Autor: Eleutério F. S. Prado [1]
Aristóteles/Grécia Antiga
Aristóteles, no século IV a. c., sabia certamente a diferença entre o sensato e o insensato, o medido e o desmedido, em matéria de desejo e de riqueza. E essa percepção está bem patente em sua discussão da posse e da obtenção de bens nas condições da Grécia antiga, que se encontra como se sabe no capítulo III de A política.[2] Sendo assim, como é possível retomar a sua sabedoria milenar referente a uma sociedade escravista para vir a compreender melhor a relação interna entre o desejo e a riqueza no capitalismo, na perspectiva do encontro da psicanálise com a crítica da economia política?
Como se verá no curso da exposição que se segue, essa investigação nada tem de impertinente. Eis que há uma linha de pensamento que funda o capitalismo numa suposta natureza da psique humana e ela precisa ser contestada. As bases da crítica foram assentadas aqui há décadas atrás.
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