Para a crítica da economia tecnocrática

Como se sabe, a Crítica da Economia Política consiste num objetivo conjugado da apresentação dialética do sujeito automático na obra O capital, o déspota sistêmico que rege o funcionamento do modo de produção capitalista e condiciona tanto as instituições como os comportamentos dos indivíduos na sociedade burguesa.

Essa crítica, como também se sabe, parte de uma diferença que foi indicada pelo próprio Marx numa nota de rodapé do primeiro capítulo desse livro monumental: a economia política clássica distingue-se porque “investiga o nexo interno das condições de produção burguesas”, enquanto que a economia vulgar visa apenas “o nexo aparente (…) oferecendo um entendimento plausível dos fenômenos”. Também se sabe que a economia vulgar foi consagrada como tal já nas últimas décadas do século XIX, pois se passou a considerar esse saber como ciência positiva por excelência.

A crítica marxiana, portanto, consiste, por um lado, em mostrar a aparente veracidade ou mesmo a falsidade das formulações da economia vulgar e, por outro, em retificar as teorias clássicas, eliminando as suas confusões, mas especialmente vinculando de maneira correta a forma e o conteúdo, a aparência e a essência das relações de produção capitalistas. Um elemento central dessa crítica, como atualmente se admite sem contestação, consiste em mostrar como toda essa cientificidade, vulgar ou não, cai no fetichismo da mercadoria, do dinheiro e do próprio capital. Não há dúvida, ademais, que esse modelo de crítica continua importante no século XXI, mesmo se se pode considerar que se tornou insuficiente.

A razão pela qual se tornou necessário ir além da crítica da economia política vem da necessidade de fazer uma crítica da economia tecnocrática, a qual ainda não existia como tal no tempo de Marx. Eis que a primeira foi substituída aos poucos, a partir do último quartel do século XIX, por uma cientificidade que se vale dos recursos do cálculo diferencial para criar um saber cada vez mais apropriado à governança do capitalismo.

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Questionando a noção de utilidade

Vídeo

Os livros de microeconomia tratam da “utilidade” como se esta fosse algo bem evidente. “Os economistas” – diz um deles – “conceituam “utilidade” como uma singularidade que torna uma mercadoria desejada. Trata-se de um fenômeno subjetivo, porque cada pessoa é diferente da outra”. “Qualquer bem ou serviço deliberadamente consumido proporciona utilidade”.

É mesmo? O que é afinal utilidade?

No vídeo apresentado em sequência, a noção de utilidade é questionada. Apresenta-se como diversos economistas importantes na História do Pensamento Econômico a compreenderam e se mostra, em sequência, que ela é vazia ou uma transfiguração subjetiva do dinheiro. Questiona-se, finalmente, se a teoria neoclássica é de fato uma teoria científica.