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Ecossocialismo e política do comum são urgências históricas

29/06/2020

IHU: A superação do capitalismo tem que ser uma obra coletiva, plural, descentralizada e democrática em busca de uma política do comum, diz o economista.

No emaranhado de incertezas que toma conta do país por causa dos efeitos gerados pela crise do novo coronavírus, um diagnóstico é unânime: “o curso da economia capitalista no Brasil neste ano, como também provavelmente no ano que vem, estará marcado pelas consequências da pandemia do novo coronavírus”, e a recuperação econômica será “lenta, difícil e fraca”, diz o economista Eleutério da Silva Prado à IHU On-Line. A crise política, especialmente no aspecto que envolve a família presidenciável, acrescenta uma “dose adicional de incerteza e instabilidade. E isto pode solapar ainda mais o andamento da atividade econômica no Brasil”, avalia.

Para ele, no curto prazo, um caminho viável para superar a crise econômica diante do endividamento público de 90% previsto para o próximo ano é redirecionar a dívida do governo. “Ao invés de o governo financiar os seus gastos com as urgências da pandemia do novo coronavírus por meio da venda de títulos no mercado, ele pode emitir dinheiro fiduciário vendendo títulos para o Banco Central. A dívida do governo aumenta, mas a dívida pública não”. Essa alternativa, menciona, é descartada pelo governo porque “contraria a lógica da financeirização”.

A longo prazo, o economista defende uma mudança estrutural que consiste na substituição do atual modelo de produção capitalista. “O atual modo de produção precisa ser desafiado por um socialismo democrático que seja também um ecossocialismo”, que “vise preservar a civilização tendo por base o princípio do comum”.

Na entrevista a seguir, concedida por e-mail, ele também comenta algumas das políticas que estão na ordem do dia para enfrentar a crise, como a criação de uma renda mínima. “Não se pode ficar contra essa proposta dado o nível de miserabilidade de milhões de cidadãos brasileiros que deveriam ser mais bem respeitados pelo poder público. Mas é preciso ver que ela foi proposta inicialmente por economistas ultraliberais ou mesmo conservadores como Milton Friedman e Friedrich Hayek. Pois, na forma por eles recomendada, ela permite a eliminação de quase toda outra proteção social destinada aos trabalhadores. Nesse sentido, ela é consistente com a privatização de tudo. Não endosso essa ideologia”. Uma renda mínima é oportuna “se for implementada como parte de uma reforma substantiva da repartição da renda e da riqueza no país”, conclui.

A entrevista está aqui: Entrevista IHU

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