de uma economia multicriterial devem ser projetadas não para suprimir desacordos, mas para articulá-los como alternativas inteligíveis, assim como para estruturar as escolhas entre elas.[3] Otto Neurath e seus seguidores na Viena dos anos 1920 avançaram nessa linha de pesquisa, mas a ascensão do nazismo esmagou e dispersou tais esforços antes que eles pudessem descobrir o que precisava ser feito.

 O ponto de partida teórico se encontra na percepção de Neurath de que diferentes objetivos e valores – como trabalho de boa qualidade e moradia para todos ou, talvez, agricultura sustentável e equilíbrio ecológico – não são substituíveis entre si; eles não podem ser avaliados por meio de redução de seus valores intrínsecos a uma única métrica para serem, em sequência, classificados ou ‘otimizados’ de acordo com essa métrica.

Os seus eventuais benefícios precisam ser expressos como tais, pelo que são em si mesmos; é apenas a partir de sua própria diversidade é que eles podem ser avaliados politicamente.[4] Contudo, alguns cursos de ação podem ser descartados desde o início, por custarem mais e entregarem menos em todas as dimensões relevantes – eis que são opções ditas “dominadas”, nos termos da teoria da escolha racional. Mas entre as opções viáveis que restam, pode não haver uma forma automática de determinar a melhor; eis que não existem um algoritmo capaz de fazer a escolha final. Tem-se, assim, o que é conhecido como problema de ordenação parcial, que ocorre porque as alternativas podem ser parcialmente ordenadas, mas não podem ser totalmente ordenadas.

Note-se que problemas de ordenação parcial surgem em todos os níveis da vida econômica: nas residências, na decisão de como alocar tempo e recursos; nas empresas, selecionar insumos e métodos de produção; em órgãos de investimento, avaliando futuros concorrentes. Do ponto de vista técnico – é de se ressaltar – pode não haver uma única resposta ótima.

Contudo, mesmo se os objetivos são incomensuráveis, uma escolha do ponto de vista econômico e político precisa ser feita.[5] Isso exige uma mudança da otimização para a composição; e essa é também uma mudança da teoria para a prática. A questão que fica é a seguinte: como a composição dos fins valorados positivamente pode ser organizada institucionalmente nas condições verificáveis do mundo real?

Mais alguns passos

No que segue, começa-se com uma breve visão geral do conjunto institucional que permitirá o florescimento de uma economia multicriterial.  Depois, discute-se com mais detalhes como cada elemento desse conjunto funcionaria, quais práticas capitalistas seriam substituídas e quais seriam os seus efeitos sociais. Deve-se enfatizar, desde logo, que não se apresentará aqui um projeto para ser realizado.

Simplesmente se esboçará os mecanismos principais por meio dos quais o desafio de substituir a busca pelo lucro por outros valores contestáveis pode encontrar uma resposta. Assim, o que se segue deve ser visto como um arcabouço do design institucional – insuficientemente especificado. Dá-se nomes simples e rasos, deliberadamente, às instituições; eis que se opera em um nível de abstração suficiente para que as ideias possam ser aplicáveis eventualmente em contextos nacionais variados,                 que sejam, pois, adaptáveis às culturas, histórias e lutas específicas.

Em segundo lugar, é preciso dizer que não se apresenta uma teoria sobre quais valores deveriam ser atendidos por meio da fixação de objetivos. O presente autor tem as suas próprias opiniões sobre o que mais importa – por exemplo, sobre como se deveria responder às mudanças climáticas e sobre que tipo de mundo deveria ser construído em seu rastro. Mas os leitores não encontrarão essas opiniões no que se segue. O objetivo não é prescrever os contornos de um resultado ideal, mas sugerir uma estrutura dentro da qual as pessoas possam debater e resolver essas questões por conta própria.[6]

No entanto, nenhum sistema de escolha coletiva pode ser legítimo se as pessoas decisoras não tiverem acesso a meios de subsistência, educação, saúde, tempo ou voz. Sem um compromisso com uma base compartilhada de direitos e direitos, sem liberdades reais e garantias materiais, a deliberação se tornaria completamente vazia. Como esses direitos são definidos e o que eles incluem pode variar. Mas esse arcabouço assume que a provisão de serviços básicos universais e renda é a condição que permite que as pessoas se envolvam plena e livremente nas decisões que estruturam o mundo em que vivem. É isso que torna o projeto emancipatório — o que o torna socialista.

Além do motivo de lucro

A estrutura de uma economia multicriterial aqui prevista implica numa série de rupturas estruturais. A acumulação de capital e o trabalho assalariado são ambos abolidos. O investimento não é mais movido pela busca pelo lucro, mas pelo propósito de atender necessidades socialmente definidas, enquanto sustenta uma diversidade mais ampla de fins que indivíduos e comunidades escolhem buscar.

