Dilema energético: jogo de soma zero

Autor: Cédric Durand – 17/11/2021 – Blog Sidecar da NLR

Em minha recente intervenção no blog Sidecar, desenvolvi o argumento de que as perturbações econômicas desencadeadas pela alta dos preços de energia – especialmente no mercado de gás – podem estar conectadas às políticas climáticas dos governos. Adam Tooze, respondendo em seu Chartbook # 51 , desafia essa tese que chamei de “dilema energético”. O que Tooze rejeita sem ambiguidade é o mote de que as empresas de combustíveis fósseis ocidentais avaliaram a perspectiva de mudanças nas políticas relacionadas ao clima em seu comportamento de investimento e que isso contribuiu para as tensões no lado da oferta que vieram à tona neste outono. Embora eu concorde que evidências mais fortes são necessárias para chegar a uma conclusão definitiva, ainda assim tenho várias reservas sobre o ensaio de Tooze.

No contexto da crise atual, o termo “dilema energético” foi cunhado por Lara Dong, analista da consultoria IHS Markit, que explicou como as autoridades chinesas têm lutado para equilibrar as preocupações ambientais com o carvão com a necessidade de segurança energética. No entanto, esta não é uma ideia nova. Trata-se de uma tese que pode ser rastreada desde a década de 1970, quando os especialistas se tornaram cada vez mais conscientes da tensão entre alcançar o fornecimento de energia confiável e acessível e limitar o impacto prejudicial do crescente consumo de combustível fóssil. Em 2010, o geógrafo Michael J. Bradshaw produziu uma formulação sistemática do dilema apresentando-o em “Global Energy Dilemmas: A Geographical Perspective”. Nesse escrito, perguntou: “é possível ter a energia necessária para o desenvolvimento econômico e, ao mesmo tempo, gerenciar a transição para um sistema de energia de baixo carbono necessário para evitar mudanças climáticas catastróficas?

Tooze, em sua peça, apresenta a tese do “dilema da energia” da seguinte forma: “o boato que continua circulando é que o déficit de oferta está diretamente ligado à política climática. Muita conversa sobre a “zeragem líquida” desencorajou os investidores de combustíveis fósseis, resultando em menor investimento, oferta restrita e vulnerabilidade a choques de demanda.

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