O capitalismo pode ser político?

Eleutério F. S. Prado [1]

A tese de Dylan Riley

O capitalismo não é um modo de produção sossegado; ao contrário, passou por grandes mudanças em seu turbulento curso histórico, que pode ser contado, aliás, em décadas, séculos, mas não em milênios. A sua mudança mais recente tem sido caracterizada estranhamente – até mesmo – como rentista, neofeudal, tecnofeudal ou “ponto zero”.

 Adicionando mais um pouco de confusão, Dylan Riley, examinando o caso dos Estados Unidos sob Donald Trump, afirmou recentemente que o capitalismo agora se tornou político. Eis sinteticamente a sua justificativa para adotar essa qualificação: “A forma de capitalismo em que vivemos atualmente é aquela em que a extração de riqueza depende cada vez menos do poder de mercado e mais de manobras políticas.”[2] Será? Uma faticidade escandalosa, que chama a atenção e que revolta, não o teria enganado?

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Não é neofeudalismo, mas capitalismo político

O blogue publicou um artigo de Stphen Maher criticando Dylan Riley, Aqui vai a sua resposta. Note-se, porém, que o termo “capitalismo” denota o sistema da relação social – contraditória – de capital. Note-se, por isso mesmo, que o capitalismo desde sempre dependeu do Estado para existir. Nesse sentido, ele nunca foi não-político, Ademais, nele sempre existiu o uso do poder político, assim como de outros poderes, para extrair renda. Contudo, o termo “capitalismo político” consiste num oxímoro já que nega aquilo que o capitalismo é em essência, ou seja, um sistema se alevanta sobre “relações sociais de coisas”.

Autor:  Dylan Riley [1]

A forma de capitalismo em que vivemos atualmente é aquela em que a extração de riqueza depende cada vez menos do poder de mercado e mais de manobras políticas.

Segundo a minuciosa reportagem de David Kirkpatrick na revista The New Yorker, Donald Trump e sua família teriam acumulado US$ 4 bilhões desde o início de seu mandato por meio de uma vertiginosa gama de esquemas, a maioria dos quais parece ter sido concebida para inflar o valor de seus ativos (criptomoedas, clubes de golfe, hotéis etc.).

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