Reino Unido: ainda inverno, sem sinal de primavera

Autor: Michael Roberts – The next recession blog – 26 de março de 2025

A declaração de primavera do governo do Reino Unido sobre gastos foi tal como esperada – realmente horrível.  Primeiro, a chanceler Rachel Reeves teve que aceitar que a estimativa de crescimento real do PIB, em 2025, é agora metade da taxa prevista anteriormente; eis que foi reduzida pela metade, ou seja, para 1% de 2% pelo analista oficial do governo, o Escritório de responsabilidade orçamentária [Office for Budget Responsibility (OBR)].  Além disso, Reeves teve que admitir que a meta de inflação do governo de 2% ao ano não seria atingida até 2027 – e isso pressupõe que as medidas tarifárias de Trump não aumentem os custos nesse meio tempo.

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Uma política econômica “segura” para a Grã-Bretanha

Autor: Michael Roberts – The next recession blog – 07/08/2024

Já existiu uma “abeconomia” no Japão; uma “modieconomia” na Índia e mesmo uma “bideconomia” nos EUA.  Agora temos uma politica econômica  “segura” (seguronomics) para a Grã-Bretanha. Esta pode parecer uma expressão elegante para apresentar os fundamentos da política econômica do novo governo trabalhista do Reino Unido – tal como foram expostos por sua nova ministra das finanças (chamada curiosamente de chanceler do tesouro) da Grã-Bretanha, Rachel Reeves, que já foi economista do Banco da Inglaterra.

Quando Reeves esteve em Washington, antes das recentes eleições no Reino Unido, ela disse ao público que “a globalização, tal como a conhecíamos, está morta”.  E ela estava certa.  O grande boom do comércio mundial desde a década de 1990 parou bruscamente após a Grande Recessão de 2008-9 e, desde então, o comércio mundial basicamente estagnou. Ora, essa tendência se expressou também no Reino Unido, pois agora ele tem o maior déficit comercial de sua história.  E não se trata apenas comércio.

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