Usos indevidos dos termos “feudalismo” e “capitalismo”

Radhika Desai [1]

Introdução

O enorme aumento do rentismo às custas da atividade produtiva, assim como a deformação da política que veio para sustentá-lo, levaram muitos a propor que o capitalismo foi transformado em “neofeudalismo”. Embora haja casos em que foi usada por políticas populistas de direita (Kotkin, 2020), essa caracterização têm sido empregada geralmente com o propósito de fortalecer a esquerda. Pretende-se, assim, dotá-la de compreensões que incrementam a sua capacidade de enfrentar uma estrutura social cada vez mais opressora e que está baseada no rentismo (Dean, 2020).

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Senhores digitais ou titãs capitalistas?

Crítica da narrativa sobre o “tecnofeudalismo”

Arif Novianto [1] – 5 de maio de 2025

Nos últimos anos, a ascensão de monopólios que operam por meio de plataformas como Google, Amazon, Meta e Microsoft gerou um debate crescente entre estudiosos e intelectuais públicos. Muitos deles descrevem esses desenvolvimentos sob a ótica de um suposto retorno às estruturas de propriedade feudais.

Essa narrativa, frequentemente rotulada como tecnofeudalismo ou como feudalismo digital, sugere que o capitalismo contemporâneo, baseado em meios de produção digitais, não é mais movido principalmente pela exploração do trabalho, mas pela extração de rendas de aluguel por meio do controle de infraestruturas digitais (Varoufakis, 2021).

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Do neofeudalismo ao capitalismo

Autor: Eleutério F. S. Prado [1]

Faz-se nessa nota um comentário sobre um escrito de Jodi Dean em que essa autora do campo crítico explica por que pensa que o modo de produção capitalista está se transformando num novo outro que denomina de neofeudalismo. O seu artigo From neoliberalism to neofeudalism recém-publicado [2] se mostra bem apropriado como objeto de crítica porque está construído com base numa ingenuidade metodológica.

Eis que apresenta essa tese partindo de uma definição de capitalismo:

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