É o trabalho abstrato universal?

Publica-se aqui um escrito enigmático – como sempre – do mais produtivo filósofo de todos os tempos, Slavoj Žižek ! Artigo que, aliás, já foi publicado também por outros. Mas aqui isso feito com o objetivo de criticá-lo – não para pô-lo no pódio. Leia, portanto, o antigo anterior também aqui publicado: É Žižek um intelectual sério?

Autor: Slavoj Žižek [1] Tradução: Lucas Tretin Reich. Original: aqui

Na medida em que não se pronuncia sobre o papel fundamental que a ciência moderna desempenha nos circuitos do capital, Kohei Saito pensa abstratamente, no sentido hegeliano de abstrair ou ignorar as circunstâncias concretas. E em nenhum lugar essa abstração é mais palpável do que em sua afirmação na qual o trabalho abstrato já existe nas sociedades pré-modernas, que ele não é (como o valor) uma forma puramente social, que surge apenas por meio da troca de mercadorias. Ao fazer isso, Saito ignora o fato crucial de que a noção de trabalho abstrato de Marx pressupõe a ciência moderna, especificamente a termodinâmica do século XIX.

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É Žižek um intelectual sério?

Autor: Eleutério F. S. Prado [1]

Aviso: ainda que seja bem importante encontrar uma resposta, a pergunta posta pelo título não será aqui respondida. Pois, esta nota apenas visa reapresentar criticamente um artigo escrito por esse autor, o qual também ele escolheu denominar interrogativamente: É o trabalho abstrato universal? O objetivo consiste, outrossim, em opor uma pequena à sua provocação maior porque ela própria suscita esse tipo de dúvida. A reflexão necessária para respondê-la que fique, pois, com cada um. Mas que se examine também, ao mesmo tempo, por justiça, a seriedade do autor da presente nota.

A figura pública do autor de Menos que nada – Hegel e a sombra do materialismo dialético, como bem se sabe, levanta outros questionamentos: como se deve classificar melhor o Sr. Slavoj? Seria o Sr. Žižek um filósofo hegeliano, um crítico cultural pós-moderno, um leninista de escritório, um novo gênio iluminista ou mesmo um agitador contrarrevolucionário? Ora, essa espécie de confusão não seria produzida, propositalmente, por ele mesmo? Afinal, não se vive hoje na sociedade do espetáculo?

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