Antes de qualquer outra consideração é preciso afirmar de saída, e fortemente, que o neoliberalismo não é a política do Estado mínimo. Segundo Pierre Dardot e Christian Laval, a tese segundo a qual “o termo neoliberalismo designa uma ideologia que prega o “retorno” ao liberalismo originário e uma política econômica que consiste em retirar o Estado para abrir espaço ao mercado” está totalmente errada. Ora, essa mesma crítica já fora feita no artigo Pós-grande indústria e neoliberalismo, que é de 2005, e está publicado no número 97 da Revista de Economia Política. Entretanto, mesmo se não há originalidade nessa afirmação, os escritos desses dois intelectuais franceses sobre o tema contribuem para uma melhor compreensão desse pensamento político ora dominante na sociedade. Por isso, aqui se publica uma tradução de duas seções de um importante artigo da lavra desses autores, Néolibéralisme et subjectivation capitaliste, o qual foi publicado no número 41 da Revue Cités.
Arquivo mensal: maio 2013
Libertação do fetichismo?
É publicado aqui um texto de Anselm Jappe, companheiro intelectual de Moishe Postone na crítica ao “marxismo tradicional”. Este, segundo eles, criticou o capitalismo a partir do trabalho (isto é, do trabalho explorado) quando Marx desenvolveu em suas obras principalmente uma crítica do trabalho no capitalismo (isto é, do trabalho alienado). O autor de O Capital não formulou mesmo, diz Jappe, uma teoria do valor trabalho, mas sim, verdadeiramente, uma teoria crítica do trabalho como valor. No texto, ora publicado, ele argumenta a partir daí que a superação do capitalismo só poderá ocorrer quando for possível superar definitivamente o fetichismo das formas sociais mercantis. Ultrapassando, assim, a sociabilidade baseada no valor e no valor que se valoriza. Para discutir essa tese, ao final, é publicado também um breve questionamento crítico dessa linha de pensamento que, sem dúvida, participa do movimento de renovação do marxismo.

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