Corbin Trent – America’s Undoing
Titulo original: “It Works, If You Work It”; 23/11/2025
Para que a economia americana possa proporcionar uma vida boa para todos são necessárias reformas estruturais. Ela está muito ruim? Sim, bem ruim! [Mas já foi melhor: aquilo que foi chamado de “american way of life” parece ter existido, sim…, em meados do século passado.]
Desapontamento: de Obama à Trump
As eleições do início deste mês indicam para onde a coisa está indo. Os democratas varreram a Virgínia, Nova Jersey e Nova York. Pesquisas de boca de urna mostraram que 49% dos eleitores da Virgínia colocavam a economia como sua principal questão. Em Nova York, 56% disseram que era o custo de vida. Os eleitores de Nova Jersey focaram em impostos e, portanto, em economia.
Trump agora é agora o chefe que determina a política econômica. Os eleitores apenas disseram que estão quebrados; por isso, põe agora a culpa nele pela situação que vivem.
Mas aqui está o que importa mais do que qualquer eleição. Do Tennessee a Nova York, os eleitores estão fazendo a mesma pergunta. Por que não consigo sustentar uma vida boa?
É por isso que Trump venceu duas vezes. Barack Hussein Obama foi eleito duas vezes prometendo nas duas renovar a esperança por meio de mudanças. Os esforços de Obama foram poucos e chegaram tarde demais, o que levou muitos eleitores de Obama para Trump. Continua-se buscando esperança e mudança por meios cada vez mais desesperados. Como viciados em busca da próxima dose, os americanos estão optando por alternativas cada vez mais perigosas por puro desespero.
A razão é simples e é possível provar isso com matemática do ensino fundamental. Quando especialistas afirmam que a renda de hoje pode comprar 252% a mais do que podia em 1950, mas a vida das pessoas conta uma história diferente, algo está errado. Por meio de cálculos é possível provar que não se pode comprar hoje 252% a mais em itens essenciais do que naquele ano. Pode-se comprar, na verdade, 61% menos.
Ou a matemática básica parou de funcionar ou os especialistas estão deixando passar algo. Para essa questão, a realidade fornece a resposta. É por isso que muitos pararam de confiar em especialistas, economistas, políticos e, em especial, na mídia. Em face disso, é preciso ouvir quem está disposto a admitir que o declínio é real, em vez de escutar quem diz que ele não existe.
Já mostrei em postagens anteriores que Wall Street e os políticos manipulam a economia e como o governo esconde isso sistematicamente. Reagan, por exemplo, legalizou as recompras de ações, em 1982, transformando as corporações em caixas eletrônicos para executivos. Wall Street privatizou a tecnologia que os impostos pagaram para que fosse inventada. A Comissão Boskin, em 1995, incorporou truques estatísticos que fazem a inflação desaparecer no papel enquanto ela esmaga as pessoas na realidade.
Agora, vai se mostrar aqui quanto isso realmente tem custado para os americanos. Como isso impacta nas vidas dos cidadãos e cidadãs desse país? Mas não em termos econômicos abstratos. Mas sim por meio de um medida bem concreta. Quanto tempo de trabalho é preciso gastar apenas para conseguir sobreviver?
O roubo do tempo de vida
Em 1950, a renda anual mediana de uma pessoa era de $1.971 em dólares. Uma casa mediana custava $7.354. O país gastava cerca de $83 por pessoa com cuidados de saúde. Um diploma universitário de quatro anos custava $852.
Faça-se, pois, as contas: era preciso 3,73 anos de trabalho para comprar uma casa. Uma semana de trabalho era requerida para custear a saúde. Menos de dois meses de trabalho eram necessários para obter um diploma universitário.
Em 2023, a renda pessoal mediana era de $42.220. Uma casa mediana passou a custar $429.000. O serviço de saúde custa agora $14.570 por ano, por pessoa. Um diploma de curso superior de quatro anos custa quase $40.000.
Agora, é preciso 10,16 anos de trabalho para comprar uma casa. São requeridos doze semanas de trabalho para custear a saúde. Mais de dez meses de labor são necessários para pagar a faculdade.
Veja-se, os salários aumentaram 21 vezes desde 1950. Parece ótimo, não é? Ora, os bens essenciais, as coisas que são necessárias para sobreviver, aumentaram muito, muito mais rápido.
