Socialização do capital I

Autor: Eleutério F. S. Prado[1]

É bem sabido que Marx, já em meados do século XIX, contemplou o processo de socialização do capital, ou seja, a superação da forma pela qual as empresas figuram como “capital privado” de certas pessoas pela forma em que se apresentam como “capital social” detido coletivamente por conjuntos de pessoas, pelo Estado e mesmo por outras empresas (mas não necessariamente por todos).

A compreensão do surgimento dessa última forma começa pelo entendimento de que a emissão e a venda de ações para o público – signos que representam uma parte alíquota do capital próprio de uma ou mais empresas – constitui-se numa forma especial de obter crédito e, assim, recursos extras para o funcionamento e para a expansão das operações que lhes dão vida econômica. Eis como apresentou esse desenvolvimento:

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Nossas vidas em seus portfólios

Resenha do livro Our Lives in Their Portfolios: Why Asset Managers Own the World (London: Verso Books, 2023. 320 pp.) de Brett Christophers. O escrito dos dois autores abaixo indicados foi publicado originalmente em Marx & Philosophy – Review of Books em 24 de abril de 2024.

Autores: Thomas Klikauer [1] e Thu Nguyen [2]

Desde a crise financeira global, os grandes bancos ficaram em segundo plano e os gestores de ativos se tornaram – tal como eles próprias costumam se autodenominar – os novos especialistas e administradores do capitalismo. Contudo, eles, como um todo, também possuem ativos globais de habitação e infraestrutura além dos ativos propriamente financeiros.

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