Uma tormenta nos mercados financeiros?

Autor: Michael Roberts

Alta dos juros chega aos países ricos, provocada pela guerra e temor de crise nas cadeias produtivas. Bancos centrais escolhem “resposta” que favorece os rentistas, não enfrenta o problema e ampliará desigualdade, estagnação e desilusão política.

Font origianal: The next recession blog – Tradução: Antônio Martins – Outras palavras

A mídia financeira e os economistas tradicionais estão em polvorosa. Os rendimentos dos títulos dos governos subiram acentuadamente desde o fim da crise da pandemia, retornando a níveis não vistos desde a crise financeira global de 2008-2009.

O que significa um aumento nos “rendimentos – ou margens — dos títulos”? Quando os Estados e as grandes empresas tomam dinheiro emprestado, eles não pedem um empréstimo a um banco. Em vez disso, vendem títulos de dívida a investidores e prometem reembolsar o dinheiro com uma determinada taxa de juros. Quando esses títulos preveem reembolso em muitos anos, são chamadas de bônus. As promissórias que os governos pagarão mais rapidamente — em alguns meses ou um ano — são chamadas de letras.

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Mercados financeiros no capitalismo contemporâneo

Michael R. Krätke

O novo reinado dos mercados financeiros globalizados

Mesmo que isso possa sempre surpreender alguns é preciso dizer que o capitalismo moderno constitui, desde os seus primórdios, uma economia de crédito e de endividamento. Revoluções financeiras e industriais permeiam seu desenvolvimento, fortemente marcado por saltos. Na hierarquia dos mercados, que caracteriza a forma histórica de uma economia de mercado capitalista, os mercados financeiros (mercado monetário e de crédito) estão e estão sempre colocados no topo. Nesses mercados trocam-se ficções. É aí que o mundo extremamente artificial, “de cabeça para baixo”, do capitalismo se ergue, anda e salta “de cabeça”. Para o capitalismo, como religião cotidiana, a mitologia dos mercados financeiros é indispensável.

Os mercados financeiros sempre tiveram caráter internacional. Hoje, são multipolares, em rede e quase globalizadas. Alguns dos mestres desses mercados, como fundos multinacionais e operadores do mercado de ações, são o que chamamos de players globais. No entanto, os seus clientes, as pessoas comuns desses mercados, não são. O capital que circula nesses mercados comporta-se de forma altamente móvel e globalizada participando de muitos negócios no interior dos limites do mundo dos mercados financeiros internacionais. O volume dos mercados financeiros internacionais, ou seja, a soma total das transações neles realizadas, de alguma forma explodiu durante as décadas de 1980 e 1990.

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