A moradia subiu 58 vezes. A saúde subiu 175 vezes. A faculdade subiu 47 vezes. Mas, como foi mostrado em outra postagem, os números oficiais da inflação escondem a maior parte disso por meio de ajustes hedônicos e manipulação estatística. Os especialistas dizem que o custo de vida aumentou talvez 3-4 vezes, em vez de 50-175 vezes. A inflação está sob controle, dizem economistas e políticos.
O trabalho dispendido compra cada vez menos do que é preciso para viver: casas, carros, educação, creche e saúde. Como resultado, os americanos se afogam em dívidas como pessoas e como cidadãos. Cada vez mais os americanos precisam comprar comida com cartões de crédito. A nação é sobrecarregada com subsídios de trilhões para os barões assaltantes que atuam na saúde e na agiotagem. As estatísticas oficiais dizem que a inflação está em níveis moderados. As contas bancárias sabem que isso não é bem assim. Cada vez mais os americanos têm de escolher entre remédio e comida, entre o conserto do carro e a conta de luz, entre economizar qualquer coisa e simplesmente sobreviver.
Trabalha-se a vida toda pagando dívidas em vez de construir riqueza. Cada ano extra que se leva para quitar uma casa é mais um ano em que, na verdade, ainda não se possui nada. Cada mês adicional necessário para pagar o carro é mais um mês em que se está, basicamente, pagando um aluguel pelo transporte. Cada década pagando empréstimos estudantis é um tempo em que não se conseguiu economizar para a aposentadoria, investir ou passar algo para os filhos.
Os avós americanos trabalhavam, mas conseguiam possuir coisas. Agora, se trabalha e se acumula dívidas.
E aqui está o golpe final. Em muitos estados da federação, mesmo depois de finalmente quitar aquela casa que se passou toda a vida profissional para pagar, o sistema de saúde pode ficar com ela. A pessoa envelhece, precisa de cuidados, e a recuperação de heranças feita pelo Medicaid toma a casa para pagar as contas. Trabalha-se por 40 anos para possuir algo e o sistema tira tudo no final.
Wall Street e os executivos que construíram esse sistema não estão apenas pegando o dinheiro do povo. Eles estão tirando as vidas das pessoas que acabam ficando sem nada.
Como foi refeita a medida
Para calcular a inflação real, os truques estatísticos foram eliminados. Os ajustes hedônicos foram suprimidos. Cortou-se o equivalente teórico para o aluguel. Manteve-se uma cesta constante. Usou-se apenas matemática simples. Quanto se ganha e quanto custam os bens básicos?
Olhou-se os dados oficiais do governo. Verificou-se quais eram as rendas medianas do imposto de renda e do censo demográfico. Tomou-se os preços reais de itens essenciais segundo os registros federais. Então, uma pergunta simples foi feita: quantos anos, semanas ou meses de trabalho são necessários para comprar o que é necessário para viver?
Uma medida interessante consiste em calcular os anos de trabalho necessários para adquirir um bem essencial. Trata-se da medição econômica mais honesta que existe, porque não se pode manipulá-la com fórmulas. Uma casa custa o que custa em anos de trabalho. Aquilo que se ganha, ganha-se de fato. A matemática empregada é aquela aprendida no nível escolar fundamental.
Uma geração atrás, trabalhar em um supermercado dava independência. Trabalhar meio período pagava a faculdade. Não se consegue mais fazer isso hoje. Não se pode. A matemática cotidiana se torna impotente.
Pense em como isso dificulta para as pessoas desta geração se relacionarem umas com as outras. As realidade vividas são diferentes.
O declínio bem calculado
Para medir o declínio geral, analisou-se quanto um trabalhador mediano em 1950 poderia comprar com a sua renda: uma casa, saúde, um carro, faculdade para os filhos, comida, contas de serviços. Trata-se do básico de uma vida de classe média. Depois, calculou-se qual renda necessária hoje para comprar essa mesma cesta no mesmo tempo de trabalho.
Veja o que acontece quando se mede a coisa honestamente. É preciso, pois, perguntar que vida é essa que se está vivendo agora?
O governo afirma que os salários reais aumentaram 252% desde 1950. A matemática acima apresentada diz que se perdeu 61% do poder de compra nesse período.
Para poder comprar hoje o essencial que os avós realmente podiam comprar em 1950, a renda mediana de 2023, de $42.220, precisaria ser de $102.024. Lembre-se: esta é uma pessoa, não uma casa ou uma família.
