Esquerda além da resistência

Autor: Rodrigo Santaella [1] – IHU – 11/06/2024

Não basta enfrentar ameaças o extremismo de direita; é preciso voltar a se orientar para o futuro: “A agência coletiva parece relegada ao segundo plano em nome de prognósticos e diagnósticos acerca do desenvolvimento tecnológico propriamente dito”, constata o cientista político

Se, por um lado, o aceleracionismo de esquerda tem riscos e limites ao depositar sua confiança no desenvolvimento tecnológico para garantir avanços e transformações sociais, por outro, esta corrente teórico-política tem o “mérito” de “chacoalhar” a esquerda tradicional, “resignada, acomodada, ordeira, ou seja, uma esquerda que se adequou à ordem e desistiu de qualquer tipo de imaginação política e, no limite, concebeu a ideia de que a sua única tarefa possível é administrar o capitalismo”, resume Rodrigo Santaella na apresentação das principais ideias que marcam o pensamento conhecido como aceleracionismo de esquerda.

Continuar lendo

O que é cibercomunismo?

Por CIBCOM na Jacobin – Tradução: Maurício Ayer, 04/11/2022

I

No calor da revolução digital das últimas quatro décadas, as tecnologias da informação e da computação permearam nossas sociedades a ponto de se tornarem praticamente onipresentes, conectando bilhões de pessoas entre si. O movimento socialista não ia deixar por menos e, nos últimos anos, surgiram vários grupos sob o guarda-chuva do que poderia ser chamado de cibercomunismo.

Apesar do que possa parecer, não se trata apenas de comunistas usando computadores. Neste artigo pretendemos argumentar que o comunismo cibernético é descrito como tal porque consideramos que a cibernética, como ciência da informação e do controle, complementa a crítica da economia política marxista de tal forma que nos permite vislumbrar o substrato informacional oculto por trás realidades burguesas e compará-las com instituições alternativas em termos de eficiência e adaptabilidade.

Para compreender as características essenciais desse novo paradigma teórico, convém fazer uma revisão histórica dos conceitos, autores e correntes que o nutrem. Esta será a intenção última deste escrito: traçar uma espécie de “árvore genealógica” do cibercomunismo.

Continuar lendo