Autor: Eleutério F. S. Prado [1]
Introdução
Há recebedores de salário que são capitalistas? Yonatan Berman e Branko Milanovic acham que sim, que existem e que são bem numerosos na sociedade contemporânea.[2] Esses autores pensam que essa condição social é tão importante que criaram um nome na língua de Aristóteles para denominá-la: homoploutia. Formado pela composição de dois termos, “homo” e “ploutia” (respectivamente, “igual” e “riqueza” em grego), designa gente que ganha muito dinheiro tanto com base no trabalho quanto com base na propriedade de riqueza capitalista previamente acumulada.
Aqui, no entanto, não se examinará o que eles pretenderam dizer a partir dessa inovação terminológica[3], pois, ao escrever assim esse primeiro parágrafo, deu-se um primeiro passo para introduzir, de forma impactante, um problema na compreensão das classes no interior da teoria marxiana. Sabendo que as grandes classes são definidas, em primeiro lugar, pela forma específica de apropriação de parte do valor criado na produção de mercadorias, como delimitá-las coerente e significativamente? Antes de começar a dar uma resposta para essa questão, veja-se mais uma vez como Karl Marx abre o último capítulo do Livro III de O capital:
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