Por que quebrou?

Está sendo lançado um livro bem importante sobre a Crise de 2008, assim como sobre a Grande Recessão que veio em sua esteira: Crashed – How a decade of financial crises changed the world. Ou seja, em tradução aproximada: Quebrou – Como uma década de crises financeiras mudou o mundo. Ele foi escrito pelo historiador britânico Adam Tooze que, atualmente, é professor da Universidade de Columbia, EUA.Capa Adam Tooze

Aqui se publica uma resenha desse livro, feita pelo famoso blogueiro marxista Michael Roberts, com a finalidade de chamar a atenção para o seu conteúdo crítico – e crucial. Pois, tudo indica que estamos passando por um período muito dramático, certamente transformador, na história do mundo.

Ora, o sistema econômico vai continuar passando por grandes turbulências e a democracia realmente existente está se tornando iliberal. É, pois, preciso ficar atento porque a “era de ouro” e a democracia liberal do pós-guerra não vão voltar como dádivas. Uma disputa está sendo travada e ela versa, portanto, sobre o sentido dessa transformação.

O que esperar: uma democracia socialista radicalizada ou o advento de novos autoritarismos ou mesmo de fascismos já que os atuais governos neoliberais estão se mostrando incapazes de resolver satisfatoriamente os problemas que o desenvolvimento do capitalismo (crise ecológica, crise de migrações, crise de representatividade, etc.) criou historicamente?

Eis aqui a resenha: Mais sobre como quebrou do que por que quebrou

 

Aversão ao pleno-emprego?

O economista marxista indiano Prabhat Patnaik procurou defender ainda o sistema de acumulação centralizado que ainda é usualmente chamado de socialismo ou de socialismo real. “O velho regime socialista” – diz ele em seu escrito (em inglês) denominado Por que o socialismo não tem crises de superprodução? – “tem sido objeto de muita difamação”…

Segundo ele, o socialismo, ao contrário do capitalismo, visa o pleno-emprego. Pois, os capitalistas, ao contrário dos líderes socialistas, segundo ele ainda, têm aversão à máxima ocupação da força de trabalho. Será que essa tese é verdadeira? Ou ela provém, em última análise, de uma infiltração do individualismo metodológico no campo do marxismo?

No post aqui apresentado procura-se mostrar por que o sistema de acumulação descentralizado, ou seja, o capitalismo, não se instala no pleno-emprego e por que o sistema de acumulação centralizado, incorretamente chamado de socialismo, nele permanece.

Apesar dessa diferença de comportamento macroeconômico, argumenta-se aqui que ambos esses sistemas enquanto sistemas são guiados pela acumulação de capital. E, se assim é, procura-se mostrar por que ocorre essa apontada diferença?

A resposta do blog está aqui: Capitalismo, socialismo e pleno-emprego

Do totalitarismo implícito

Este post encaminha uma nota em que se examina a tese de um cientista político norte-americano (Sheldon Wolin) sobre a natureza da democracia nos Estados Unidos. Ela argui – contra toda a opinião estabelecida no “mundo ocidental” – que o sistema político dos Estados Unidos da América do Norte se encontra completamente dominado pelo poder das grandes corporações e que, por isso, não é de fato democrático – mas, ao contrário, totalitário.

Segundo esse autor, entretanto, trata-se de um totalitarismo invertido. Pois, nos regimes totalitários reconhecidos como tais a economia estava subordinada à política. Mas nos regimes totalitários apenas aparentemente democráticos ocorre o contrário: a política está, ainda que sub-repticiamente, subordinada à economia, isto é, ao comando dos lobbies corporativos que atuam sempre em detrimento dos interesses da grande maioria.

Aqui se procura argumentar, primeiro, que esse autor tem uma compreensão inadequada da função do sistema econômico na sociedade moderna. Em que, em consequência, não vê que a economia dominava a política também nos regimes totalitários que chama de “clássicos”.  Ademais, busca-se sustentar que existe, sim, um potencial totalitário, mas que ele se encontra implícito nos atuais países apresentados como simplesmente democráticos.  Trata-se, entretanto, de um poder que não se torna total, pelo menos enquanto não está ameaçado, porque está contido por forças sociais contra-arrestantes, as quais se originam de uma certa anarquia conflituosa que é inerente ao próprio capitalismo.

A nota se encontra aqui: Do totalitarismo invertido – e implícito

O artigo original: Sheldon Wolin e o totalitarismo Invertido