Desenvolvimento (pouco) com dívida insustentável

Autor: Michael Roberts – The next recession blog – 30/06/2025

Os líderes mundiais se reúniram em Sevilha, Espanha, para uma cúpula de ajuda da ONU para países em desenvolvimento. Esta foi a Quarta Conferência Internacional sobre Financiamento para o Desenvolvimento.  Pelo menos 50 líderes mundiais, incluindo o presidente francês Macron, a chefe da UE von der Leyen e o chefe da ONU Andrés Guterres estarão lá.  A conferência deve aumentar o apoio ao desenvolvimento global, os chamados objetivos de desenvolvimento sustentável estabelecidos décadas atrás pela ONU, com o objetivo de tirar os países pobres e seus povos da pobreza.

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Guerra Rússia-Ucrânia: três anos depois

Autor: Michael Roberts – Fonte: The next recession blog – 24/02/2025

Ucrânia: uma catástrofe humana

Chegou-se já ao fim do terceiro ano da guerra Ucrânia-Rússia. Após três anos de guerra, a invasão da Ucrânia pela Rússia causou perdas impressionantes ao povo e à economia da Ucrânia. Existem várias estimativas do número de civis ucranianos e de baixas militares (mortes e feridos): 46.000 civis e talvez 500.000 soldados. As baixas militares russas são quase as mesmas. Milhões fugiram para o exterior e muitos outros milhões foram deslocados de suas casas na Ucrânia.

Uma avaliação ucraniana confidencial do início de 2024, relatada pelo Wall Street Journal, colocou as perdas de tropas ucranianas em 80.000 mortos e 400.000 feridos. De acordo com dados do governo, no primeiro semestre de 2024, três vezes mais pessoas morreram na Ucrânia do que nasceram, informou esse jornal. No ano passado, as perdas ucranianas foram cinco vezes maiores do que as da Rússia, com Kiev perdendo pelo menos 50.000 militares por mês.

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Alimentos, comércio e recessão

Autor: Michael Roberts – The next recession blog – 10/08/2023

A última medida de preços ao consumidor dos EUA, referente a julho de 2023, mostrou um aumento na taxa anual de inflação; foi 3,2% frente a 3% em junho. Esse resultado adveio principalmente da comparação (efeitos de base, como são chamados) com uma queda na taxa em julho passado em relação ao pico em junho.  O núcleo da inflação, que exclui alimentos e energia, permaneceu muito mais alto, em 4,7% ao ano.

É bom lembrar aqui, que mesmo se a inflação caísse ainda mais e ficasse próxima de zero, os preços desde o fim da queda da pandemia de COVID subiram de 10% a 15% na maioria das economias do G7.  Sim, a taxa de inflação está desacelerando, mas os preços ao consumidor dos EUA estão 17% mais altos do que no início de 2021.

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O novo Consenso de Washington

Autor: Michael Roberts – Fonte: The next recession blog – 08/06/2023

No mês de março deste ano, o conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Jake Sullivan, delineou a política econômica internacional do governo americano.  Fez um discurso fundamental porque, como graduado funcionário, nele explicou em que consiste o chamado de Novo Consenso de Washington sobre a política externa dos EUA.

O Consenso de Washington original constituía-se de um conjunto de dez prescrições de política econômica consideradas como um pacote de reformas “padrão” destinado aos países em desenvolvimento em crise de crescimento. Ele seria fomentado por instituições sediadas em Washington, D.C., como o FMI, o Banco Mundial e o Tesouro dos EUA. O termo foi usado pela primeira vez, em 1989, pelo economista inglês John Williamson.

As prescrições abrangeram políticas de promoção do livre mercado, como a “liberalização” comercial e financeira e a privatização de ativos estatais. Recomendavam também políticas monetárias e de gasto público destinadas a minimizar os déficits orçamentários e a despesa pública.  Era o modelo de política neoclássico aplicado ao mundo e imposto aos países pobres pelo imperialismo norte-americano e suas instituições aliadas.  A chave era o “livre comércio” sem tarifas e outras barreiras, o livre fluxo de capitais e a regulação mínima – um modelo que beneficiava especificamente a posição hegemônica dos EUA.

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