 Os trabalhadores não dependem mais de seus empregadores para sua renda, pois ela passa a ser fornecida por associações técnicas. Todos os provedores – estejam eles produzindo bens públicos, bens privados ou serviços pessoais – são entidades sem fins lucrativos. Prevê-se um papel importante para as ofertas de bens e serviços públicos, especialmente em setores como habitação, educação, saúde, cuidados e cultura, que absorverão quantidades significativas de mão de obra e recursos. Mas os mercados consumidores continuarão sendo arenas vitais em que as escolhas pessoais se efetivam.

Mesmo se o consumo final estiver em grande parte des-mercantilizado, a produção deve depender de amplas trocas de insumos entre as empresas. Basta pensar na ampla gama de bens e serviços intermediários necessários para produzir os produtos finais mais básicos. Uma padaria precisa de fornos, farinha, serviços de limpeza, manutenção, software de contabilidade, embalagens, transporte e muito mais. Uma clínica de bairro depende de equipamentos especializados, serviços de esterilização, diagnósticos laboratoriais, farmacêuticos e técnicos de reparo. As trocas entre empresas são, pois, essenciais para qualquer economia complexa. Por isso mesmo, as próprias empresas devem ser capazes de escolher seus fornecedores, mudá-los em resposta a atrasos ou problemas de qualidade e experimentar novas abordagens e parcerias. A troca de mercado permite esse tipo de flexibilidade e capacidade de resposta, especialmente quando a produção é distribuída entre várias unidades produtivas.[7]

A questão, então, não é se existem mercados, mas como organizá-los sem cair em uma lógica estreita orientada pelo lucro, com as empresas focadas exclusivamente na ‘eficiência’ de redução de custos e aumento de receitas como sua principal preocupação estrutural. Uma economia multicriterial não pode ser organizada dessa forma. Entre os seus objetivos não estaria desprezar valor da eficiência econômica, mas colocá-la dentro de um quadro mais amplo: ponderar possíveis ganhos de eficiência junto com outros valores, como melhorias na sustentabilidade, qualidade do trabalho ou coesão do bairro.

Isso exige uma mudança estrutural. As empresas não dependerão mais dos excedentes de receita para pagar salários ou financiar futuros investimentos. Essas funções serão realizadas por associações técnicas e conselhos de Investimento, os quais teriam uma responsabilidade orientada democraticamente. Esse arcabouço preserva os benefícios da troca de mercado – resposta a condições em mudança, experimentação, inovação – inclusive onde mais importam, ou seja, nas trocas entre empresas que sustentam o processo produtivo mais amplo.

A introdução de um sistema monetário digital baseada em dupla moeda é o passo crítico para romper a ligação entre lucros, salários e investimento – mantendo a troca de mercado. Duas moedas distintas estruturam transações: créditos são usados por indivíduos para consumo pessoal; pontos são usados por empresas e associações para transações e investimentos interorganizacionais. Essas moedas não são conversíveis entre si – não há uma taxa de câmbio direta que regule a relação econômica que possam ter.  

Essa separação garante, em primeiro lugar, que as rendas destinadas ao consumo fiquem limitadas a exercerem essa função. Os indivíduos não podem usar seus créditos para adquirir ativos produtivos, financiar investimentos ou influenciar decisões coletivas. Os desembolsos para apoiar a vida cívica, política e associativa são feitos na moeda de pontos – distinguindo-os claramente dos créditos para gastos pessoais. Da mesma forma, as empresas não podem usar pontos como fonte de lucro: pontos não podem ser guardados, reinvestidos ou convertidos em rendas de crédito.

Essa divisão das funções monetárias rompe a ligação estrutural entre eficiência em si e acumulação privada. Incentiva as empresas a gastarem todos os seus orçamentos operacionais a cada ciclo sem serem motivadas a maximizar o superávit. Também possibilita um processo de investimento distinto, governado democraticamente – separado das operações da empresa – por meio de “conselhos de investimento”, que permitem que outros valores sejam aplicados na formação do processo produtivo.

Num livro-razão digital aberto, que se denominará aqui de “matriz de dados”, ficarão registrados os fluxos de pontos e créditos, estes últimos em forma anonimizada, à medida que são distribuídos e gastos. Ao acompanhar as compras em tempo real, cria-se um vasto espelho estatístico da economia. De acesso livre, dessa matriz poder-se-á obter relatórios, ou seja, pode-se consultá-la sobre as tendências macroeconômicas ou sobre os padrões de desempenho setoriais. As empresas podem usar isso para antecipar e para adaptar seus cronogramas de produção, reduzindo estoques para gerenciar os recursos de forma mais eficaz.

