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Voltando à tese da financeirização

07/10/2019

Três teses são confrontadas nesse post: duas delas mantém a tese da financeirização do capitalismo contemporâneo e a outra a rejeita em nome do marxismo clássico.

A primeira faz referência à uma mudança estrutural, construída politicamente, que teria ocorrido no capitalismo a partir dos anos 1980. Com ela teria sobrevindo uma fase inteiramente nova do capitalismo ou mesmo um novo capitalismo. Mediante o seu advento ocorreu uma inversão indevida entre as posições relativas do capital financeiro e do capital produtor de riqueza real; o primeiro deles passa não só a dominar, mas a conter e prejudicar o bom desenvolvimento do segundo.

A segunda emprega esse termo para designar uma mudança endógena no próprio movimento histórico da acumulação de capital. O que surge agora não é, entretanto, algo inteiramente novo, mas que assumiu contemporaneamente uma magnitude e uma profundidade que requer uma demarcação adequada. Trata-se da culminação do processo histórico tendencial de globalização e socialização do capital. Eis que o mundo como um todo agora se verga diante da relação de capital. Ora, se isso ocorre sob algum susto dos velhos liberais, acontece inexoravelmente sob a espada e a égide dos neoliberais.

A terceira tese nega completamente as duas acima resumidas. Ela afirma que a teoria da crise e dos ciclos que se pode encontrar nos textos de Marx dá conta perfeitamente do movimento conjuntural de ascensão das finanças no capitalismo contemporâneo. Argumenta, assim, que a hipótese da financeirização é um falso caminho para a análise marxista. Representa erroneamente os desenvolvimentos contemporâneos do capitalismo e, em particular, deixa de entender a função do capital fictício quando ocorre uma crise prolongada e estagnação.

A nota se encontra aqui: Voltando à tese da financeirização

A nota original, em inglês, do economista grego Stavros Mavroudeas pode também ser confrontada com a tese do economista brasileiro de coração, Ladislau Dowbor. Este último autor, como se sabe, tem desenvolvido uma crítica severa ao capitalismo governado pelas finanças. O seu livro, A era do capital improdutivo, tem atraído a atenção do público brasileiro que não se conforma como o evidente sacrifício do emprego e da produção para tentar salvar as formas fictícias do capital. As suas teses que têm, sem dúvidas, um forte componente de originalidade, vêm mais de Keynes do que de Marx – julga-se. Ainda que estejam contribuindo para o debate, elas se aproximam mais da primeira posição acima elencada.

A nota de Mavroudeas está aqui: Mavroudeas – Financialization Hypothesis 

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