Do Consenso de Washington ao de Londres?

Michael Roberts – The next recession blog – 16/01/2026

O Consenso de Washington consistia num conjunto de dez prescrições de política econômica, as quais, nas décadas de 1980 e 1990, eram consideradas como um pacote “padrão”. Recomendava reformas a serem implementadas nos países em desenvolvimento que passassem por crises, sob o controle do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, instituições multilaterais instaladas em Washington DC.

O termo Consenso de Washington foi cunhado, em 1989, pelo economista britânico John Williamson. Tornou-se depois uma base para políticas globais destinadas a promover “mercados livres”, tanto domésticos quanto globais, além de redução do papel do Estado por meio de privatizações e ‘desregulamentação’ dos mercados de trabalho e financeiros. O seu lema era “mantenha os gastos e déficits do governo baixos e deixe o mercado fazer seu trabalho”. Na prática, o Consenso de Washington era um conjunto de diretrizes econômicas que formava o núcleo do que depois viria a ser chamado de “neoliberalismo”.

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O novo Consenso de Washington

Autor: Michael Roberts – Fonte: The next recession blog – 08/06/2023

No mês de março deste ano, o conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Jake Sullivan, delineou a política econômica internacional do governo americano.  Fez um discurso fundamental porque, como graduado funcionário, nele explicou em que consiste o chamado de Novo Consenso de Washington sobre a política externa dos EUA.

O Consenso de Washington original constituía-se de um conjunto de dez prescrições de política econômica consideradas como um pacote de reformas “padrão” destinado aos países em desenvolvimento em crise de crescimento. Ele seria fomentado por instituições sediadas em Washington, D.C., como o FMI, o Banco Mundial e o Tesouro dos EUA. O termo foi usado pela primeira vez, em 1989, pelo economista inglês John Williamson.

As prescrições abrangeram políticas de promoção do livre mercado, como a “liberalização” comercial e financeira e a privatização de ativos estatais. Recomendavam também políticas monetárias e de gasto público destinadas a minimizar os déficits orçamentários e a despesa pública.  Era o modelo de política neoclássico aplicado ao mundo e imposto aos países pobres pelo imperialismo norte-americano e suas instituições aliadas.  A chave era o “livre comércio” sem tarifas e outras barreiras, o livre fluxo de capitais e a regulação mínima – um modelo que beneficiava especificamente a posição hegemônica dos EUA.

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