 Cada compra anonimizada feita por meio da moeda de crédito – e isso é bem crucial – pode ser vinculada a jusante ao sistema de pontos, mapeando como as escolhas individuais de consumo e as decisões produtivas das empresas se propagam por cadeias de suprimentos mais amplas, tornando possível compreender os efeitos econômicos mais amplos que as compras dão início. A partir disso, uma infraestrutura poderosa de previsão pode ser construída para iluminar futuros possíveis. A matriz de dados permite que qualquer pessoa consulte as previsões e execute simulações sob a determinação da questão básica ‘e se?’ para ver quais mudanças de políticas ou investimentos podem produzir diferentes resultados.

Dentro do quadro aqui previsto, os indivíduos acessam recursos por quatro canais principais: serviços básicos universais; uma renda básica universal, denominada em créditos; uma renda baseada no trabalho, também paga em créditos; e um orçamento, denominado em pontos livres, que podem ser destinados às organizações cívicas, culturais e políticas que apoiam, permitindo que esses órgãos – conhecidos como “associações livres” – operem dentro da economia de pontos.

Ao mesmo tempo, as moedas digitais são emitidas sob a disciplina de uma restrição orçamentária geral, com alocações macroeconômicas decididas em geral por debate democrático e válidas para a economia como um todo. Isso dá forma prática e urgência ao processo de otimização multicriterial tal como descrito acima. Cada um dos principais atores econômicos – famílias, empresas, conselhos de investimento, associações técnicas – enfrenta um problema de composição: como ponderar múltiplos objetivos incomensuráveis entre si – tais como segurança, autonomia, significado e eficiência – dentro de certos limites de tempo, disposição de moeda e insumos materiais? A soma de suas escolhas, informada pelas decisões macroeconômicas do demos, determina a forma e o caráter da sociedade multicriterial.

A empresa aqui se refere a todos os produtores, independentemente de sua escala ou estrutura: operadores de conta própria, pequenas lojas, cooperativas maiores ou empresas gigantescas que empregam milhares de pessoas. Empresas são entendidas como instituições que reúnem pessoas com diferentes habilidades e conhecimentos em colaboração intencional, estruturada por rotinas organizacionais, para atender a alguma necessidade ou desejo socialmente identificado.[8] Dentro da economia multicriterial, eles são atendidos por meio de investimento

Os conselhos são geridos pelos trabalhadores, de propriedade pública e sem fins lucrativos, com uma alocação específica de pontos. Empresas que prestam serviços do setor público – clínicas, bibliotecas, associações habitacionais, escolas – recebem um orçamento em pontos per capita da população atendida. As empresas que produzem bens e serviços para consumo individual recebem pontos com base em sua participação de mercado nos gastos de consumo.

 Operando dentro das restrições orçamentárias, todas as empresas devem alocar seus recursos entre objetivos concorrentes: atender a altos padrões de qualidade de serviço ou produto, reduzir o impacto ecológico, melhorar as condições de trabalho, construir resiliência a choques ou manter a democracia interna. As empresas usam alguns de seus pontos para pagar às associações técnicas pela contratação de mão de obra, cujo preço varia conforme a demanda; outros pontos são gastos no aluguel de terras e infraestrutura de propriedade pública, ou em transações entre empresas. As empresas também apresentam propostas para investimentos futuros, para as quais novos pontos serão emitidos, conforme decidido pelo Conselho de Investimentos setorial.

O investimento é o principal mecanismo que impulsiona a transformação da economia ao longo do tempo. É por meio dele que a sociedade expande a capacidade, melhora equipamentos ou, eventualmente, muda completamente de direção. Em uma economia multicriterial, o investimento não é guiado pelos retornos financeiros esperados, mas por julgamentos sobre como dar priorizar frente a futuros alternativos. Essas decisões se desenrolam em três níveis aninhados. Pequenas melhorias são realizadas por meio de alocações diretas às empresas pelos conselhos de investimento setoriais. Projetos maiores e estratégias de longo prazo são objeto de deliberação informada e votação pelos conselhos, que incluem representantes eleitos dos trabalhadores desse setor, além de consumidores, comunidades e especialistas provenientes de associações técnicas.

Transformações intersetoriais – como descarbonização, reparação de erros passados ou redução da semana de trabalho – são supervisionadas por comitês coordenadores específicos de cada projeto. Em cada nível, as decisões de investimento enfrentam o mesmo desafio: como ponderar prioridades legítimas, mas frequentemente incompatíveis, dentro dos limites dos recursos disponíveis. Restrições orçamentárias obrigam a priorização, ajudando a estruturar os desacordos e permitir a composição transparente entre caminhos rivais, como um procedimento coletivo para navegar por laços incertos e produzir as trocas substitutivas (trade-offs) necessários.

