Taxa de juro como instrumento político

O escrito abaixo do economista James K. Galbraith[1], publicado no portal Project Syndicate, em 6 de agosto de 2024, mostra bem que a suposta independência do banco central, no caso do banco central dos Estados Unidos, é uma farsa, pois tal como todos os outros, ele atua não apenas politicamente, mas de modo partidário. Eis o artigo:

O Federal Reserve dos EUA parece ter finalmente provocado a recessão que costuma engendrar sempre que o desemprego é baixo e o presidente é do partido democrata. Se isso lhes custar a Casa Branca em novembro, espera-se que os seus líderes usem seu tempo fora do poder para refletir sobre a insensatez de sua barganha de décadas com Wall Street.

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Teorias da taxa de juros

Autores: Stavros Mavroudeas[1] & Th. Chatzirafailidis[2]

Três abordagens distintas

Existem três abordagens principais no pensamento econômico sobre a determinação da taxa de juros. Primeiro, analisaremos as duas mais importantes teorias burguesas da taxa de juros e, em seguida, apresentaremos separadamente a relevante teoria de Marx. Como será argumentado mais adiante, essa distinção é feita não apenas por razões de apresentação, mas principalmente por razões de substância científica.

A primeira teoria burguesa dos juros é a teoria neoclássica dos fundos emprestáveis. Sua ideia central gira em torno da existência de uma taxa natural de juros. Isso significa que a taxa de mercado tende a se aproximar da primeira no longo prazo. Assim, o ônus do ajuste “recai” sobre a taxa de mercado sempre que a poupança divergir dos investimentos. Mais detalhadamente, quando os investimentos superam a poupança e a taxa de juros de mercado é menor que a natural, a primeira aumenta até igualar a segunda, de modo a trazer a equalização da poupança com os investimentos. O mecanismo de ajuste inverso ocorre quando o investimento fica aquém da poupança, de modo que, no final, a economia sempre acaba em um estado de equilíbrio.

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