Duas rendas juntadas hoje compram menos dos itens essenciais do que uma em 1950.
A questão que se apresenta é a seguinte: ou se está perdendo poder de compra para adquirir os itens que sustentam uma vida boa ou, alternativamente, a matemática básica está errada. Muitas das estatísticas que são apresentadas hoje para as pessoas comuns se desligaram completamente da realidade.
Uma lacuna que gera raiva
Essa diferença entre o que as estatísticas dizem e o que se vive gera a raiva que se assiste na política.
Trabalha-se mais hoje do que naquele tempo e, apesar disso, fica-se cada vez mais para trás. A conta bancária das pessoas mostra isso. A matemática mostra isso. Mas economistas e políticos olham para as estatísticas e veem aí um sistema que funciona. Um sistema que está indo de forma incrível. Tudo está melhor que um ok, é INCRÍVEL! Os salários “reais” aumentaram. O PIB está crescendo. Só se precisa construir uma mensagem melhor.
Isso não é luta econômica. Trata-se de um jogo de engano. É-se tratado como se não se cada um fosse capaz de entender o que está acontecendo com própria vida.
Dois trabalhadores em tempo integral hoje têm menos poder de compra do que tinha um único trabalhador em 1950. Uma vida de classe média costumava ser alcançável com apenas uma pessoa obtendo renda. Agora são necessários dois e mesmo assim não parece ser suficiente. Sempre que ambos os pais são obrigados a trabalhar em vez de apenas um, podendo o outro ficar em casa, o PIB sobe. O governo avalia em PIB o desespero das pessoas e chama isso de crescimento.
O gráfico abaixo mostra em azul aquilo que dizem as estatísticas oficiais sobre o crescimento da renda mediana anual; mostra também em laranja e vermelho os números cadentes da renda mediana obtidos por meio de um cálculo honesto em que se considerou os locatários e locadores, respectivamente.
Como mostrei em outra postagem, Wall Street troca salários por endividamento. Quando não se podia mais pagar a faculdade, a indústria financeira passou a dar empréstimos. Se não se pode pagar uma casa, ela faz a pessoa assinar uma hipoteca com prazo de 30 anos. Se não se pode pagar um carro, eles oferecem um empréstimo de 84 meses. Ora, assim, será preciso pagar por sete anos um ativo que está se depreciando.
Em 1950, a dívida das famílias era de 47 bilhões de dólares. Hoje, ultrapassa US$ 17,1 trilhões. Quando medido em anos de trabalho com salários medianos, o peso da dívida cresceu de oito semanas de trabalho em 1950 para 63 semanas hoje. Um aumento de 670%.
O que antes exigia um ano de trabalho agora exige mais de três. Isso não é efetivamente prosperidade.
A distração que disfarça
Onde se encontra o truque? Os economistas e os políticos apontam para a TV barata, para o smartphone adquirível, para os serviços de streaming compráveis e dizem “olha como a vida é muito melhor agora. As pessoas têm tecnologias que os seus avós jamais sonhariam”.
Claro. As coisas eletrônicas ficaram mais baratas. É possível comprar uma TV de 55″ por $300. A TV em preto e branco de 19″ dos avós custava $200 em 1950. E isso corresponde a $2.400 hoje.
Mas, enquanto a TV ficou mais barata, tudo que realmente importa ficou mais caro. A habitação aumentou 7 vezes desde 1980, mas as estatísticas oficiais falam em 3,7 vezes. A saúde aumentou 13 vezes, mas as estatísticas oficiais escondem 9,3 pontos desse total. A faculdade aumentou 12 vezes, mas as estatísticas oficiais escondem 8,3 vezes. A comida aumentou 5,7 vezes, mas as estatísticas oficiais falam em apenas 3,7 vezes.
Como detalhei em outra postagem, cerca de 50-60% da inflação real fica oculta por meio de ajustes hedônicos, por meio da imputação de um aluguel equivalente e por meio da reponderação da cesta de consumo.
Recebe-se hoje gadgets baratos enquanto os bens fundamentais são suprimidos. Ora, não se pode viver consumindo uma TV de tela plana. Não pode criar filhos com smartphones. Não pode se aposentar com uma assinatura de streaming.





Você precisa fazer login para comentar.