O trabalho é organizado por uma rede de associações técnicas, constituídas segundo o modelo clássico das guildas profissionais, sindicatos e órgãos de acreditação, mas com um mandato ampliado para recrutamento e distribuição salarial, bem como para treinamento, educação adicional e pesquisa. As associações técnicas têm responsabilidade especial por integrar expertise técnica na deliberação pública, elegendo representantes especialistas para ajudar a orientar decisões estratégicas.

Isso abrange não apenas engenheiros e cientistas, mas também profissionais tais como artesãos, cuidadores, cozinheiros, faxineiros e qualquer pessoa cujo conhecimento possa ajudar a moldar a produção e o abastecimento. As atividades internas das associações técnicas também são moldadas por problemas de ordem parcial, pois determinam como alocar recursos limitados – dentro das limitações impostas por seus próprios orçamentos de pontos associativos – em múltiplas missões e prioridades, desde programas de recrutamento e treinamento até P&D. Ao lado delas, estão as associações livres cívicas e culturais, apoiadas por financiamento pelo sistema de ‘pontos grátis’.

Juntamente com as associações técnicas, as associações livres sustentam a vida cultural e intelectual da sociedade, animando um campo mais amplo de esforço coletivo – produção artística, organização política, pesquisa independente, expressão religiosa. As associações livres atuam não apenas como manter certos valores valor, mas também para criar novos valores, ajudando a sociedade a revisitar e remodelar continuamente o que ela considera valioso. Embora definam seus próprios objetivos e não sejam responsáveis por entregar resultados socialmente impostos, as associações cívicas e culturais ainda enfrentam seus próprios problemas de composição: escolher como perseguir objetivos plurais dentro de reais restrições orçamentárias.


[1] Professor assistente no Departamento de Desenvolvimento Global da Universidade Cornell. Autor de Automação e o futuro do trabalho, Boitempo, 2025.

[2] Introdução e primeira seção da segunda parte do artigo Aaron Benanav, Beyond Capitalism: Groundwork for a Multi-Criterial Economy, os quais foram publicados  os quais foram originalmente publicados no número 153 e no número154, maio-junho de 2025 e julho-agosto de 2025, na revista New Left Review. Este blogue já publicou aintrodução da primeira parte, assim como a última seção da primeira parte dos referidos artigos.

[3] Otto Neurath, Otto Neurath, Socialist Utility Calculation and Capitalist Profit Calculation’, em Thomas Uebel e Robert Cohen, eds, Economic Writings, Selections 1904–1945, Heidelberg 2004.

[4]  Esse tipo de avaliação torna impossível a análise tradicional de custo-benefício. Veja Frank Ackerman e Lisa Heinzerling, Priceless: Priceless: On Knowing the Price of Everything and the Value of Nothing, New York 2004; John O’Neill, Cost–Benefit Analysis, Rationality and the Plurality of Values’, The Ecologist, vol. 26, no. 3, 1996.

[5] Veja-se Ralph Keeney and Howard Raiffa, Decisions with Multiple Objectives: Preferences and Value Tradeoffs, Cambridge, 1976; Bernard Roy, Multi-Criteria Methodology for Decision Aiding, Dordrecht 1996; Valerie Belton and Theodor Stewart, Multiple Criteria Decision Analysis: An Integrated Approach, Boston 2002. O que é imaginado aqui não é tanto uma crítica à teoria da escolha racional, mas sim uma teoria alternativa do que contaria como escolha racional. Veja-se Catherine Herfeld, The Diversity of Rational Choice Theory: A Review Note, Topoi, vol. 39, no. 2, 2020; Amartya Sen, ‘Reason and Justice: The Optimal and the Maximal’, Philosophy, vol. 92, no. 1, 2017.

[6] Embora esse argumento possa se assemelhar às teses de Rawls sobre o “justo valor” das liberdades políticas, o objetivo aqui não é idealizar uma lista fixa de direitos, mas enfatizar as características de um esquema que tenha papel facilitador na tomada de decisões coletivas — reconhecendo que sua contenção é, em si, motivo de contestação política.

[7] Veja-se Benanav, Beyond Capitalism – 1; veja-se, também, Pat Devine, Democracy and Economic Planning: The Political Economy of a Self-Governing Society, Cambridge 1988.

[8] Isso distingue as empresas das associações, que também organizam pessoas para propósitos comuns, mas cujos objetivos são definidos de forma autônoma.

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