Há trabalhadores que são capitalistas?!

Eleutério F. S. Prado [1]

Uma definição e um resultado

Sim, e não se trata do fato de que muito capitalistas trabalham… De qualquer forma que fique registrado logo de início que o termo “trabalhador” contém uma ambiguidade; talvez tenha sido por essa razão que Marx empregou o termo “proletário”.

Yonatan Berman e Branko Milanovic acham que sim, que tais trabalhadores existem e que são bem numerosos na sociedade contemporânea. Eles pensam que essa condição social é tão importante que um nome na língua de Aristóteles foi criado para denominá-la: homoploutia. Formada pela composição de dois termos, homo (igual) e ploutia (riqueza), essa palavrona chama a atenção. Com ela, querem designar gente que ganha muito dinheiro tanto com base no trabalho tanto com base na propriedade de riqueza capitalista acumulada ou em processo de acumulação.

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Sob o céu negro do capital

Autor: Eleutério F. S. Prado[1]

O nome dado a este artigo provém de mera tradução do título do último livro de Anselm Jappe, Sous le soleil noir du capital, recentemente publicado[2] em França. Já de início – recomenda-se fortemente – deve-se notar o seu caráter hiperbólico: se o sol amarelo que faz o dia e se esconde na noite garante a vida na face do planeta, um sol negro só pode representar a morte.

O sol negro é, como se sabe, um símbolo fascista. A negação da vida que ele representa se afigura, pois, enfática, terrível, absoluta. Eis que ela provém de um ressentimento e mesmo ódio profundo engendrado pelas frustrações que o capitalismo proporciona para muitos, especialmente para os integrantes das classes médias. Mas essa visão soturna não é uma novidade na obra desse autor. Vale lembrar que o seu penúltimo livro, A sociedade autofágica – capitalismo, desmesura e autodestruição, também apontava para um fim trágico.

O livro reúne vinte e cinco artigos escritos nos últimos dez anos por um dos principais líderes atuais da corrente de pensamento crítico que se dá a conhecer como “crítica do valor” ou “crítica do valor/dissociação”. Fundada por Robert Kurz no começo dos anos 1990, tem atualmente seguidores na Alemanha, França, Brasil e em outros países, mas sempre na forma de pequenos grupos. O livro começa com uma breve história da crítica do valor com base nos escritos de Kurz, discute o fetichismo em Lukács e Adorno assim como outros temas, para se perguntar, ao final, o que falta às crianças.

De onde vem Anselm Jappe?

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